Asfalto próximo à fazenda de Liliane se desmancha 4 meses após obra
Trecho da GO-425 inaugurado em agosto apresenta falhas. Empresa E.H.L recebeu R$ 14,4 milhões pela obra
atualizado
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Inaugurado há apenas quatro meses, um trecho de 12km de asfalto na rodovia GO-425 começa a se desmanchar. A pista é a mesma que leva à fazenda da deputada Liliane Roriz (PTB) e foi construída pela Eletro Hidro Ltda. (E.H.L) ao custo de R$ 14,4 milhões. A empresa foi a responsável por levar um braço de 1,5km de asfalto dentro da propriedade da distrital.
O Metrópoles esteve no local na quarta-feira (6/12) e registrou um grande buraco na pista sobre uma das pontes que cruza a via. O defeito está localizado no começo da bifurcação entre a GO-425 e a Rodovia Lucena Roriz.
A poucos metros dali, estava instalada a placa de inauguração da obra, que foi retirada, recentemente, após a série de matérias publicadas sobre o caso do asfalto feito na propriedade da deputada. O rancho de Liliane Roriz está a 2,3km da ponte.
Após denúncia do Metrópoles, a E.H.L informou que o reparo na pista foi realizado, conforme foto publicada na galeria abaixo. Procurada pela reportagem, a Agência Goiana de Transportes e Obras (Agetop), que pagou pela obra, não se pronunciou sobre o assunto.
Especialista condena asfalto “meleca”
Professor de engenharia civil da Universidade de Brasília (UnB) e presidente da Infrasolo, empresa especializada em patologia de edificações, Dickran Berberian condena a falta de seriedade em muitas obras de pavimentação do país.
“A vida útil de um solo é de 10 a 20 anos. Mas quando há obras mal feitas, a água pode infiltrar na pavimentação. Isso de o solo desfazer rapidamente ocorre com o que chamamos tecnicamente de asfalto ‘meleca’. Em vez de 15cm de revestimento, usa-se 3cm. Também troca-se 30cm de camada (recomendável para a sub-base) por 20cm, e por aí vai”, diz.
O especialista ressalta que a vida útil de um asfalto é calculada por fatores que envolvem a quantidade e o peso dos veículos que trafegam no local. Ainda assim, destaca que reparos não devem ser feitos em períodos de chuva. “Retoques precisam ser realizados na época de seca, mas não é comum ter desgaste tão rápido.”
Temos excelente base asfáltica, técnicos e pavimentações, mas péssimos políticos.
Dickran Berberian, professor de engenharia civil da UnB e presidente da Infrasolo
Contatos políticos
A Eletro Hidro Ltda. coleciona problemas nas obras que executa Brasil afora. Em 2016, o proprietário da empresa, Wilmar Oliveira de Bastos, foi preso pela Polícia Federal, acusado de integrar uma organização criminosa que fraudava licitações de terraplanagem e pavimentação em Tocantins. Ele e outras 20 pessoas também detidas na Operação Ápia podem ter causado prejuízos superiores a R$ 1 bilhão.
Todas as empresas de Wilmar Bastos têm sede em Tocantins. Conhecido como “Chatão”, ele é responsável por grandes obras no estado. Entre elas, a da alça viária Norte-Sul, em Palmas, que ficou paralisada pelas investigações da Operação Ápia.
“Chatão” circula com desenvoltura no meio político e no ramo das empresas de terraplanagem e pavimentação asfáltica. É velho conhecido de Sandoval Cardoso (SD), ex-governador de Tocantins e preso na Operação Ápia. Também tem bom trânsito com o atual chefe do Executivo do estado, Marcelo Miranda (PMDB). Ele costumava dar as caras em Brasília e já posou para fotos ao lado da senadora Kátia Abreu (PMDB-TO), ex-ministra da Agricultura.
Wilmar Bastos também foi agraciado com a medalha de Ordem do Mérito Industrial de Tocantins, pela Federação das Indústrias do Estado do Tocantins (Fieto). A condecoração ocorreu em 2015.










