Com aumento do consumo nas casas, falta gás de cozinha no DF

Setor afirma que problemas de infraestrutura e logística provocam atraso no reabastecimento das revendedoras durante a pandemia da Covid-19

atualizado 13/04/2020 21:51

Funcionários e consumidores em revendedoraFoto: Hugo Barreto/Metrópoles

Com boa parte dos brasilienses reclusa em casa durante a pandemia do novo coronavírus, os estoques de gás de cozinha do Distrito Federal começam a ser impactados pelo aumento da procura pelo produto. Como consequência da grande demanda, revendedoras da capital se encontram com estoques de botijões zerados.

Ao longo dessa segunda-feira (13/04), o Metrópoles consultou distribuidoras de gás por toda a capital e constatou que as elas não têm conseguido segurar os produtos no estoque.

“O pessoal está consumindo mais porque fica em casa e, como não sai para comer, acaba cozinhando. O que chega, ou já está vendido ou vende na hora”, explicou por telefone um revendedor do Cruzeiro.

Morador de Sobradinho, o servidor público André Lima, 46 anos, afirma ter procurado pelo produto, sem sucesso. “Não consegui encontrar, liguei para todos da nossa região, aqui em Sobradinho. Estamos ligando para todo mundo, procuramos até nos aplicativos”, disse.

Ao consumidor, as revendedoras afirmaram que a previsão é que mais botijões cheguem até quinta-feira (16/04). “Outros dizem que não sabem quando chegarão. Até passei nos postos de gasolina que vendem gás, mas ninguém tinha”, contou.

Quando o produto é encontrado, brasilienses enfrentam filas quilométricas para comprar gás caro, conforme noticiado pelo Metrópoles no último dia 9.

Enquanto não consegue comprar o gás de cozinha, Lima e a família têm “se virado” para cozinhar durante a quarentena. “A gente usa micro-ondas, churrasqueira e comida pronta, que é só esquentar. O problema maior é pra quem não tem essas comodidades”, finalizou o servidor.

Logística

À reportagem, o presidente do Sindicato das Empresas Transportadoras e Revendedoras de Gás Liquefeito de Petróleo do DF (Sindvargas-DF), Sérgio Vargas, confirmou o cenário crítico do setor.

“Está faltando gás, isso é fato. Estamos tendo muita dificuldade em conseguir que essas revendas sejam abastecidas”, disse.

De acordo com o representante da categoria, a falta de gás no DF é resultado de problemas de infraestrutura. “Todo o gás que abastece a Região Centro-Oeste vem do Sudeste. O gargalo logístico, hoje, é enorme. O gás que chega está sendo bombeado para Mauá (SP) e falta transporte para trazermos esse produto”, explicou.

“A estrutura que temos é pequena. São necessários mais caminhões, carretas e mais pessoas qualificadas para poder restabelecer o reabastecimento”, continuou Vargas.

Apesar da situação delicada, o presidente do Sindvargas tranquiliza a população do DF: “Não falta o produto. Três navios já chegaram no Sudeste com mais gás para a população. Dependemos da logística, nesta semana teremos um panorama mais concreto. A expectativa é que o abastecimento comece a melhorar no final desta semana”.

Em nota, a Petrobras também assegura que “não há risco de falta do produto nem qualquer necessidade de estocar botijões de GLP”.

A estatal ressaltou também que o volume total contratado em abril para importação é quase o triplo do usual importado em períodos normais.

Por fim, reconheceu que houve redução no processamento das refinarias, isso em razão de uma queda da demanda dos demais combustíveis, como gasolina, diesel e querosene de aviação. E acrescentou que a redução da produção de GLP por parte da Petrobras está sendo compensada pelas importações do produto.

Superfaturamento

Há quem se aproveite da grande demanda e da dificuldade para reabastecimento dos estoques para exercer preços abusivos na venda de botijões de gás.

Nos últimos 15 dias, o Instituto de Defesa do Consumidor do DF (Procon-DF) visitou 142 revendedoras de gás e notificou 11 por prática de preço abusivo.

Segundo o Procon, as fiscalizações começaram no fim de março, quando as denúncias de preços altos se intensificaram.

Últimas notícias