Cidades no breu: iluminação pública precária atinge o DF, do Plano Piloto a Ceilândia

O Metrópoles percorreu vários pontos em que, durante a noite, só é possível enxergar os faróis dos carros que passam pelas vias

atualizado

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VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto
EPGU
1 de 1 EPGU - Foto: VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto

Insegurança, medo, indignação e revolta. Esses são alguns dos sentimentos de quem precisa conviver, quase que diariamente, com a falta de iluminação pública no Distrito Federal. O Metrópoles percorreu vários pontos em que, durante a noite, só é possível enxergar os faróis dos carros que passam pelas vias.

Nos arredores do Estádio Mané Garrincha, a reportagem encontrou o autônomo Cleanto Araújo Ferreira, 47 anos. Ele afirmou que passa pelo local todos os dias e sempre nota a falta de iluminação. “A escuridão é um problema grave, principalmente nesta área”, reclamou.

Segundo Cleanto, a situação persiste há um bom tempo, sem solução. “Houve um período em que a iluminação funcionou por cerca de um mês, mas depois foi interrompida”, comentou. “Depois disso, o problema se estende desde a entrada do autódromo até a sede do Detran- DF e, também, do autódromo até aqui no estádio”, detalhou.

Ele conta que se sente inseguro com a escuridão e, há cerca de dois meses, quase foi assaltado no percurso que faz diariamente. “Um indivíduo saiu do meio do mato, em minha direção, mas consegui mudar de trajeto. Acho que ele só não veio atrás de mim porque, naquele momento, passou uma viatura do Detran, com o giroflex ligado, e ele recuou”, recordou o morador da Cidade Estrutural.

Desde então, a sensação de insegurança persiste. “É constante, mas não tem o que fazer. Preciso trabalhar e, consequentemente, passar por aqui. Há trechos que causam receio, mas não temos escolha, tenho que seguir em frente”, lamentou.

Fios retirados

Na W3 Norte, na altura da 714, há uma parada de ônibus que, atualmente, é iluminada somente graças a uma banca que fica atrás do ponto. Dona do estabelecimento há mais de 30 anos, Maria Celizene, 51, afirmou que o problema começou há cerca de um mês, quando teve início a obra de revitalização das calçadas.

“O pessoal que escavou tirou os fios de todos os postes, com isso, eles apagaram. Para evitar a escuridão, fomos obrigados a aumentar o consumo de energia. Tivemos essa ideia tanto para a nossa segurança quanto para ajudar quem fica na parada durante a noite”, ressaltou.

A situação causa sensação de insegurança, segundo a comerciante. “Nos sábados, por exemplo, quando estou sozinha, fecho a porta lateral e deixo apenas a da frente aberta”, disse Maria. “Eles precisam resolver isso, não dá para ficar assim”, reclamou.

No outro extremo do Plano Piloto, o aposentado Arquibaldo Fraga, 77, morador da 715 Sul, também convive com o breu, bem em frente à sua casa. Segundo ele, alguns postes pararam de funcionar, e técnicos consertaram somente alguns deles, deixando outros para trás.

“Pagamos taxa de iluminação pública todos os meses e temos que conviver com essa situação. É complicado”, desabafou. “Nunca presenciei ou soube de alguma situação de crime, muito por causa da movimentação de veículos, que é constante. Só que a escuridão traz, sim, uma certa insegurança para quem mora na região”, comentou Fraga.

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Cleanto Araújo quase foi assaltado no trecho escuro que precisa passar, todos os dias, perto do Estádio Mané Garrincha
Na parada 714 Norte, é a luz da banca da Maria Celizene que ilumina o local
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Na parada 714 Norte, é a luz da banca da Maria Celizene que ilumina o local

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Cleanto Araújo quase foi assaltado no trecho escuro que precisa passar, todos os dias, perto do Estádio Mané Garrincha
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Cleanto Araújo quase foi assaltado no trecho escuro que precisa passar, todos os dias, perto do Estádio Mané Garrincha

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Além de locais com a presença de pedestres ou moradores, a reportagem passou em pontos em que, além dos carros, só era possível perceber alguma iluminação por causa da lua, como no acesso à EPGU, para quem vem do Eixão Sul, e no Eixo W Norte, na altura da Quadra 102.

