Câncer que vitimou Frejat já matou 219 pessoas no DF em 2020

Dados da Secretaria de Saúde mostram que 1.923 pacientes morreram de câncer na capital até setembro, sendo 219 por doença no pulmão

atualizado 29/11/2020 21:06

Reprodução/roche.com

O câncer de pulmão, causa da morte do ex-secretário de Saúde Jofran Frejat (PL), aos 83 anos, é silencioso e faz centenas de vítimas todos os anos. Segundo levantamento da Secretaria de Saúde do Distrito Federal, feito a pedido do Metrópoles, somente entre janeiro e setembro de 2020, 219 pessoas morreram em decorrência da doença. O número está em um cenário de 1.923 óbitos por cânceres em geral – ou seja, representa 11,3% do total de ocorrências de diversos tipos da enfermidade.

Se considerados os 273 dias de janeiro a setembro, quase uma vida se perdeu por dia no DF em decorrência do câncer de pulmão. Mesmo em 2020, quando as pessoas evitaram ir aos hospitais devido à pandemia do novo coronavírus, os registros são altos. O câncer de pulmão é o segundo mais comum em homens e mulheres no Brasil, quando se exclui da conta o câncer de pele não melanoma. É o primeiro em todo o mundo desde 1985, tanto em incidência quanto em mortalidade.

No caso de Frejat, ele descobriu o câncer quando fazia tratamento de um cálculo renal. Porém, a doença já estava em estágio avançado, e o ex-secretário de Saúde morreu poucos dias depois.

“O caso do dr. Frejat, felizmente, hoje é a exceção. Câncer de pulmão pode sim ser curado. No entanto, detectar precocemente é importante para o tratamento. E muitas pessoas demoram a descobrir. Para detectar, é necessário fazer uma tomografia de tórax com baixa dosagem de radiação. As pessoas que fumam e têm mais de 55 anos devem realizar esse exame uma vez por ano”, ressaltou o médico oncologista especialista em câncer de pulmão do Hospital Sírio Libanês, em Brasília Rodrigo Medeiros.

O tratamento de Alírio Neto

Ex-presidente da Câmara Legislativa, policial civil do DF e figura política importante na capital, Alírio Neto (sem partido) deixou o cargo de diretor-presidente do Departamento de Trânsito do DF (Detran), já na gestão de Ibaneis Rocha (MDB), devido a um Acidente Vascular Cerebral (AVC). Ele começou o tratamento, teve mais quatro AVCs e não descobria a causa.

Somente ao consultar um oncologista, veio a suspeita de que um câncer poderia estar causando os AVCs. Alírio fez tomografia, descobriu o câncer de pulmão, e ficou 21 dias internado. Agora, passa por imunoterapia, uma maneira de tratar a doença combatendo as células cancerígenas.

“Se não fossem os cinco AVCs que sofri, jamais descobriria o câncer a ponto de tratar. Quando fui diagnosticado, estava com o câncer no pulmão havia quatro anos e não tinha nenhum sintoma. Isso porque faço exercícios físicos todos os dias e check-ups anualmente. A doença nunca apareceu. Só com exame específico”, conta o ex-diretor do Detran-DF.

0

Alírio já estava no estágio 4 da doença, a fase mais grave, quando veio o diagnóstico. Mesmo assim, ele insistia nos exercícios e seguia todas as orientações médicas. E tem visto resultados positivos nos exames. “Com a imunoterapia, tenho me sentido bem. Meu último exame já deu inconclusivo para o câncer”, disse ao Metrópoles. Aos poucos, a vida do ex-presidente da CLDF tem voltado ao normal.

Diante desse cenário, Alírio Neto quis deixar um alerta à população do DF: “Façam os exames de pulmão. Creio que os números de mortes por câncer de pulmão são mais altos do que os divulgados, pois muitas pessoas morrem do AVC que ele pode provocar”.

Diagnóstico

O diagnóstico de câncer de pulmão é feito por meio de exames clínicos, laboratoriais ou radiológicos, em pessoas com sinais e sintomas sugestivos da doença; ou com o uso de exames periódicos, em quem não tem sinais ou sintomas (rastreamento), mas que pertençam a grupos de risco, como os tabagistas.

Os sintomas mais comuns são:

  • Tosse persistente;
  • Escarro com sangue;
  • Dor no peito;
  • Rouquidão;
  • Piora da falta de ar;
  • Perda de peso e de apetite;
  • Pneumonia recorrente ou bronquite;
  • Sentir-se cansado ou fraco.

Prevenção

As seguintes práticas contribuem para prevenção do câncer de pulmão:

  • Não fumar;
  • Evitar o tabagismo passivo;
  • Evitar a exposição a agentes químicos (como arsênico, asbesto, berílio, cromo, radônio, urânio, níquel, cádmio, cloreto de vinila e éter de clorometil), presentes em determinados ambientes de trabalho.

Últimas notícias