Bandidos se passam por pesquisadores da Saúde para clonar WhatsApp

Criminosos fingem que vão passar um código de confirmação por SMS e pedem o número, que na verdade, concede a troca de celular do perfil

atualizado 03/03/2021 22:59

Igo Estrela/Metrópoles

O golpe que ganhou notoriedade no início da pandemia de Covid-19, no qual criminosos se passavam por pesquisadores do Ministério da Saúde para coletar dados de vítimas e clonar o WhatsApp, voltou a aparecer. Aproveitando o retorno do assunto à pauta, com o crescimento dos casos da Covid-19 em todo o país e o consequente aumento do interesse da população, estelionatários fingem fazer uma pesquisa sobre o novo coronavírus enquanto tentam garantir acesso a conversas privadas de seus alvos.

O estelionato pode ocorrer tanto por ligação como diretamente pelo WhatsApp. O criminoso entra em contato, pede para confirmar algumas informações e, ao final, diz que a vítima receberá um SMS com um código que deve ser informado para finalizar a pesquisa. Esses números, no entanto, são a confirmação de que o dono da conta pretende trocar o perfil para outro aparelho.

Apesar de parecer elaborado, esse mesmo golpe vem sendo aplicado há algum tempo pelo país, mas com diferentes roupagens. “No começo do ano era a mesma coisa, mas com voucher de restaurante, agora também pode aparecer como lista para a vacina, mas o modo de operação é sempre o mesmo”, explica o coordenador de Repressão a Crimes contra o Consumidor, Ordem Tributária e Fraudes (Corf), da Polícia Civil do DF (PCDF), delegado Wisley Salomão.

A principal dica para evitar esse tipo de golpe é nunca passar qualquer informação ou códigos recebidos por SMS a quem quer que seja. O próprio Ministério da Saúde, informa que não pede dados pessoais nem doações ou transferências em dinheiro. Qualquer ligação da pasta será feita pelo número 136 ou 00136.

O que fazer?

Caso o alvo do golpe acabe caindo na lábia do criminoso, há algumas providências que precisam ser tomadas. “O estelionatário passa a ter acesso a todas as conversas e grupos, e começa a pedir pagamentos ou depósitos. O mais importante é avisar, nas redes sociais, que passou por essa situação. Isso impede que amigos e familiares façam qualquer transferência”, destaca Wisley Salomão.

Confira abaixo dicas para tentar recuperar a conta:

Já pelo lado de quem recebe a mensagem pedindo dinheiro, o ideal é confirmar de alguma outra forma que o parente ou amigo realmente precisa do depósito. “Ligue, sem ser pelo WhatsApp, para o número da pessoa. Olhe bem para quem será enviado o dinheiro, seja por Pix ou TED, e também retire a pessoa de qualquer grupo que ela esteja”, aponta Salomão.

A diretora de redação do Metrópoles, Lilian Tahan, foi alvo dos golpistas nessa quarta-feira (3/3) e fez um alerta em suas redes sociais:

Dinheiro dificilmente é recuperado

Conforme destaca o chefe da Divisão de Repressão aos Crime Cibernéticos (DRCC) da PCDF, delegado Giancarlos Zuliani, esse não é um caso isolado. “São centenas de ocorrências que recebemos. É o que mais se registra”, pontua.

Apesar de o registro ser importante para que a Polícia Civil consiga identificar os golpistas, ele avisa que é difícil alguém recuperar o dinheiro que transferiu. “A chave é não cair. Às vezes, conseguem achar a conta dessas pessoas [os golpistas] e tem R$ 5 mil para dividir entre 30 vítimas. Como que faz?”, questiona.

E se engana quem imagina que esse tipo de estelionato seja simples. De acordo com o delegado, há uma grande subdivisão de tarefas. “Tem a pessoa responsável por captar dados, tem a outra que recruta laranjas para depositar o dinheiro, outra que coordena a operação, além daquela que manda mensagem ou liga para a vítima”, detalha Giancarlos Zuliani.

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