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Copa do Mundo 2026Distrito Federal

Cabo Verde chega à Copa com “alma de elefante”, diz embaixada

Com pouco mais de 500 mil habitantes, arquipélago africano disputará o Mundial pela primeira vez na história

15/06/2026 04:08, atualizado 12/06/2026 22:21
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Divulgação
Cabo Verde chega à Copa com “alma de elefante”, diz embaixada

“Somos um peixe pequeno, mas com a alma de elefante.” A declaração do embaixador de Cabo Verde no Brasil, José Pedro Máximo Chantre D’Oliveira, resume o sentimento que tomou conta do arquipélago africano após a inédita classificação para a Copa do Mundo de 2026. Com pouco mais de 500 mil habitantes, o país disputará o torneio pela 1ª vez e vê na competição uma oportunidade de ganhar visibilidade internacional muito além do futebol.

“A expectativa está lá em cima. Somos um peixe pequeno, mas com a alma de elefante. É uma formiga com alma de elefante”, declarou o embaixador.

A vaga histórica foi confirmada em outubro de 2025, após a vitória por 3 x 0 sobre Essuatíni, na cidade de Praia. O resultado garantiu a liderança do Grupo D das Eliminatórias Africanas (CAF) e coroou uma campanha consistente, com apenas uma derrota em 10 partidas. No caminho, os Tubarões Azuis superaram seleções tradicionais como Camarões e Angola.

A estreia cabo-verdiana acontece nesta segunda-feira (15/6), diante da Espanha, campeã mundial em 2010. A partida está marcada para as 13h.

Apesar do desafio, o clima é de confiança. Para o embaixador, o futebol mundial vive um momento de maior equilíbrio entre as seleções, o que torna os resultados cada vez menos previsíveis.

“A expectativa é fazer um bom resultado porque o importante, há muitas décadas, eu me lembro bem, quando entravam Argentina, Brasil, Alemanha, Inglaterra ou França no campo, parece que não havia mais ninguém e hoje as 48 seleções todas vão ser dignas”, afirmou.

O diplomata acredita que a diferença entre as chamadas seleções grandes e pequenas diminuiu nos últimos anos, tornando a competição mais interessante para atletas e torcedores.

“Isto é muito importante, não só para Cabo Verde, mas para todo o desporto, para todo o futebol mundial. Cada partida vai ser uma incógnita e isso é que torna lindo”, destacou.

Segundo ele, a classificação representa um marco para um país que raramente ocupa espaço no cenário internacional e abre uma oportunidade inédita para apresentar Cabo Verde ao mundo.

“É a primeira vez que um país pouco conhecido a nível global tem essa oportunidade de se mostrar não só ao Brasil, que é de língua portuguesa, mas que até agora desconhece um bocado a realidade de Cabo Verde, mas também aos países desta região sul-americana”, disse.

Para o embaixador, estar entre as 48 seleções participantes da Copa do Mundo já é, por si só, uma conquista histórica. Na avaliação dele, o feito pertence não apenas à seleção e à Federação Cabo-Verdiana de Futebol, mas a toda a população do país.

Torcida espalhada pelo mundo

A expectativa em torno da estreia também mobiliza a diáspora cabo-verdiana espalhada por diversos países. Segundo José Pedro, os amistosos preparatórios realizados em Portugal e nos Estados Unidos já demonstraram a força da torcida fora do arquipélago.

“Nós temos essa expectativa de ter uma torcida muito boa que já está organizada e que já está há dias nesses jogos de preparação […] A torcida foi enorme presencialmente, isto também vai levar alegria a toda a nossa população que está fora do país, toda a nossa diáspora”, afirmou.

Em Brasília, no entanto, não estão previstas atividades oficiais para acompanhar a estreia da seleção. De acordo com a embaixada, a comunidade cabo-verdiana na capital federal é pequena e reúne cerca de 18 pessoas.

“Se fosse em São Paulo, Rio de Janeiro, ou no Ceará, onde a gente tem comunidades maiores. Aliás, eu penso que os nossos consulados honorários desses estados irão fazer porque a comunidade justifica”, explicou.

Segundo o embaixador, as celebrações devem ficar concentradas em estados onde a presença cabo-verdiana é mais antiga e numerosa, reunindo inclusive descendentes de segunda e terceira gerações, que poderão ver a concretização de um sonho.

Muito além do futebol

Para o embaixador, os benefícios da participação na Copa não devem se limitar aos gramados. Segundo ele, a campanha nas eliminatórias despertou um sentimento de orgulho nacional e colocou Cabo Verde em evidência internacional.

Na avaliação do diplomata, os resultados devem ser percebidos também nos campos da cultura, da economia e do turismo.

“Toda a campanha que nós fizemos para a qualificação pôs o povo na rua fervilhando de alegria porque antes não havia condições, porque ninguém nos via. Agora somos visíveis. Os resultados não virão só dentro do campo. Eles serão a nível cultural, serão a nível económico”, afirmou.

Além do reconhecimento e do impulsionamento do futebol, a presença de Cabo Verde servirá como uma alavanca para o turismo no país. Segundo a embaixada, o país recebe mais de 800 mil turistas por ano.

O arquipélago vulcânico localizado na costa oeste da África é conhecido pelas praias, paisagens naturais e pela forte influência das culturas africana e portuguesa.

“Nós somos pequenos fisicamente, mas não deve ser uma preocupação porque nós queremos ser conhecidos por aquilo que valemos para a humanidade”, disse o embaixador.

“Respeitamos as leis internacionais e as diferenças entre nós. Dentro de Cabo Verde todos nós somos diferentes, como aqui no Brasil, mas o que interessa mesmo é o respeito pela diferença para podermos andar juntos”, acrescentou.

“A nação está mais unida”

José Pedro avalia que a classificação para a Copa reforçou ainda mais um sentimento de união que, segundo ele, já faz parte da história cabo-verdiana.

“Sempre fomos uma nação, mesmo antes da independência, já tínhamos uma nação unida, vivendo em harmonia. E isto vai cimentar o que já existia. Vai tornar muito mais forte a unidade nacional”, afirmou.

Ao falar sobre a identidade do país, o diplomata destacou valores como a convivência pacífica, o respeito às diferenças e a estabilidade democrática.

Segundo ele, Cabo Verde busca ser reconhecido não pelo tamanho de seu território ou de sua população, mas pelos valores que construiu ao longo de sua história.

“Nós não estamos preocupados com a nossa dimensão física e populacional. Nós estamos preocupados com aquilo que nós temos, que é pouco, seja bom, seja um bom cidadão, para contribuir para a humanidade da melhor forma”, disse.

O embaixador também citou avanços na educação desde a independência do país, em 1975. Segundo ele, a taxa de alfabetização saltou de 35% para 97% em cinco décadas.

“Nós não estamos preocupados com a nossa dimensão física e populacional. Nós estamos preocupados com aquilo que nós temos. Esse povo não é importante saber se ele é pequeno. É importante saber o que ele faz para promover a civilidade entre os homens”, afirmou.

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