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Distrito Federal

Atraso de ambulâncias afetou atendimento de mais de mil pacientes no DF

Segundo relatórios do SEI, aproximadamente, mil pacientes do Iges-DF deixaram de ser transportados para atendimento por atraso de ambulância

21/06/2026 02:54
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Divulgação / Iges-DF
Ambulância - Metrópoles

Por atraso da ambulância, 1.059 remoções de pacientes foram canceladas nas unidades do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (Iges-DF), entre de janeiro e maio de 2026.

Ou seja, 1.059 pessoas doentes deixaram de ser transportadas para receber a assistência médica necessária em unidades de saúde por demora ou ausência de ambulância disponível. O mapeamento dos cancelamentos está registrado no processo do contrato do serviço no Sistema Eletrônico de Informações (SEI) do DF.

O Iges-DF contratou a empresa UTI Vida para prestação do serviço de ambulância em 2022, pelo valor inicial de R$ 37.745.565,96. O instituto prorrogou o contrato com uma série de aditivos. Os mais recentes somam aproximadamente R$ 32 milhões.

Ao longo dos anos, houve registro de uma série de falhas da empresa. Ambulâncias sucateadas e até mesmo motoristas desabalitados já foram denunciados. 

Em 2024, também por conta do atraso de uma ambulância, o bebê Enzo Gabriel, de 1 ano, morreu na UPA do Recanto das Emas, enquanto aguardava transporte para o Hospital Materno Infantil (Hmib). Na época, o Iges-DF reconheceu que houve demora “muito acima do previsto no contrato de prestação de serviço”.

O menino deu entrada na UPA com dificuldades de respirar. O diagnóstico preliminar apontou para bronquiolite, pneumonia e asma. Em seguida, o menino foi intubado e precisava ser transferido para uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI). A ambulância não chegou a tempo e a criança morreu.

Dois anos depois, os atrasos continuam, conforme mostra o detalhamento abaixo:

  • Janeiro – 209
  • Fevereiro – 112
  • Março – 189
  • Abril – 184
  • Maio – 365

Segundo o relatório mensal do contrato de abril de 2026, houve registro de atrasos significativos nas unidades de pronto atendimento (UPA) do Recanto das Emas e Planaltina. Como consequência, houve atraso em diagnósticos e cancelamentos de atendimentos assistenciais.

As falhas comprometeram diretamente a continuidade da linha de cuidado, interromperam planos terapêuticos e aumentaram o tempo de permanência dos pacientes na unidade.

No Hospital Regional de Santa Maria (HRSM), 18 pacientes perderam procedimentos agendados por atraso no serviço de ambulância. Além disso, em outro caso, a viatura não tinha um item de segurança para o transporte do usuário: um cilindro de O2.

No caso da UPA de Ceilândia II, os atrasos recorrentes levaram lentidão ao giro de leitos da unidade. Em alguns casos, internos deixaram a rede pública de saúde sem a conclusão do tratamento por conta da demora do serviço de transporte.

De acordo com o relatório de março de 2026, um paciente da UPA de Vicente Pires aguardou quatro dias para ser encaminhado para o Hospital de Base do DF (HBDF). Após o transporte e o início do tratamento, a UTI Vida removeu o paciente de volta para UPA sem aguardar a devida reavaliação e decisão da equipe médica do Base.

Serviço insatisfatório

Em 14 de janeiro de 2026, a Coordenação de Penalidades (COPEN) e a Diretoria de Atenção à Saúde (DIASE) do Iges-DF, receberam um relatório apontando falhas na prestação do serviço em dezembro de 2025.

“Foram identificadas irregularidades na execução contratual, evidenciando que o serviço não vem sendo executado de forma satisfatória, com impacto direto na adequada prestação assistencial”, destacou o documento.

No entanto, segundo o mesmo ofício, não haveria condições para a suspensão do contrato. “Em razão da natureza essencial dos serviços prestados, notadamente no contexto da assistência à saúde, não se mostra viável, no momento, o distrato contratual, até que se viabilize nova contratação que assegure a continuidade do serviço sem prejuízo assistencial”, ponderou o documento.

Em 28 de maio 2025, segundo o processo no SEI, os responsáveis pelo monitoramento do contrato processos administrativos para apuração de penalidades, referentes aos meses de março e abril.

Licitação

Diante de possíveis irregularidades, o Tribunal de Contas do DF (TCDF) suspendeu a contratação por licitação do serviço de transporte de pacientes por ambulâncias Iges-DF, nesta quarta-feira (17/6).  A licitação foi dividida em dois lotes para atender as regiões Norte e Sul do DF, com 100 ambulâncias. O valor inicial global foi de R$ 101 milhões.

A decisão da Corte vem logo depois do Iges-DF desqualificar a empresa vencedora da licitação e chamar a segunda colocada pagando R$ 10 milhões a mais, mesmo durante o determinação de suspensão liminar.

Apesar das falhas na prestação de serviço, a UTI Vida foi habilitada a participar do certame, ficando em quarto lugar, após apresentar um lance R$ 20 milhões mais alto do que a primeira colocada.

Outro lado

O Metrópoles entrou em contato com o Iges-DF e a UTI Vida, mas não houve resposta até a última atualização da reportagem. O espaço segue aberto para eventuais manifestações.

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