Servidor é preso suspeito de liderar fraude bilionária no DFTrans

O esquema desviava recursos do Sistema de Bilhetagem Automática (SBA). O auditor Pedro Jorge Brasil foi preso novamente

atualizado 15/03/2018 14:03

Rafaela Felicciano/Metrópoles

Trinta e oito mandados de prisão temporária e de busca e apreensão estão sendo cumpridos nesta quinta-feira (15/3), em megaoperação da Polícia Civil e do Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT). Os alvos são integrantes de um esquema de fraudes e desvios de recursos do Sistema de Bilhetagem Automática (SBA) do DFtrans. As irregularidades podem ter causado prejuízo superior a R$ 1 bilhão aos cofres públicos.

Entre os presos, estão o auditor Pedro Jorge Brasil (foto em destaque), já na mira da PCDF na Operação Check List, e a mulher dele, Hedvane Ferreira. Os dois foram detidos em casa, no Gama. A Justiça autorizou ainda a quebra do sigilo bancário, fiscal e dos cartões de crédito do servidor. Também estão sendo presos advogados e permissionários de empresas que atuam na área rural.

O esquema funcionava desde 2014, segundo as investigações, quando o servidor estava lotado no DFtrans. O grupo descarregava os créditos de cartões de vale-transporte nos validadores de ônibus de forma sequencial e em linhas distintas. Tudo era feito com empresas de fachada e trabalhadores fantasmas.

Confira imagens da operação:

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De acordo com as investigações, o auditor, lotado desde 2014 na Subsecretaria de Fiscalização, Auditoria e Controle (Sufisa), da Secretaria de Mobilidade, seria o líder do esquema. Ele utilizava-se do cargo para vincular falsos funcionários ao recebimento de vale-transporte. Outros servidores do DFtrans o ajudavam a alimentar o sistema com as informações.

Com um contracheque de quase R$ 19 mil mensais, Brasil queria mais. As investigações apontam o desvio de até R$ 500 mil em apenas uma semana.

Pelo menos 300 policiais participam da operação. As prisões estão sendo feitas no Distrito Federal, em Valparaíso (GO), na Cidade Ocidental (GO), em João Pessoa (PB) e no Recife (PE). Há busca e apreensão na garagem da Viação Pioneira, no Gama, e em unidades do DFtrans.

Grupo estruturado
A PCDF informou que a investigação teve início há aproximadamente quatro meses. De acordo com a corporação, trata-se de uma associação estruturalmente ordenada, com clara divisão de tarefas. Um grupo é responsável por inserção de dados falsos no sistema, com inclusão de empresas inexistentes e vinculação de supostos funcionários a elas.

Outro tem a tarefa de validar a compra de créditos de vale-transporte gerados fraudulentamente para as empresas jurídicas inexistentes. Um terceiro age descarregando o crédito dos cartões. As fraudes cometidas transformavam créditos fictícios em dinheiro vivo.

Os integrantes do grupo criminoso são investigados pelos crimes de formação de quadrilha, estelionato majorado, peculato e lavagem de dinheiro.

A operação foi batizada de Trickster, em referência à forma de agir do grupo criminoso, uma vez que na mitologia e no estudo do folclore e da religião, um trickster é um Deus, Deusa, espírito, homem, mulher ou animal antropomórfico que prega peças ou desobedece regras e normas de comportamento.

A ação envolve duas delegacias da PCDF: a de Combate ao Crime Organizado, ao Crime contra a Administração pública e contra a Ordem Tributária (Cecor) e a de Repressão a Fraudes (Corf).

Check List
Pedro Jorge Brasil foi preso em outubro de 2017, na Operação Check List. Ele é suspeito de receber em apenas um ano R$ 100 mil de propina para fazer vista grossa e liberar ônibus sem fiscalização, segundo as investigações. De acordo com a Polícia Civil, quem estava regular também pagava para os auditores aumentarem o controle contra os concorrentes irregulares.

A cobrança ocorria em duas fases e era feita em dois momentos: primeiro para conseguir o selo de vistoria e, segundo, para uso nos terminais. Os fiscais cobravam de R$ 25 a R$ 35 por ônibus para deixar passar as irregularidades e não lacrar os veículos das cooperativas.

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