Breque dos apps: entregadores do DF fazem greve por melhorias trabalhistas

Neste sábado (25/7), profissionais de todo o país se mobilizaram. Em Brasília, o protesto reuniu a categoria em frente ao Congresso Nacional

atualizado 25/07/2020 16:27

Motoboys participam de paralização nacional em BrasíliaMATHEUS W ALVES/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

Os entregadores de aplicativos fizeram neste sábado (25/7) a segunda paralisação nacional de julho para pedir melhores condições de trabalho e remuneração.

A primeira manifestação ocorreu no dia 1º de julho e contou com adesão em vários estados brasileiros. Na época, o movimento afetou a dinâmica dos pedidos em restaurantes e nas plataformas. A exemplo ato anterior, os participantes dizem que o protesto não tem lideranças e as decisões são tomadas em grupo por meio de votações.

Segundo Abel Rodrigues do Santos, conselheiro fiscal da Associação dos Motofretistas de Aplicativos e Autônomos do Brasil em Brasília (Ambar-DF), o protesto começou às 9h, na torre digital de TV em Brasília. Os manifestantes seguiram até o Congresso Nacional.

Segundo Santos, uma nova paralisação será marcada em breve. “Quase quatro semanas se completaram desde a primeira vez que a gente parou e até agora não houve nenhuma mudança.”

Motoboys participam de paralização nacional em Brasília
A categoria espera que a demanda seja pautada na Câmara Legislativa na próxima quarta-feira (25/7)

Santos denunciou ainda que, durante a semana, alguns profissionais da área foram coagidos por empresários e plataformas a não participar da paralisação. “Teve até dono de estabelecimento fazendo páginas nas redes sociais contra os protestos e se passando por entregador”, comentou. Ele ressaltou ainda que, na primeira paralisação, o apoio popular foi o que mais ajudou nas pautas sugeridas pela categoria. “Os clientes pediram bem menos e os aplicativos sentiram a pressão da sociedade civil”, frisou.

Entenda as reivindicações

Aumento do valor por km

Com o aumento da demanda pelo serviço de entrega em meio à pandemia de Covid-19, os entregadores afirmam que o lucro dos aplicativos aumentou, mas nenhum reajuste foi repassado aos trabalhadores.

Aumento do valor mínimo

Os entregadores reivindicam o aumento no valor mínimo de entrega para que possa ser compensado o deslocamento de cada um deles, tanto de bikers quanto de motoboys.

Fim dos bloqueios por meio dos aplicativos

Segundo Santos, aplicativos rastreiam participantes de protestos e movimentos e realizam bloqueios e desligamentos da plataforma

Fim da pontuação e restrição de local pela Rappi

Para os entregadores, a pontuação força o trabalhador a longas jornadas de trabalho, pois, para conseguir mais corrida e acesso a determinadas áreas, é preciso conquistar uma pontuação mínima por semana. Ou seja, quanto mais entregas, mais pontos acumulados.

Seguro de roubo e acidente

A categoria pede segurança contra roubos e em casos de acidentes durante a jornada de trabalho. “Aconteceu inclusive de um colega nosso, de São Paulo, se acidentar fazendo entregas pela iFood e a plataforma não fazer absolutamente nada. Tivemos que fazer vaquinhas para custear os cuidados médicos necessários para ele, que não tinha condições de pagar”, detalhou. “O dinheiro esta valendo mais do que a vida”, lamentou.

Auxílio-pandemia

Distribuição de EPIs e licença remunerada em caso de doença.

Regime de Urgência

Além dessas, Abel comentou que a categoria pede que a Câmara Legislativa paute o Regime de Urgência na próxima quarta-feira (29/7). “Não estamos otimistas quanto a isso, mas precisamos que seja uma pauta discutida para que, pelo menos até o fim do ano, a gente possa ter alguma mudança significativa para os trabalhadores”, disse.

Ele conta que líderes do movimento se encontraram com o presidente da Câmara, o deputado Rodrigo Maia (DEM). “Tem propostas envolvendo os aplicativos de delivery e entregadores circulando na Câmara. Queremos que elas tenham voz e sejam colocadas em prática”, apontou. Uma delas, de Tabata Amaral (PDT), pretende estabelecer regras para a relação de apps com trabalhadores ao criar uma classe entre a CLT e o autônomo.

Motoboys participam de paralização nacional em Brasília
Melhores condições de trabalho são exigidas pela categoria
O que dizem os aplicativos

Em entrevistas ao Metrópoles feitas anteriormente, a iFood explicou que está sempre aberta ao diálogo e que todos entregadores podem entrar em contato por meio do chat disponível no próprio app iFood para Entregadores e do Portal do Entregador.

Segundo a empresa, o valor médio pago por rota é de R$ 8,46. “Este valor é calculado usando fatores como, por exemplo, a distância percorrida entre o restaurante e o cliente, além de uma taxa pela coleta do pedido no restaurante e uma taxa pela entrega ao cliente. Isso pode variar dependendo da cidade, do veículo utilizado para a entrega e dia da semana. Todos os entregadores ficam sabendo do valor por rota antes de optar por aceitar ou declinar a entrega ofertada. A empresa oferece um valor mínimo de R$ 5 por pedido, mesmo que seja para uma curta distância”, declarou em nota.

A empresa reforçou ainda que não desativa entregadores por participar de movimentos. “Apoiamos todas as formas de liberdade de expressão. Essa medida é tomada somente quando há um descumprimento dos Termos & Condições para utilização da plataforma e é válida tanto para entregadores, como para consumidores e restaurantes. É importante frisar que desativar indevidamente um entregador que atua de forma correta é ruim para o iFood.”

Já a Rappi “reconhece o direito à livre manifestação pacífica e busca continuamente o diálogo com os entregadores parceiros de forma a melhorar a experiência oferecida a eles”. Segundo nota enviada à reportagem, a empresa já oferece, desde o ano passado, seguro de vida, parcerias que possibilitam desconto na troca de óleo e na compra de rastreador de veículos, e inaugurou Rappi Points (que são bases físicas para descanso, que estão fechados devido à pandemia). Novos benefícios devem ser adicionados e comunicados em breve.

A startup comunicou ainda que “os entregadores parceiros têm total liberdade para se conectar ao aplicativo sem restrições de tempo e sem exclusividade, e que não são bloqueados em decorrência de participação em manifestações no exercício de seus direitos”.

O Uber Eats afirmou que estão disponibilizados de forma transparente para os entregadores parceiros, no próprio aplicativo, as taxas e valores correspondentes. “Não houve nenhuma diminuição nos valores pagos por entrega, que seguem sendo determinados por uma série de fatores, como a hora do pedido e distância a ser percorrida”.

De acordo com a empresa, o sistema de avaliações dos parceiros, feitos pelos usuários, é a maneira mais prática e eficaz de mensurar a qualidade do serviço que está sendo prestado. “Parceiros com sucessivas avaliações negativas podem, inclusive, ter as contas desativadas da plataforma. Parceiros que descumprem os Termos de Uso da plataforma (por exemplo, com seguidos cancelamentos injustificados, denúncias de extravio de pedidos ou tentativas de fraude) também estão sujeitos à desativação.”

Últimas notícias