Ataques a ônibus no DF: passageiros e motoristas relatam clima de medo
Ataques ocorreram na noite de quinta-feira (15/1), quando 57 veículos da Urbi Mobilidade Urbana foram depredados em várias regiões do DF
atualizado
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O começo do dia de motoristas e passageiros do transporte público do Distrito Federal foi marcado por medo, apreensão e incerteza após 57 ônibus da empresa Urbi Mobilidade Urbana serem depredados em uma sequência de ataques na noite dessa quinta-feira (15/1). Ao Metrópoles, usuários e trabalhadores relataram insegurança ao sair de casa e seguir a rotina.
Os ataques ocorreram em diferentes regiões do DF, entre elas Taguatinga, Recanto das Emas, Ceilândia e Samambaia. Ainda sem informações oficiais sobre a motivação das ações, motoristas afirmaram trabalhar sob tensão.
“A gente fica com muito medo. Às vezes o vidro está aberto e, se uma pedra ou uma biloca de estilingue acerta o olho, pode causar algo grave”, relatou um motorista.
Apesar do receio, os profissionais seguiram em atividade nesta sexta-feira (16/1), mesmo sem garantias de que novos ataques não ocorram.
“A gente tem que trabalhar. Ficamos com medo, mas não tem muito o que fazer”, completou.
Entenda os ataques
- 57 ônibus da empresa Urbi Mobilidade Urbana foram atacados na noite dessa quinta-feira (15/1);
- O ataque orquestrado aconteceu em diferentes regiões do Distrito Federal, como Taguatinga, Recantos das Emas, Ceilândia e Samambaia;
- Os rodoviários foram às unidades policiais fazer boletim de ocorrência depois que os veículos sofreram ataques com pedras, bolinhas de gude e outros objetos;
- Sete pessoas entre passageiros e profissionais tiveram ferimentos leves com os ataques;
- Informações preliminares indicam que o ataque articulado pode ter sido represália por causa da demissão de alguns rodoviários da empresa Urbi Mobilidade Urbana nesta semana;
- A empresa diz que não houve demissão em massa e apenas três funcionários foram desligados;
- Até o momento, ninguém foi preso. A Polícia Civil do DF investiga o caso.
Um dos profissionais contou que soube dos episódios por meio de grupos internos da categoria. Ele pontua que o ataque foi direcionado e coordenado.
“Em Samambaia, passou um ônibus de outra empresa e nada aconteceu. O seguinte, que era da Urbi, foi atingido por um estilingue”, afirmou.
Apesar do clima de preocupação, outro motorista diz confiar nas medidas adotadas pela empresa.
“A gente não está com receio porque estamos sendo monitorados, e a empresa já divulgou uma nota repudiando o ato”.
Falta de segurança
Do lado dos passageiros, o sentimento predominante também é de insegurança. Uma mulher, que preferiu não se identificar, contou que presenciou um dos ataques no Recanto das Emas.
“Jogaram alguma coisa e a janela explodiu inteira. Eu procurei pra ver se era pedra, mas não era pedra, tenho quase certeza que era uma biloca [bola de gude]. Logo mais a frente tinham dois ônibus com o vidro quebrado da mesma maneira”, relatou.
“Fiquei preocupada de se repetir, mas pela manhã, acredito que nenhum ônibus sofreu ataque novamente. Acredito que quem fez isso, vá fazer novamente, só que à noite”, afirmou.
A dona de casa Mariana Silva afirmou que a sensação de insegurança se estendeu para o dia seguinte. “A gente fica com medo porque sai de casa e não sabe se vai voltar, que pode acontecer alguma coisa com a gente, né? Você tem que pedir proteção pra Deus”, afirmou.
Já o pedreiro Marcos Ferreira disse que os ataques geram um “sentimento muito ruim” na população.
“A gente sai de casa, não sabe se volta porque aí é apedrejado, né? É triste. É muito complicado. Ainda mais na capital federal, tem que ter mais um pouco de segurança, né?”.
Marcos pede também que cobradores e motoristas sejam mais respeitados pelos passageiros para que esse tipo de coisa não volte a acontecter.
Pessoas ficaram feridas
A Urbi Mobilidade Urbana confirmou que a frota operante nesta sexta-feira (16/1) está reduzida em virtude dos ataques simultâneos realizados na noite da última quinta-feira (15/1). Ao todo, dos 57 ônibus disponíveis, 47 deles foram recuperados e 10 tiveram de ficar na garagem da empresa.
Segundo a Urbi, além dos veículos danificados, sete pessoas ficaram feridas com os ataques. Três são passageiros que estavam nos ônibus. Os rodoviários foram às unidades policiais das regiões fazer boletim de ocorrência depois que os veículos foram atacados.
“Após esforços intensivos das equipes, a operação nesta manhã segue em funcionamento, com o mínimo de impacto possível aos passageiros. A Urbi reafirma seu compromisso com a segurança dos passageiros, de seus integrantes e da comunidade, bem como com a continuidade do transporte público com responsabilidade e respeito à vida”, explicou a empresa em nota.
Demissões e represália
Segundo o presidente do Sindicato de Rodoviários do Distrito Federal, João Dão, não se sustenta a suspeita de que os ataques estejam relacionados às recentes demissões promovidas pela empresa Urbi.
“Para nós, foram duas ou três demissões. A empresa fez uma redução no quadro de cargos de confiança, que não envolvem motoristas, cobradores ou trabalhadores da manutenção”, explicou.
Apesar da declaração do presidente, informações preliminares indicam que o ataque articulado pode ter sido uma represália por conta da demissão de alguns rodoviários da empresa Urbi Mobilidade Urbana nesta semana.
Uma dessas pessoas seria ligada a um ex-diretor do Sindicato dos Rodoviários e que atualmente atua como oposição da entidade.
Em nota, a Urbi esclareceu que a informação sobre a demissão não procede também. “Na última sexta-feira (09/01), foram registradas 3 demissões, dentro dos processos regulares de gestão”, explicou.

















