Caro e escasso: gás some das revendedoras e aumenta 42% no DF

Uma moradora de Samambaia relatou que ligou em 12 revendedoras e não encontrou o produto. Valor anterior de R$ 70 varia entre R$ 80 e R$ 100

atualizado 02/04/2020 11:31

Gás de cozinha faltaHugo Barreto/Metrópoles

Desde o início da semana, brasilienses de diversas regiões administrativas do Distrito Federal relatam dificuldades para encontrar gás de cozinha e aumento dos preços nas revendedoras por causa da pandemia do novo coronavírus.

Na manhã desta quinta-feira (02/04), o Metrópoles encontrou empresas sem estoques ou com poucos botijões para venda no Jardim Botânico, em São Sebastião, Sobradinho, Planaltina, Samambaia, Recanto das Emas, em Ceilândia e no Guará.

Em alguns locais onde o botijão de 13 quilos chega das distribuidoras, há filas e preços maiores. O custo varia de R$ 80 a R$ 100. Antes do início da quarentena, o valor girava em torno de R$ 70. O aumento é até 42,8% em relação ao maior valor praticado no mercado.

Em Samambaia Sul, o gerente da empresa San Gás, Marcos Silva, disse que o produto está sendo vendido a R$ 80. “Continua com o mesmo valor praticado antes. Porém não estamos tendo promoção nem produto. Toda a Samambaia está sem gás de cozinha. Estamos agendando pedidos para esta sexta-feira (03/04). Hoje (quinta), nós já fechamos”, disse.

A técnica de enfermagem Daniela Maria da Silva, 33 anos, mora em Samambaia. Ela conta que ligou em 12 distribuidoras na noite dessa quarta-feira (01/04) e, em nenhuma delas, tinha gás disponível. “O gás da minha sogra acabou e não achamos. Ainda nesta manhã, não conseguimos comprar. Fomos avisados de falta de abastecimento. Acredito que as pessoas, com medo de faltar, estão estocando. É errado porque prejudica quem precisa. O gás é essencial para fazer comida.”

Distribuição fracionada

Dono de uma revendedora no Jardim Botânico, que preferiu não se identificar, comentou que só havia três botijões no estoque, nesta manhã. “Devido à alta demanda, o nosso estoque chega e já acaba. Eu só tenho mais três e isso é questão de 10 minutos para acabar. Alguns clientes estão pedindo mais de um produto. Procuro orientar que, como tem pouco, estou vendendo no máximo dois por cliente. O preço é R$ 98.”

Em Sobradinho, no conjunto 16 da Avenida Central da região, a responsável por uma distribuidora de gás relatou que não tinha o produto nesta quinta-feira. “Estamos sem. O nosso valor é R$ 80. Mas, hoje, não tem. Chega todos os dias de forma fracionada”, disse.

No Guará, a gerente de uma revendedora na QE 40 também disse que o estoque está limitado. “Não estamos recebendo como antes. Ainda temos botijões para vender, mas sem previsão de reabastecimento da distribuidora. Também não temos botijões vazios retornando”, destacou.

Ao Metrópoles, o presidente do Sindicato das Empresas Transportadoras e Revendedoras de Gás Liquefeito de Petróleo do Distrito Federal (Sindvargas-DF), Sérgio Costa, confirmou a informação.

“Várias revendas estão com estoques vazios. Na verdade, o gás tem chegado nas distribuidoras engarrafadoras, mas a quantidade insuficiente para demanda. Infelizmente o consumidor ainda está antecipando a compra do gás sem necessidade”, informou. Sobre os valores mais altos, ele disse que os comerciantes têm liberdade de aplicar os valores. E faz uma ressalva: “É livre, mas repudiamos qualquer prática de preços abusivos”.

Sindgás

Por meio de nota, o Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Gás Liquefeito de Petróleo (Sindigás), esclareceu que o preço do botijão é regulado pelo mercado, sem que haja valores máximos ou mínimos fixados. Segundo a Agência Nacional do Petróleo (ANP), em fevereiro de 2020, o preço médio estava na ordem de R$ 70.

“O Sindigás ressalta que repudia toda e qualquer tentativa de prática de preços abusivos. Embora esteja de acordo com a mobilização de governos e órgãos públicos de fiscalização para coibir aqueles que buscam tirar vantagem em um momento especialmente delicado para as famílias brasileiras, o Sindigás alerta para ações que possam ter efeitos indesejados”, diz trecho da nota do sindicato.

Acionado pela reportagem, o Instituto de Defesa do Consumidor no DF (Procon-DF), informou que, até o momento, ainda não há empresa notificada sobre a venda de preços abusivos.

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