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Três dias após o fim da greve dos caminhoneiros, os brasilienses ainda enfrentam o desabastecimento de gás de cozinha. Os carregamentos não estão sendo suficientes para suprir a demanda. Na tarde desta segunda-feira (4/6), os estoques tinham zerado em revendedoras consultadas pelo Metrópoles no Cruzeiro, Plano Piloto, Cruzeiro, Guará, Riacho Fundo I e em Taguatinga.

E os transtornos ainda vão durar mais tempo. O presidente do Sindicato das Empresas Transportadoras e Revendedoras de Gás LP do Distrito Federal (Sindivargas-DF), Sérgio Costa, prevê a normalização do abastecimento somente no fim de semana. “Ainda não há gás suficiente. Os estoques estão muito baixos. Até esta quarta (6), esperamos que o abastecimento tenha grande melhora”, ressalta.

O governo pinta um quadro menos dramático. Diz que 30 mil botijões estão sendo entregues no Distrito Federal a cada dia, 10 mil a mais do que o consumo médio – 20 mil. E que a crise está superada, tanto é que desmobilizou nesta segunda o gabinete montado para acompanhar os desdobramentos da greve dos caminhoneiros. Mas a população ainda está enfrentando dificuldades. Nas revendedoras, são distribuídas senhas e os estoques de gás acabam rapidamente. Para o Executivo, até quarta (6), a situação estará normalizada.

O sindicato que representa as empresas de revenda de gás alerta que ainda tem gente estocando gás de cozinha. “Não há necessidade de comprar vários botijões. Quem faz isso acaba deixando outros consumidores sem o produto”, adverte.

Atravessadores
Em meio à escassez, decorrente da paralisação, atravessadores têm tentado faturar alto às custas do desespero dos consumidores, como noticiou o Metrópoles na sexta. Eles compram o produto e o oferecem por até três vezes mais do que o valor cobrado nas revendedoras. Na Feira do Guará, um deles comercializava o botijão de 13kg por R$ 180. O custo nas empresas fica entre R$ 60 e R$ 90.

 

 

Os 11 dias de greve dos caminhoneiros afetaram o abastecimento do comércio como um todo na capital. O Sindicato dos Supermercados do Distrito Federal (Sindsuper-DF) calcula que o segmento teve um prejuízo de 15% a 20% no período.

O presidente do sindicato, Antonio Tadeu Perón, diz que 70% dos mercados voltaram à rotina. “Mas ainda estamos enfrentando dificuldades com leite e derivados, pois grande parte da carga foi perdida durante a manifestação dos caminhoneiros. Ainda vamos levar em torno de 15 dias para termos o abastecimento totalmente normalizado”, afirma.

“Seguro”

Além de desabastecimento, o preço do gás está salgado. No Plano Piloto, não sai por menos de R$ 90. O governo quer reduzir o valor cobrado pela gasolina e GLP até o próximo mês, mas afirma que não haverá interferência no modelo de reajuste de preços dos combustíveis praticado pela Petrobras.

Com apelo popular, a quatro meses das eleições, a medida já é batizada como “política para o consumidor” e prevê uma espécie de “seguro” para evitar que reajustes sejam repassados totalmente à população até o fim do ano.

Com receio de que novos protestos e cobranças batam à porta do Palácio do Planalto, na esteira da greve dos caminhoneiros, o governo tenta agora impedir que novos aumentos nos preços da gasolina e do gás virem uma crise incontrolável.

O movimento dos caminhoneiros expôs a fragilidade do presidente Michel Temer (MDB) e as pressões políticas sobre a Petrobras culminaram com a saída do então presidente da companhia, Pedro Parente, substituído na sexta-feira (1º/6) por Ivan Monteiro.

O núcleo político do governo e a cúpula do MDB pressionam Temer por medidas de maior impacto para enfrentar a crise neste ano eleitoral, marcado por uma sucessão de reveses e desgastes para o presidente. Tudo está sendo planejado, porém, para evitar a leitura de que o Planalto quer intervir na Petrobras.

A crise provocou perda do valor de mercado da Petrobras de aproximadamente R$ 137 bilhões. Somente na sexta-feira (1º), antes da confirmação de Ivan Monteiro para substituir Parente, a estatal perdeu R$ 40 bilhões com a queda de suas ações. No sábado (2), a companhia aumentou o preço da gasolina em suas refinarias. O litro do combustível passou de R$ 1,9671 para R$ 2,0113. Em um mês, a alta acumulada já é de 11,29%.

Com informações da Agência Estado