Coronavírus: em falta, gás de cozinha chega a R$ 120 no DF

Segundo sindicato, faltam botijões em cidades como Taguatinga, Ceilândia, Samambaia, Lago Sul e Lago Norte

atualizado 07/04/2020 11:52

Hugo Barreto/Metrópoles

O preço do gás de cozinha chegou a R$ 120, com a taxa de entrega, no Distrito Federal. Desde o início do isolamento social para evitar o contágio do novo coronavírus, a escalada do valor já havia sido notada. Mas ela não para. Antes da quarentena, a recarga do botijão custava R$ 70. Ou seja, agora, o brasiliense observa um aumento de 71,4% em poucas semanas.

Isso quando o consumidor consegue comprar. Afinal, o produto está em falta no Distrito Federal. E a população enfrenta filas diariamente para consegui-lo.

Ceilândia, Taguatinga, Samambaia, Recanto das Emas, Núcleo Bandeirante, Sobradinho, Lago Sul, Lago Norte e outros locais sofrem com o problema. Na segunda-feira (06/04), uma revenda do Pistão Sul recebeu mil botijões às 18h. Por volta das 23h30, tudo estava vendido.

Veja o vídeo da fila no Pistão Sul:

Logo após o início do isolamento social, o Sindicato das Empresas Transportadoras e Revendedoras de Gás Liquefeito de Petróleo do DF (Sindvargas-DF) apontou que o consumo de gás no DF havia subido 30%.

Pior: parte da população começou a estocar o produto, o que, além de não ajudar no momento de crise, é perigoso por ser um inflamável. Pelas redes sociais, as pessoas vêm postando denúncias do desabastecimento de gás.

Confira procura por gás em Ceilândia na segunda-feira (06/04):

Até a manhã desta terça-feira (07/04), com 17 novos registros, os casos de coronavírus no DF chegam a 485. O Metrópoles recebeu denúncias e reclamações da população sobre os preços praticados pelo mercado.

“As pessoas estão usando da Covid-19 para explorar produtos como o gás de cozinha e o álcool em gel”, desabafou um leitor, que comprou na segunda-feira pelo preço de R$ 120. Por questão de segurança, ele pediu para não ter o nome divulgado.

A reportagem entrou em contato com a revenda. Pelo telefone, uma pessoa que não quis se identificar argumentou que o valor de R$ 120 é com a taxa de entrega.

Segundo o funcionário, foram feitas vendas de Taguatinga para diversos pontos do DF, inclusive Lago Norte. “Meu gás é R$ 80. Você vai me pagar quanto de taxa de entrega? É combinado”, justificou.

Liberdade de preços, não de abusos

De acordo com o presidente do Sindvargas-DF, Sérgio Costa , desde 2002 vigora no Brasil o regime de liberdade de preços.

“Não há preço mínimo ou preço máximo. É claro que o sindicato repudia todo tipo de ações de preços abusivos, ainda mais neste momento”, afirmou.

Segundo Costa, o Instituto de Defesa do Consumidor do DF (Procon-DF), a Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor (Prodecon) e a Agência Nacional do Petróleo (ANP) estão monitorando o mercado e tomaram medidas para conter abusos.

Preço da crise

Por outro lado, na opinião de Costa, em função da crise, os preços estão sofrendo aumentos por conta do desabastecimento. “O preço médio do botijão é R$ 70,64. Fica entre R$ 63,99 e R$ 95”, argumentou.

Para o presidente do Sindvargas, a situação no DF só vai se normalizar quando a Petrobras retomar a produção normal de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP).

“Pedimos, mais uma vez, a conscientização do consumidor: não há necessidade de estocar. Uma família média consome um botijão médio em 42 dias. Quem estoca deixa outra família, geralmente de baixa renda, sem o produto e agrava a situação de todos”, pediu.

 

 

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