Como estudantes do DF se preparam para o vestibular durante a pandemia
Covid-19 alterou rotina de quem se prepara para as seleções da graduação. Veja relatos de quem teve que se adaptar à nova realidade de aulas
atualizado
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A estudante Giovanna Sabino Bezerra Corrêa, 18 anos, pode agora viver um sonho de longa data. Consagrada como a 18ª colocada no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), ela se tornou, durante a pandemia da Covid-19, aluna de medicina da Universidade de São Paulo (USP).
“Muito difícil cair a ficha. Era o maior sonho que eu tinha, e o primeiro que eu consegui conquistar sozinha”, comemora. “E, claro, não foi só esforço. Foi também muito privilégio”, diz Giovanna, quem completou os estudos numa escola particular do Distrito Federal.
O processo de aprovação, conta a estudante, começou com a criação de uma rotina na pandemia, o que, segundo ela, exigiu autoconhecimento. “Estudar na pandemia me ajudou muito, porque pude finalmente organizar minha rotina. Mas eu reconheço que isso vem de um lugar de muito privilégio: não é todo mundo que teve acesso a plataforma on-line, como eu tive”, afirma.
Para ela, o primeiro passo é saber sobre si mesmo para que os estudos possam render mais. Qual seu tipo de disciplina? Prefere aulas ao vivo, ou gravadas? É preciso que cada um saiba as próprias preferências e limitações e as respeite ao encarar a maratona de estudos e seleções que possam lhe levar ao ensino superior.
“O segundo passo é montar uma rotina que funcione, que seja feita para você”, assinala. “Por fim, principalmente agora nesta época de pandemia, é importante se apropriar das informações que temos na internet para aprender o mesmo conteúdo de várias formas diferentes”.
A estudante ressalta, ainda, um ponto fundamental: ter atividades que distraiam. “Se você só estudar, seu rendimento com certeza vai cair. Você vai ficar ansioso. O ideal é ter alguma atividade física, meditação, yoga, ver uma série que você gosta…E, quando estiver muito difícil, se lembrar do seu sonho e do seu objetivo. Ter na cabeça bem claro o caminho que é preciso traçar para chegar lá”, ensina.
Adaptação durante a pandemia
“Estudar durante a pandemia tem sido feito de altos e baixos”, resume Flávia Bach, 20 anos, estudante de cursinho pré-vestibular. “Tem momentos de concentração, mas também de grande dispersão”, afirma.
Apesar de relatar um bom aprendizado com as aulas virtuais, Flávia sente falta de poder tirar suas dúvidas com os professores. Para ela, esse foi um dos maiores impactos da nova forma de estudar.
A jovem, que pretende cursar medicina, já estava acostumada a estudar sozinha. Ainda assim, teve que adaptar grande parte de sua rotina. Aos poucos, conta, percebeu que muitas horas em um mesmo conteúdo não necessariamente significa aprendê-lo: é preciso ter rendimento.
“Acho que a pandemia deu muita ansiedade em todo mundo, inclusive em mim. Isso, querendo ou não, atrapalhou a estudar”, completa.
Acesso para todos
Criado em 2015 por quatro alunos da Universidade de Brasília (UnB), o Galt Vestibulares é um cursinho voluntário que atende a estudantes de baixa renda no Distrito Federal. A iniciativa, totalmente gratuita, oferece aulas de todas as disciplinas exigidas para a realização dos exames de acesso às universidades federais do país. Hoje, as lições são mantidas de forma totalmente remota.
Laura Tavares, 19 anos, integra o quadro de alunos do Galt e pretende cursar psicologia ou medicina. A jovem destaca ter quadros de nervosismo e ansiedade, o que prejudica sua atenção e motivação. Em 2021, a moradora do Riacho Fundo I decidiu mudar sua vida e se preparar para entrar em uma universidade.
“A vida de vestibulando é muito difícil, parece um limbo, pois você não está nem na escola e nem na faculdade”, diz Laura. “Cada dia é necessário ter forças pra manter o foco e a fé que todo esse esforço vai valer a pena, que eu vou conseguir alcançar meus sonhos”.
Para Anny Beatriz Pereira Marques, 17, também aluna do Galt, estudar durante a pandemia tem lhe dado uma boa perspectiva. “Tudo tem pós e contras. Acho a relação no presencial excelente, mas não me enquadro no grupo que aprende melhor dessa forma”, conclui.
Moradora de São Domingos (GO), a estudante do Colégio Estadual João Honorato, no município goiano, aderiu à plataforma brasiliense para se preparar para o vestibular de arquitetura e urbanismo. “Acho que jamais teria tido a oportunidade de entrar em um cursinho como o Galt, pois, como moro no interior, as disponibilidades são mínimas”, diz ela. “[Com a iniciativa] Consegui ampliar minha visão e tenho uma perspectiva muito boa, mesmo na situação difícil que estamos vivendo”, completa.
Professores se reinventam
A mudança não veio somente para alunos: professores também fizeram seus ajustes diante do novo modelo de ensino. Beatriz Martins, graduanda em licenciatura de geografia, ingressou no Galt como professora voluntária no primeiro semestre de 2020. Ela afirma que teve a oportunidade de dar algumas aulas presenciais logo antes do ápice da pandemia, quando grande parte das escolas se adaptaram para ensinar a distância.
“O Galt conseguiu fazer isso com muita rapidez e qualidade”, diz. “Com essa questão do ensino remoto, começamos a nos adaptar: os alunos e os professores também. Essa era uma vivência que eu e muitos outros professores não tínhamos”, conclui.





