Na maior e mais populosa cidade do Distrito Federal, Ceilândia, é comum encontrar relatos de moradores se queixando da ausência total de luz em algumas quadras. Na QNM 8, em Ceilândia Norte, os postes estão frequentemente com as lâmpadas desligadas, deixando grandes bolsões desprovidos de energia elétrica.

Águas Claras e Sudoeste

O problema se repete na saída de Águas Claras, sentido Areal, onde motoristas precisam redobrar a atenção para não provocar acidentes. Na quadra residencial 102 do Sudoeste, o breu também gera preocupação em quem precisa andar a pé pela região.

No Guará 2, na Avenida Contorno, perto da entrada do Polo de Modas, a escuridão imperava na noite de sexta-feira (26/9). Como a pista tem muitas faixas de pedestres, a falta de luz gerava risco maior aos pedestres que tentavam atravessar de um lado para o outro.

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Eixo W Norte, na altura da quadra 102
A parada de ônibus da W3 Norte, na altura da 714, está às escuras
Criminosos furtaram os cabos do poste de iluminação na 715 Sul
Na EPGU, além do carros, a responsável por iluminar a via é a Lua
Arredores do Estádio Mané Garrincha
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Arredores do Estádio Mané Garrincha

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Eixo W Norte, na altura da quadra 102
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Eixo W Norte, na altura da quadra 102

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A parada de ônibus da W3 Norte, na altura da 714, está às escuras
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A parada de ônibus da W3 Norte, na altura da 714, está às escuras

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Criminosos furtaram os cabos do poste de iluminação na 715 Sul
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Criminosos furtaram os cabos do poste de iluminação na 715 Sul

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Na EPGU, além do carros, a responsável por iluminar a via é a Lua
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Na EPGU, além do carros, a responsável por iluminar a via é a Lua

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O que diz a CEB

Questionada pelo Metrópoles, a CEB IPes, responsável pela iluminação pública do DF, afirmou que os recorrentes problemas de iluminação pública registrados têm sido causados, majoritariamente, por “furtos sistemáticos de cabos e equipamentos”.

Segundo a companhia, as quadras 700 e 900, tanto na Asa Sul quanto na Asa Norte, são as mais visadas pelos criminosos especializados nesse tipo de ação.

“Esses crimes têm se disseminado de forma contumaz, afetando diretamente a prestação dos serviços e comprometendo o funcionamento regular da rede de iluminação.”

Até julho deste ano, segundo a CEB, foram furtados 57 km de cabos em todo o DF — o equivalente a 500 campos de futebol alinhados — com prejuízo estimado em R$ 1,1 milhão. No ano passado, no mesmo período, foram registrados 39 km de cabos furtados no DF, com perdas aproximadas de R$ 772 mil.

A companhia também deu respostas sobre alguns dos pontos visitados. Confira:

  • 715 Sul, fim do Eixão e entrada da EPGU: na quadra citada, os cabos, como dito acima, foram furtados, assim como luminárias foram vandalizadas. Já o fim do Eixão Sul e a entrada da EPGU têm se tornado local crítico de furto de cabos, o que compromete a prestação de serviço e a manutenção, uma vez que a manutenção da companhia não consegue acompanhar a velocidade em que os crimes são cometidos;
  • 700 e 900 Norte e W3 Norte: as falhas decorrem de furtos reiterados, o que exige que as equipes da CEB IPes atuem constantemente na reposição de cabos e luminárias. Para se ter uma ideia, somente na 714 Norte, em 2024, a CEB IPes registrou 20 ocorrências de furto. Neste ano, 15 casos de furto já foram computados em sete meses;
  • Via estádio, sentido Noroeste: após checagem, a CEB IPes não encontrou chamados nos sistemas referentes à falta de iluminação no local. Equipes serão enviadas para checar a informação de falta de iluminação pública.

 

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