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Yure Leite dos Santos tem 37 anos e sempre entendeu que era um homem. Ainda que tenha nascido biologicamente mulher, desde a infância compreende que sua mente não estava em consonância com o corpo. “Eu tinha 13 anos quando minha mãe descobriu e quis saber por que não contei. Eu disse: ‘Porque você nunca tinha perguntado’. Eu sempre soube.”

Ainda assim, havia um sonho distante que nunca tinha sido realizado: a mastectomia (retirada total dos seios). Porém, isso está prestes a mudar. Em um esforço que envolve cirurgião, terapeuta e Mara Alcamim, chef do Universal Diner e patroa de Yure, ele deve finalmente dar mais esse passo em seu processo de transição. E você pode ajudar nisso.

Nesta quinta-feira (5/12), a partir das 20h, o restaurante realiza um evento beneficente que tem como objetivo juntar dinheiro para custear o procedimento: Mara irá servir pratos e os convidados ficam à vontade para pagarem o quanto quiserem. Todo o valor arrecadado será revertido para a intervenção. De acordo com a chef, é preciso um total de R$ 6 mil. Isso porque o médico Erick Carpaneda, amigo de Mara, já garantiu que a cirurgia será gratuita; os valores serão usados para custeio de equipe clínica e anestesista.

“O Erick foi jantar no restaurante, reparou no Yure e conversou comigo. Foi quando falei com ele e soube que era o seu grande sonho”, lembra Mara. Isso foi há oito meses. Até então, o rapaz ainda não havia assumido sua transexualidade no ambiente de trabalho e se designava no feminino. Porém, ele já sabia que era um homem e tinha seu próprio nome. Então, Mara juntou seus funcionários e avisou que, a partir daquele momento, o colega de salão deles se chamava Yure.

“Só acredito quando terminar”

“Contratei para ele um plano de saúde, já que teriam muitos exames a serem feitos. Minha terapeuta começou a atendê-lo de graça e deu o aval, avisando que ele estava pronto. Agora, é juntar esse dinheiro”, completa a chef. Enquanto isso, Yure segue sem acreditar. Sabendo das dificuldades que o mercado de trabalho apresenta para os transexuais, ele sabe que tem sorte não apenas por ser bem aceito, mas por receber ajuda dos amigos que fez em seu emprego.

“Mas já disse para o médico: só acredito quando terminar. Eu não tenho condições, apesar de sempre ter tido vontade. Foi uma surpresa e só espero que dê tudo certo”, garante ele.