Casal de empresários tem prisão decretada por fraude no DFTrans

Ronaldo Oliveira e Soraya Gomes são considerados foragidos por participarem do esquema que fraudou o sistema de bilhetagem do DFTrans

Rafaela Felicciano/MetrópolesRafaela Felicciano/Metrópoles

atualizado 06/05/2019 11:11

A Polícia Civil do Distrito Federal pediu a prisão preventiva de um casal de empresários envolvido com as fraudes no sistema de bilhetagem eletrônica do Transporte Urbano do Distrito Federal (DFTrans) investigadas na Operação Trickster. Os policiais apuram um esquema criminoso no qual R$ 1 bilhão teria sido desviado. Ronaldo Oliveira e Soraya Gomes da Cunha são considerados foragidos pela Coordenação de Repressão aos Crimes Contra o Consumidor, a Propriedade Imaterial e a Fraudes (Corf).

Ronaldo e a mulher são dois dos principais alvos da Trickster, que já teve o inquérito concluído e enviado à Justiça. O casal comanda cooperativas e empresas que chegaram a ter sete contratos com o GDF. Somados, apenas quatro alcançavam a cifra de R$ 36.051.890,36.  Após uma série de denúncias do Metrópoles, o Tribunal de Contas do DF (TCDF) suspendeu quatro dos convênios.

Tanto Ronaldo quanto Soraya respondem por crimes de corrupção ativa, associação criminosa e estelionato contra a administração pública. Policiais foram até a casa da família, em uma chácara em Brazlândia, ao longo das últimas três semanas para tentar cumprir as prisões. No entanto, o casal desapareceu do DF.

Pagamento de propina
A prisão do casal de empresários foi pedida pela polícia e concedida pela Justiça após os investigadores confirmarem que Ronaldo e Soraya pagavam propina para o ex-responsável pela unidade de controle de bilhetagem automática do DFTrans Harumy Tomonori. Ele foi detido em 23 de março do ano passado em mais um desdobramento da operação.

Em depoimento, Harumy confessou que, mensalmente, recebia entre R$ 10 mil e R$ 15 mil para agilizar processos, pagamentos e fazer vista-grossa diante de irregularidades e fraudes cometidas pelas empresas de Ronaldo e Soraya. Entre as falcatruas estava o fato de as empresas do casal descarregarem cartões estudantis de alunos no Entorno do DF como se fossem da rede pública de ensino do DF.

Imagens obtidas flagraram Harumy deixando umas das empresas do casal portando um envelope com o dinheiro pago em forma de propina. Durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão, os policiais encontraram um envelope semelhante na casa de Harumy com cerca de R$ 12 mil.

Suspensão de contratos
Em 18 de outubro do ano passado, o Tribunal de Contas do DF determinou a anulação de um dos procedimentos licitatórios do qual as empresas de Ronaldo de Oliveira faziam parte. Além disso, a Corte estabeleceu a instauração de processo administrativo para averiguar a conduta das empresas G.P. Silva Transporte Eireli ME, Cooperativa de Transporte – Cooperbras, Rodoeste Transporte e Turismo Ltda. – EPP e Auto Viação Vitória Ltda. ME, e, ainda, autorizou a abertura de processo à parte no Tribunal para apuração de eventual conluio entre as licitantes.

De acordo com a denúncia apresentada ao Ministério Público de Contas do Distrito Federal (MPC-DF) e que deu origem a uma representação no Tribunal de Contas local (TCDF), o Pregão Eletrônico n° 24/2016 foi colocado sob suspeita pelos conselheiros mesmo antes de vigorar.

Conforme análise da Corte, há indícios de direcionamento de licitação e formação de organização criminosa para burlar, superfaturar, fraudar e vencer licitações. O contrato, de R$ 33.834.154,20 é destinado à realização do transporte de alunos da rede pública na região de Sobradinho.

Segundo a denúncia apurada pelo tribunal, a empresa Rodoeste Transporte e Turismo LTDA. tem como sócia Ana Rosa de Oliveira, mãe de Ronaldo Oliveira, preso na ação da Coordenação de Repressão a Crimes contra o Consumidor, Propriedade Imaterial e Fraudes (Corf).

A denúncia levada ao Ministério Público de Contas aponta, ainda, que era comum a Rodoeste utilizar os ônibus da frota e seu contrato na região de Brazlândia para transportar alunos usuários do cartão estudantil. A empresa recolheria os passes dos estudantes para que fossem validados nas catracas de outros coletivos, fraudando o subsídio repassado pelo GDF.

 

 

 

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