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Distrito Federal

As reações sobre a falta de negros em festival de música negra: "Sem noção"

Evento no âmbito do Festival de Música Negra, do DF, contou com dezenas de atrações, mas pouquíssimos artistas negros, revoltando o público

Willian Matos28/04/2026 02:59, atualizado 27/04/2026 21:16
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Divulgação/Festival Melodya
As reações sobre a falta de negros em festival de música negra: “Sem noção”

“Sem noção”, “piada de mau gosto” e “falta de respeito”. Foi assim que o público classificou a seleção de artistas do Festival Melodya, evento que integrou o Festival de Música Negra, realizado nesse fim de semana no Distrito Federal. O Melodya contou com pouquíssimas pessoas negras na lista de atrações, o que revoltou os espectadores.

O Festival Melodya foi realizado nos dias 24, 25 e 26, na Praça da Bíblia, em Ceilândia (DF). Como mostram as imagens, o evento contou com artistas de renome nacional, como as cantoras Melody e Paula Guilherme, os MCs Jhey e Matheuzim, o DJ Lucas Beat, entre outros.

As imagens geraram revolta em parte do público, que logo notou a ausência de artistas negros. “Fiquei esperando anunciarem os negros da quebrada. Cadê?”, perguntou uma seguidora. “Não tem uma pessoa negra no line-up”, apontou outra jovem. “Sem noção demais”, classificou um rapaz.

“Festival de música negra sem artistas negros?!”; “Nenhum negro no Festival de Música Negra?”; “Piada de mau gosto e falta de respeito”, escreveram os seguidores em uma postagem de divulgação do Festival Melodya.

Os comentários foram registrados na postagem de uma influenciadora negra do DF que divulgou o evento. Os perfis oficiais do Festival Melodya e do Festival de Música Negra bloquearam a opção de responder os posts.

Confira as imagens de divulgação e os comentários:

As reações sobre a falta de negros em festival de música negra: “Sem noção” - destaque galeria
5 imagens
Festival Melodya foi realizado dentro do Festival de Música Negra, com nomes como Melody e DJ Lucas Beat
Projeto como um todo recebeu R$ 700 mil da Lei Aldir Blanc
População ficou revoltada com a ausência de artistas negros locais
Comentários em post sobre o Festival Melodya
Evento ocorreu entre 24 e 26 de maio, na Praça da Bíblia
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Evento ocorreu entre 24 e 26 de maio, na Praça da Bíblia

Divulgação/Festival Melodya
Festival Melodya foi realizado dentro do Festival de Música Negra, com nomes como Melody e DJ Lucas Beat
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Festival Melodya foi realizado dentro do Festival de Música Negra, com nomes como Melody e DJ Lucas Beat

Divulgação/Festival Melodya
Projeto como um todo recebeu R$ 700 mil da Lei Aldir Blanc
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Projeto como um todo recebeu R$ 700 mil da Lei Aldir Blanc

Divulgação/Festival Melodya
População ficou revoltada com a ausência de artistas negros locais
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População ficou revoltada com a ausência de artistas negros locais

Divulgação/Festival Melodya
Comentários em post sobre o Festival Melodya
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Comentários em post sobre o Festival Melodya

Divulgação/Festival Melodya

R$ 700 mil de fomento

O Festival de Música Negra, que está em sua terceira edição, é organizado pela Associação Brasiliense e Promoção à Cultura, Diversidade e Formação do DF (ABC-DF). O projeto recebeu R$ 700 mil de fomento por parte da Política Nacional Aldir Blanc (Pnab).

Criada em 2022 pelo governo federal, a Pnab repassa recursos aos estados e ao DF para fomentar o setor cultural do país. O Ministério da Cultura é responsável por gerir a iniciativa.

Em maio de 2025, o Festival de Música Negra apareceu como selecionado/habilitado na lista final do Edital da Pnab daquele ano. O projeto foi aprovado dentro do escopo “Festivais e mostras locais de música exclusivos para pessoas negras”.

“Muito contraditório”

A produtora cultural May, que encabeça projetos de música negra na capital, considera “muito contraditório” o Festival Melodya não contar com artistas negros em sua maioria. “É muito contraditório ver um festival que se propõe a celebrar a música negra e não ter artistas negros na line. Isso não é detalhe nem falha de curadoria, é um reflexo de algo que já é comum em Brasília”, opina.

“Enquanto alguns conseguem lucrar usando a cultura negra como tema, quem realmente constrói e sustenta essa cultura segue sem espaço, sem visibilidade e sem acesso aos mesmos recursos”, reflete a profissional. May é produtora de projetos como SintoSoul, AfroKinda e Black Beats DF.

“Cultura negra não é tendência. É vivência, história e resistência. E ignorar os próprios protagonistas não parece falta de opção, parece escolha”, acredita. “Se a proposta é falar de música negra, o mínimo é coerência. Representatividade não é favor, é responsabilidade.”

Outro lado

O Metrópoles procurou a Associação Brasiliense e Promoção à Cultura, Diversidade e Formação do DF (ABC-DF), instituição que elabora o Festival de Música Negra.

A produção executiva do órgão informou que possuía muito espaço vago na grade de programação e não dispunha de recursos financeiros para contratar artistas locais. Firmou-se, então, uma parceria com uma produtora de fora do DF que cuida da carreira dos artistas exibidos anteriormente na reportagem. O Festival Melodya, portanto, teria nascido dessa parceria.

A produção executiva frisou ainda que, na grade do Festival de Música Negra, seis grupos de artistas negros se apresentaram. “Tivemos uma seleção de artistas negros e negras da cidade: DJ Chokolaty, Saphira (filha do DJ Jamaika), Makéna, Canto das Pretas, Samba da Guariba e Café com Samba”, ressaltou.

A ABC-DF não informou qual a produtora que firmou parceria com a entidade e trouxe os artistas de fora.

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