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Distrito Federal

Às vésperas de ser desativado, Lixão da Estrutural recebe casamento

O casal decidiu fazer a cerimônia no local onde se conheceu, há pouco menos de um ano. União foi oficializada na tarde desta quinta-feira

18/01/2018 20:57, atualizado 18/01/2018 23:36
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Michael Melo/Metrópoles
Às vésperas de ser desativado, Lixão da Estrutural recebe casamento

A dois dias de ser fechado, o Lixão da Estrutural foi palco de um evento inusitado: um casamento. Os catadores Valdineide dos Santos Ferreira, 62 anos, e Deoclides Nascimento Brito, 38, escolheram o local onde se conheceram, há quase um ano, para celebrar a união. Contaram com a bênção de um pastor e a presença de familiares e amigos.

Nem o mau cheiro dos resíduos nem os mosquitos intimidaram o casal, determinado a celebrar ali, entre o lixo, o amor que os uniu. Por volta das 19h30 desta quinta-feira (18/1), os noivos trocaram juras e votos, aceitando-se como marido e mulher.

Valdineide e Deoclides lutam diariamente contra o preconceito de ganhar a vida recolhendo materiais no maior lixão da América Latina, mas têm a convicção de que o amor superará também a discriminação pela diferença de idade. “Não é fácil, não”, admite o marido. Para Valdineide, a data é ainda mais especial: “Eu já fui deixada na porta da igreja. Desta vez, meu noivo me esperava”.

Veja imagens da celebração: 

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"Ele trabalhava em um caminhão, carregando material. Eu disse para uma amiga: 'Olha que rapaz bonito'", conta Valdineide sobre a primeira vez que viu o esposo
A união contou com a bênção de um pastor
O altar foi improvisado entre o lixo por profissionais da Administração da Estrutural
Valdineide e Deoclides disseram "sim" por volta das 19h30 de 18 de janeiro de 2018
Os dois já moram juntos, mas decidiram oficializar a união onde se conheceram
Valdineide e Deoclides se conheceram no Lixão da Estrutural, em 2017
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Valdineide e Deoclides se conheceram no Lixão da Estrutural, em 2017

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"Ele trabalhava em um caminhão, carregando material. Eu disse para uma amiga: 'Olha que rapaz bonito'", conta Valdineide sobre a primeira vez que viu o esposo
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"Ele trabalhava em um caminhão, carregando material. Eu disse para uma amiga: 'Olha que rapaz bonito'", conta Valdineide sobre a primeira vez que viu o esposo

MICHAEL MELO/METRÓPOLES
A união contou com a bênção de um pastor
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A união contou com a bênção de um pastor

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O altar foi improvisado entre o lixo por profissionais da Administração da Estrutural
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O altar foi improvisado entre o lixo por profissionais da Administração da Estrutural

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Valdineide e Deoclides disseram "sim" por volta das 19h30 de 18 de janeiro de 2018
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Valdineide e Deoclides disseram "sim" por volta das 19h30 de 18 de janeiro de 2018

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Os dois já moram juntos, mas decidiram oficializar a união onde se conheceram
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Os dois já moram juntos, mas decidiram oficializar a união onde se conheceram

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Os recém-casados moram na Estrutural, perto do lixão
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Os recém-casados moram na Estrutural, perto do lixão

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O casal, no entanto, ainda tem dúvida do que fará após o fechamento da unidade. "Agora, qual vida vai começar para nós, a gente não sabe", afirma Valdineide
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O casal, no entanto, ainda tem dúvida do que fará após o fechamento da unidade. "Agora, qual vida vai começar para nós, a gente não sabe", afirma Valdineide

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"O lixão faz parte da vida da gente e de todo mundo que trabalhou aqui", confessa a catadora
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"O lixão faz parte da vida da gente e de todo mundo que trabalhou aqui", confessa a catadora

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Apoio dos amigos
O sonho de Valdineide se tornou realidade com a ajuda de servidores da Administração Regional da Estrutural. Cerca de 20 profissionais se mobilizaram para alugar os itens que ornaram o altar improvisado. “Cada um foi pegando uma coisinha. Nós conseguimos uma parceria em um salão, para ela se produzir também”, detalha a chefe do Núcleo de Informática da pasta, Eulete Magalhães de Souza, 35 anos.

Para a noiva, conhecida como Baiana, o segundo maior lixão a céu aberto do mundo foi a fonte de renda dela por mais de quatro décadas. Apesar de ser um dia de felicidade, Valdineide vislumbra o desafio de levar a vida fora do aterro. Segundo a catadora, os cinco galpões que devem ser ocupados por cooperativas de trabalhadores, para tocar a separação do material descartado pelos brasilienses, não são suficientes. “Não cabe todo mundo”, resume.

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