Na Mira

Menina de 15 anos confessa à PCDF que forjou estupro coletivo para incriminar colegas

Por vingança, a adolescente forjou o estupro, se auto lesionou e praticou em si mesma os vestígios da violência supostamente sofrida

atualizado

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1 de 1 imagem colorida homem segurando o braço de outro homem - Foto: Shutterstock

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), por meio da 8ª Delegacia de Polícia (Estrutural), concluiu as investigações de um caso que chocou a comunidade da Estrutural. O que inicialmente havia sido registrado como estupro coletivo contra uma adolescente de 15 anos foi comprovado, após diligências minuciosas, como uma falsa denúncia, meticulosamente premeditada.

Assim que recebeu o relato, a PCDF adotou protocolos de acolhimento humanizado. A adolescente foi encaminhada ao hospital e ao Instituto Médico Legal (IML) para exames, enquanto os supostos agressores — seis adolescentes, entre 14 e 15 anos — foram identificados e levados à Delegacia da Criança e do Adolescente (DCA).

Diante da gravidade da acusação, a Justiça determinou a internação provisória de alguns dos meninos, que a garota disse ter reconhecido. No entanto, a continuidade das apurações levantou dúvidas. Um dos álibis dos jovens foi a confirmação de presença dos adolescentes no colégio durante o horário em que o crime teria ocorrido. Segundo a coordenadora da escola, todos haviam respondido à chamada na sala de aula. Câmeras de segurança reforçaram a versão.

Estupro forjado

Outro detalhe da investigação foi a análise de mensagens enviadas ao namorado da jovem, que revelou que o chip utilizado estava vinculado ao nome da mãe da própria denunciante. A reconstituição do trajeto indicado pela adolescente também não apresentou nenhuma evidência de crime.

Confrontada, a adolescente sustentou a versão por algum tempo, mas acabou confessando que inventou a história como forma de vingança. À polícia, ela alegou que era vítima de bullying por parte dos colegas acusados. A menina chegou a provocar lesões em si mesma, para dar credibilidade à denúncia.

Diante da confissão, a Polícia Civil comunicou imediatamente ao Poder Judiciário, que revogou as medidas aplicadas contra os meninos injustamente acusados. A estudante responderá por ato infracional análogo à denunciação caluniosa. “Nosso trabalho não se encerra com a primeira versão dos fatos: seguimos cada etapa com rigor técnico, proteção às partes e respeito aos direitos fundamentais”, disse a delegada-chefe da 8ª DP, Bruna Eiras.

Relembre o caso

Em 15 de setembro, a PCDF apreendeu três adolescentes, sendo um de 15 anos e dois de 14 anos, pela prática de um suposto ato infracional análogo ao crime de estupro de vulnerável contra uma menina de 15 anos. O caso havia ocorrido na Colônia Agrícola 26 de Setembro.

Segundo a denúncia à época, os menores teriam ameaçado a vítima e a coagido, com beijos forçados, na tentativa de atingir o namorado da adolescente, com quem o trio possuía inimizade. Ainda de acordo com o depoimento da falsa vítima, os adolescentes a abordaram em via pública e a conduziram para uma área remota, onde teriam abusado e obrigado a jovem a praticar sexo. Toda ação teria objetivo de afetar o namorado dela, conforme contou a jovem à PCDF.

O namorado da jovem teria recebido mensagens de texto, objetificando a vítima e narrando os atos praticados contra ela. No entanto, todo o caso não passou de um plano forjado pela garota, para incriminar os adolescentes.

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