Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
Distrito Federal

Celina diz que Centro Pop será transferido e detalha protocolo de internação involuntária: "Vamos enfrentar"

Medidas tomadas por Celina ocorrem após série de casos no DF envolvendo violência protagonizada por pessoas em situação de rua

12/08/2026 12:04, atualizado 12/08/2026 12:44
Breno Esaki/Metrópoles
Imagem colorida de local próximo ao centro de atendimento a pessoas em situação de rua, em Brasília

A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), afirmou que o governo já colocou em prática o protocolo para a internação involuntária de pessoas em situação de rua em casos previstos na legislação.

Segundo ela, a medida agora conta com respaldo legal e um fluxograma que define a atuação integrada das forças de segurança, da saúde e da assistência social. Ela ainda reforçou que o GDF não vai recuar da ideia de transferir o Centro Pop da Asa Sul (leia mais abaixo). “Vamos enfrentar o problema de frente.”

As medidas ocorrem em meio a uma escalada de casos de violência nos últimos dias.

De acordo com a chefe do Executivo local, um dos principais problemas enfrentados até então era a falta de um procedimento padronizado para atender às ocorrências envolvendo moradores de rua com transtornos mentais graves ou em situação de vulnerabilidade extrema.

Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles DF

“Pela primeira vez, temos lei e fluxograma. Antes, a Polícia Militar muitas vezes tinha receio de abordar, não sabia como proceder diante de casos graves. Agora, todos os órgãos sabem exatamente o que fazer”, afirmou Celina ao Metrópoles.

Segundo Celina Leão, sempre que a PMDF for chamada para uma ocorrência envolvendo pessoas nessas condições, acusadas de cometer crimes, equipes da assistência social acompanharão o atendimento.

Em caso de flagrante, o suspeito será conduzido à delegacia, onde o delegado poderá acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).

A depender da situação, o Samu terá respaldo para encaminhar a pessoa ao Hospital São Vicente de Paulo (HSVP), localizado em Taguatinga Sul, onde ela passará por criteriosa avaliação médica. Caso o laudo indique a necessidade, será submetida à internação para tratamento.

Celina destacou que o HSPV já conta com 10 leitos destinados a esse tipo de atendimento.

Centro Pop

A governadora também voltou a defender a transferência do Centro Pop, atualmente localizado na Asa Sul. Segundo ela, a mudança ocorrerá mesmo após questionamentos apresentados pelo Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT) e Tribunal de Contas do DF (TCDF).

“Recebi dois ofícios questionando essa decisão, mas vou fazer a transferência. A decisão está tomada. Se for preciso, vou judicializar. Não faz sentido manter um equipamento dessa natureza ao lado de escolas”, declarou.

Ela afirmou que o novo Centro Pop será administrado pela mesma equipe responsável pelo Hotel Social, que já possui experiência no atendimento à população em situação de rua. O espaço contará com controle de acesso, cadastro de entrada e saída e concentrará diversos serviços públicos, como oferta de refeições, banho, emissão de documentos, atendimento em saúde, assistência social e apoio para o retorno ao estado de origem.

“Nossa ideia é que seja um espelho da Casa da Mulher Brasileira, reunindo vários serviços em um único local para garantir um atendimento digno e organizado”, disse.

Segundo Celina, o governo pretende ampliar o acolhimento, mas também endurecer a atuação contra ocupações irregulares em áreas públicas. “Quem quiser receber ajuda terá toda a assistência necessária do Estado. Mas quem optar por permanecer em invasões, isso não será permitido”, afirmou.

A governadora citou operações realizadas recentemente para remover acampamentos improvisados nas quadras 700 e 900 da Asa Norte. Segundo ela, parte da população comemorou a retirada das ocupações. “Os moradores chegaram a oferecer café às equipes de trabalho. Isso mostra que a população está cansada dessa situação.”

Outra medida destacada foi o apoio ao retorno de pessoas em situação de rua aos seus estados de origem. Somente nos últimos meses, o GDF adquiriu passagens para 42 pessoas. “Mas isso vai além de comprar passagem. Às vezes é preciso providenciar banho, alimentação e documentação, porque senão as empresas de ônibus sequer permitem embarcar”, explicou.

MPDFT

As declarações da governadora ocorrem um dia após o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) questionar o Governo do Distrito Federal (GDF) sobre a decisão de transferência do Centro Pop para um novo endereço.

A decisão do Executivo local gerou alerta, porque, segundo o órgão ministerial, a medida foi adotada sem a participação ou intermediação direta da Subsecretaria de Assistência Social da Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes).

O Ministério Público concedeu um prazo de 10 dias para que a Casa Civil do GDF preste os esclarecimentos formais sobre o caso. Embora ressalte que respeita a autonomia administrativa do gestor público, o órgão reforçou que atuará rigorosamente para impedir que escolhas da gestão violem os direitos fundamentais e o princípio da vedação ao retrocesso social.

Delitos com moradores de rua

A decisão de transferência do Centro Pop ocorre em meio a vários delitos envolvendo pessoas em situação de rua. Na última sexta-feira (7/8), um zelador de um prédio na Asa Norte foi agredido a pauladas e precisou passar por cirurgia.

Além desse caso grave, na última terça-feira (11/8), um homem em situação de rua invadiu um prédio na Asa Sul e fez uma idosa de 95 anos de refém. O homem foi morto logo depois. Um outro homem na mesma condição também chegou a furtar uma conveniência, na Asa Norte (DF).

Antes, em Águas Claras, um jovem de 18 anos ficou com o rosto desfigurado após levar um soco de morador de rua.