Comércio geral reabre em Ceilândia: empresários esperam recuperação lenta

Atividades foram retomadas nesta segunda (20/7), mas com pequeno movimento. Preocupação é implementar medidas para evitar contágio

atualizado 20/07/2020 17:08

Reabertura do comércio em Ceilândia durante a pandemia, após restriçõesHugo Barreto/Metrópoles

Voltam a funcionar, a partir desta segunda-feira (20/7), as atividades econômicas em Ceilândia e no Sol Nascente/Pôr do Sol que estavam suspensas havia 11 dias por causa do novo coronavírus. Lanchonetes, bares e restaurantes reabriram as portas pela manhã, mas tiveram movimento tímido no início do dia.

O Decreto nº 40.939, de 2 de julho de 2020, está em vigor e estabelece a liberação de toda atividade comercial e industrial no DF, exceto eventos que exijam licença do poder público, campeonatos esportivos e atividades culturais coletivas, como cinema, teatro, boates e casas noturnas. A limitação também valerá para as duas regiões.

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O mesmo ato determina que todos os estabelecimentos abertos devem observar protocolos e medidas de segurança recomendados pelas autoridades sanitárias. Isso inclui distância mínima de dois metros entre as pessoas e uso de equipamentos de proteção individual, especialmente máscara em vias públicas.

Conforme avalia o presidente da Fecomércio-DF, Francisco Maia, a reabertura não significa, porém, uma recuperação econômica para os empresários.

“Do ponto de vista econômico, as pessoas continuam com dificuldades. As vendas no comércio em geral estão difíceis. Então, não temos expectativas de muitas vendas por agora”, acredita.

Segundo Maia, o retorno das atividades ainda precisa ser feito com cautela e respeito às normas sanitárias.

“O comércio em Ceilândia funciona com tudo muito perto. O espaço dentro das lojas também é pequeno. Então, a situação é mais difícil”, diz. “A gente ainda quer que a população mantenha o isolamento, siga as regras. O governo está abrindo, dando um voto de confiança, mas queremos que a população não faça aglomeração”, completa.

Na prática

A lanchonete Big Lanches, na Via Leste de Ceilândia, estava funcionando apenas por delivery desde março. Nesta segunda-feira (20/7), reabriu ao público. No local, as mesas foram dispostas com distanciamento de dois metros umas das outras.

Segundo o sócio-proprietário Gláucio Pessoa, frascos com álcool em gel ficarão disponíveis nas mesas ao longo do dia e apenas uma entrada permanecerá aberta. “Vamos também deixar uma pessoa na porta para medir a temperatura dos clientes e higienizaremos os cardápios”, enumera.

De acordo com ele, o estabelecimento é bastante conhecido em Ceilândia e sempre teve grande movimento. O local começa a funcionar a partir das 10h, mas geralmente passa a reunir maior público após as 16h.

A retomada, no entanto, não deve ser como antes, acredita Gláucio. “Acho que até o fim do ano, a recuperação vai ser lenta ainda. Não devemos voltar bem como antes”, avalia.

Empresários de Ceilândia chegaram a fazer uma carreata para pedir o retorno das atividades na cidade.

Fiscalização

Ceilândia é a cidade mais populosa do DF, com quase 500 mil habitantes. Nesta segunda-feira (20/7), o Metrópoles esteve na região administrativa e flagrou vários pontos de aglomeração, ambulantes e pessoas sem máscara.

Segundo o boletim epidemiológico da Secretaria de Saúde do DF, divulgado na noite desse domingo (19/7), Ceilândia e Sol Nascente têm, juntas, 10.469 infectados pelo novo coronavírus. O número de mortos chegou a 227. É o maior entre as regiões administrativas da capital do país.

Procurada pela reportagem, a Secretaria DF Legal informou que a fiscalização em Ceilândia e Sol Nascente ocorre diariamente. Durante a noite, a ação é baseada em denúncias recebidas. Nesse domingo (19/7), três estabelecimentos foram interditados nas regiões por descumprirem as normas do pré-lockdown, estabelecido pelo Decreto nº 40.961/20.

Desde maio, Ceilândia e Sol Nascente/Pôr Sol tiveram 150 estabelecimentos interditados, 124 comércios autuados por não cumprirem as normas de funcionamento e de segurança sanitária e cerca de 65 mil vistorias foram feitas. Ainda de acordo com o DF Legal, 2 mil ambulantes foram retirados das ruas, atividade proibida pelo decreto e pela lei.

O órgão ainda acrescentou que não possui o recorte de números de autuações pelo não uso de máscara.

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Público menor

Assim como a lanchonete, a panificadora Panitella também estava funcionando apenas por delivery desde o início da pandemia. O estabelecimento reabriu as portas na manhã desta segunda-feira (20/7), mas também teve público menor do que o de costume.

“Sempre abrimos às 6h, servindo café da manhã, e fechamos às 22h. Mas, até o final da manhã de hoje, tivemos um movimento mais fraquinho”, diz a funcionária Jaqueline Agripino.

Na porta da loja, um cartaz ressalta a necessidade de máscara para entrar na panificadora. “Também deixamos uma funcionária medindo a temperatura de clientes e entregando álcool em gel”, acrescenta Jaqueline.

Ainda de acordo com a funcionária, como medida de segurança, as mesas e cadeiras do local serão higienizadas com frequência. “Depois que cada cliente terminar de comer e sair, a gente limpa tudo.”

Apesar do baixo movimento, a funcionária está otimista com o retorno das atividades do comércio. “A gente tem esperança de que vai melhorar nos próximos dias. Temos que ter fé”, afirma.

Nova realidade

Jairo Pereira é proprietário da lanchonete Vita Sucos, no centro de Ceilândia. A tradicional loja funciona há mais de 20 anos no local e, de acordo com ele, sempre teve grande fluxo de clientes.

O estabelecimento estava funcionando apenas para o público comprar o lanche e levar para casa. Nesta segunda-feira (20/7), o local reabriu as portas, mas com precauções. “Deixamos o álcool em gel disponível e não temos as mesas dispostas como era anteriormente”, diz Jairo.

De acordo com o proprietário da lanchonete, o retorno econômico, no entanto, não deve ser como antes da pandemia. “Acho que este ano é impossível retornar ao que era. Está todo mundo em crise, ninguém está saindo para gastar dinheiro”, comenta.

“O movimento aqui era muito grande. Era difícil ter um banco para sentar. Agora, não deve ser assim tão cedo”, lamenta.

Em Ceilândia Sul, a panificadora Gonçalina estava funcionando desde março apenas com vendas de lanches “para viagem”. Ao voltar à rotina de antes da pandemia, o estabelecimento vai tomar maiores cuidados de higiene.

Na entrada, álcool em gel é disponibilizado para clientes, que agora podem comer no local. “Deixamos as cadeiras alternadas e toda vez que a pessoa termina de se alimentar e levanta, nós limpamos com álcool”, assinala Eriadna Amorim, supervisora da panificadora.

Com a retomada, a expectativa dos funcionários do local é que o fluxo de clientes cresça aos poucos. “Queríamos que fosse o movimento como antes, mas sabemos que vai ser mais moderado. Esperamos que logo volte a ser como antes”, deseja Eriadna.

Para o cliente da panificadora William Régis, 40 anos, a reabertura do estabelecimento tem respeitado as normas sanitárias. “Eu já vinha aqui com frequência, mas só podia pegar e levar para casa. Vi pouca gente vindo também, mas eles estão tomando todos os cuidados. Eu me sinto mais seguro assim”, afirma o morador de Ceilândia.

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