Bandidos arrombam carro e deixam fiéis de igreja do Lago Sul em pânico

Pessoas que estavam em oração na Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro saíram correndo após escutarem barulho de vidro quebrando

atualizado 02/10/2019 11:39

Jak Spiers/Metrópoles

Em meio à onda de violência que ronda as igrejas, fiéis da Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, na QL 6/8 do Lago Sul, levaram um susto na noite de terça-feira (01/09/2019). Bandidos roubaram as rodas, quebraram o vidro de um carro e levaram a bolsa de uma mulher. Com o barulho, as pessoas que estavam em oração saíram correndo. Na pressa, um dos participantes do grupo caiu na escada e machucou o joelho.

De acordo com relato de uma jovem no Instagram, o alarme de um dos carros chegou a disparar. Em seguida, os moradores de rua que ficam perto do estacionamento viram e gritaram “Pega ladrão!”. Jânio Ferreira Silva, 32 anos, que faz parte da equipe de vigilantes do templo, disse que os criminosos não chegaram a entrar na igreja.

“Eles foram ao estacionamento, levaram as rodas do carro. Também quebraram o vidro e carregaram a bolsa de uma mulher. Com o barulho, o pessoal que estava em oração se assustou e saiu correndo. E uma das participantes do grupo caiu na escada e ralou o joelho”, afirmou Jânio, na manhã desta quarta-feira (2/10/2019).

Onda de insegurança

Ele conta que, na semana passada, houve um outro furto perto da igreja. Os bandidos levaram dois estepes de carros. Eles estavam mascarados e com luvas e conseguiram fugir.

No caso ocorrido nessa terça, uma moça entrou na igreja alegando que os ladrões estavam armados, na hora da roda de oração. Com isso, quem estava na igreja se assustou e saiu correndo. “A igreja estava lotada. As pessoas começaram a sair correndo, se jogaram no chão, achando que poderia ser algum ataque”, diz relato da jovem no Instagram.

A situação assusta especialmente após a morte do padre Casemiro, nos fundos da Paróquia Nossa Senhora da Saúde, na 702 Norte, no dia 21 de setembro deste ano.

De janeiro a agosto, foram registradas 163 ocorrências de furtos em templos religiosos no DF. No mesmo período de 2018, 150, o que representa aumento de 8,7% nesse tipo de delito. Os dados são da Secretaria de Segurança Pública do DF (SSP-DF). Segundo a Arquidiocese de Brasília, há 150 paróquias e aproximadamente 80 capelas espalhadas pelo Distrito Federal.

A algumas quadras de distância da paróquia onde o padre Casemiro foi vítima de latrocínio (roubo seguido de morte), a Igreja Nossa Senhora das Graças da Medalha Milagrosa, na 908 Norte, também acabou inserida nesta triste estatística. Furtada três vezes neste ano, o templo precisou receber novas grades, alarmes e câmeras de segurança a fim de evitar novas investidas dos bandidos.

“Na primeira vez, roubaram materiais de obra. Na segunda, pegaram uma caixa de som da igreja. Agora, há cerca de um mês mais ou menos, roubaram o sacrário. Foi então que o padre procurou a polícia, porque causa insegurança”, contou uma funcionária da paróquia, que preferiu não se identificar.

Depois da última invasão, foram instaladas grades nas janelas da igreja. “Antes, era só vidro, mas agora colocamos também, porque tem de fortalecer”, disse a mulher ao Metrópoles.

Ainda no Plano Piloto, a Paróquia Santa Rita de Cássia, na 609 Sul, foi furtada três vezes neste ano. Segundo o padre Iran Preusse, na soma dos crimes, os ladrões roubaram dois notebooks, um DVR (Digital Video Recorder – aparelho que grava imagens captadas por câmeras), um relógio, um celular e dinheiro de ofertas e da carteira do líder religioso.

“Eles entraram na minha casa e levaram o dinheiro que eu tinha recebido de uma doação para comprar o crucifixo da capela. Não lembro quanto tinha, mas também pegaram da minha carteira”, contou o sacerdote.

Antes do primeiro furto, uma funcionária do templo presenciou uma tentativa de roubo, o que impediu que o crime se concretizasse. “Depois, foi essa vez que entraram na minha casa e levaram o relógio. Na terceira vez, roubaram a doação e o que tinha na carteira. A última foi no feriado de 7 de setembro, quando levaram os computadores e o DVR da secretaria”, descreveu.

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