Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
Distrito Federal

"Chorei ao sair do hospital", diz médico sobre ferido em protesto

Daniel Sabino é médico da rede pública e se compadeceu com a história de Clementino, o homem que perdeu a visão após ser atingido por tiro

18/06/2017 05:30
Reprodução/Facebook
“Chorei ao sair do hospital”, diz médico sobre ferido em protesto

Passado quase um mês desde que atos de violência marcaram um protesto na Esplanada dos Ministérios contra o governo de Michel Temer (PMDB) e as reformas da Previdência e Trabalhista, um médico que ajudou uma das pessoas que se feriu na manifestação usou as redes sociais para desabafar.

Daniel Sabino estava no protesto e viu quando o piauiense Clementino Nascimento Neto ficou ferido após ser atingido por uma bala de borracha na face. Ele resolveu acompanhá-lo até o hospital, onde mais tarde soube-se que Clementino havia perdido a visão de um dos olhos.

Receba no seu email as notícias de Metrópoles DF

Frequência de envio: Diário

Ver todas as newsletters
Sabino teve o primeiro contato com o Clementino a caminho do Hospital Regional da Asa Norte (Hran). Chegando na unidade, o médico contou ter tido a primeira surpresa negativa. “Ele (Clementino) foi avaliado, mas o médico sequer retirou o curativo improvisado para avaliar o caso. Simplesmente o encaminhou ao Hospital de Base”, disse Sabino ao Metrópoles.

Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles DF

O médico, que trabalha na rede pública, relatou ter chorado ao sair do Hran e questionou autoridades e representantes do governo, que, segundo ele, não se preocuparam com a vítima.

A vítima, segundo o médico, só foi submetida à cirurgia 10 dias depois de internada. “Ele perdeu a visão e nada trará isso de volta. Se coloca todo um discurso de ódio a favor da repressão, mas isso tem consequências na vida de quem sofre esse tipo de violência”, afirmou Daniel Sabino, que acompanhou todo o desenrolar da situação por solidariedade à vítima. A história de Clementino fez Daniel usar o Facebook para um desabafo.


Clementino Nascimento tem 35 anos. É de Goianésia (GO) e, em 24 de maio, estava em Brasília apenas para participar da manifestação. Depois da cirurgia, com ajuda de familiares voltou para a cidade natal com a mulher.

A repercussão do caso fez a Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM) anunciar que pretende organizar uma audiência pública na Câmara dos Deputados, na próxima quarta-feira (21/6).

O objetivo do encontro é discutir assuntos relacionados à repressão em manifestações. Daniel Sabino já demonstrou interesse em participar da audiência, caso ela realmente ocorra. O médico também segue monitorando a situação de Clementino.

Violência
O protesto que levou 45 mil pessoas à Esplanada dos Ministérios ocorreu no dia 24 de maio. O clima esquentou por volta das 13h40, quando um grupo de manifestantes furou o bloqueio montado pela Polícia Militar na altura do Palácio da Justiça.

“Chorei ao sair do hospital”, diz médico sobre ferido em protesto - destaque galeria
7 imagens
“Chorei ao sair do hospital”, diz médico sobre ferido em protesto - imagem 2
“Chorei ao sair do hospital”, diz médico sobre ferido em protesto - imagem 3
“Chorei ao sair do hospital”, diz médico sobre ferido em protesto - imagem 4
“Chorei ao sair do hospital”, diz médico sobre ferido em protesto - imagem 5
“Chorei ao sair do hospital”, diz médico sobre ferido em protesto - imagem 6
“Chorei ao sair do hospital”, diz médico sobre ferido em protesto - imagem 1
1 de 7

Reprodução/Vídeo
“Chorei ao sair do hospital”, diz médico sobre ferido em protesto - imagem 2
2 de 7

Michael Melo/ Metrópoles
“Chorei ao sair do hospital”, diz médico sobre ferido em protesto - imagem 3
3 de 7

Michael Melo/Metrópoles
“Chorei ao sair do hospital”, diz médico sobre ferido em protesto - imagem 4
4 de 7

Daniel Ferreira/Metrópoles
“Chorei ao sair do hospital”, diz médico sobre ferido em protesto - imagem 5
5 de 7

Rafaela Felicciano/Metrópoles
“Chorei ao sair do hospital”, diz médico sobre ferido em protesto - imagem 6
6 de 7

Michael Melo/Metrópoles
“Chorei ao sair do hospital”, diz médico sobre ferido em protesto - imagem 7
7 de 7

Daniel Ferreira/ Metrópoles

A situação fugiu do controle duas horas depois. Oito ministérios foram depredados e dois incendiados. Ao todo, 49 pessoas, entre policiais e manifestantes, ficaram feridas. A violência fez o presidente Michel Temer convocar tropas federais para ocupar o centro da capital.