Após ser deposto, Alfredo Stroessner viveu em Brasília por 17 anos
Ditador Paraguaio recebeu asilo político no Brasil após ser deposto da presidência do Paraguai em 1989 e viveu em uma mansão no Lago Sul

Alfredo Stroessner, ditador paraguaio que morreu em 2006 em Brasília, viveu por 17 anos na capital federal após ser deposto. Ao longo de 35 anos, Stroessner foi presidente do Paraguai. No período que ficou conhecido como “El Stronato” o país viu milhares de violações de diretos, mortes e perseguições de opositores. O poder do ditador foi obtido por meio de um golpe de Estado em 4 de maio de 1954, enquanto Stroessner era comandante chefe das Forças Armadas daquele país.
Em 1989, Stroessner foi deposto e teve que fugir do Paraguai. O ditador recebeu asilo político no Brasil. Inicialmente, ele viveu alguns meses em uma casa de praia em Guaratuba, no Paraná, passou um curto período em São Paulo e depois mudou-se para Brasília, onde encontrou a tranquilidade que buscava em uma mansão à beira do Lago Paranoá.
Em Brasília, Stroessener viveu por 17 anos em uma casa no Lago Sul, inicialmente na QI 9 e depois na QL 12. O ditador paraguaio manteve a vida discreta, longe do debate político público. Não participava de reuniões e pouco recebia visitas. Ele era frequentemente visto em igrejas da região e tomando sol no quintal da mansão em que morava.
Na época, dizia-se ainda que ele gostava de assistir Show da Xuxa, mas a ex-nora dele afirmou que, de fato, quem assistia ao programa eram os seguranças do ditador.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles DFStroessner morreu aos 93 anos, em hospital particular de Brasília, pesando 45 quilos. Ele sofreu complicações após cirurgia e passou quase um mês internado em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) antes de morrer.
Ele foi enterrado no cemitério Campo da Esperança, da Asa Sul. Sobre o caixão, uma bandeira do Paraguai e uma do Partido Colorado, sigla política conservadora e nacionalista, responsável por manter o regime ditatorial naquele país.
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Crimes de Stroessner
Conforme os registros obtidos pela Comissão da Verdade do Paraguai, mais de 120 mil pessoas foram vítimas das violações de Direitos Humanos cometidas ao longo do governo de Stroessner. No total, 19.862 pessoas foram presas, 18.772 torturadas, 236 criaças e adolescentes foram privados de liberdade. Além disso, o ditador era conhecido por realizar festas com meninas e foi acusado de estupro por muitas vítimas, algumas das quais se manifestaram publicamente para denunciar.
As evidências foram localizadas em 1992, quando Martín Almada, um ativista dos Direitos Humanos e vítima do Stronato encontrou documentos que foram chamados de “Arquivo do Terror”.
Nesse material, foram detalhados os crimes cometidos durante a gestão de Stroessner – e com o conhecimento do então presidente –, seguindo a Operação Condor, que reuniu ditadores da América Latina em ação secreta contra opositores políticos.
Em 2019, restos mortais e ossos foram encontrados em um imóvel que havia sido abandonado no fim da ditadura, conhecido como “A casa de Stroessner” ou “A casa do horror”, em Ciudad del Este.
Stroessner também foi investigado por corrupção. Em 2002 a Justiça do Paraguai emitiu mandados de prisão contra o ditador e pediu a extradição dele, no entanto o pedido não avançou porque, no Brasil, ele vivia como asilado político.
Herança
O espólio de Alfredo Stroessner está em disputa em uma ação que tramita na Justiça do Distrito Federal. Após um teste de DNA realizado com o crânio e outras partes do corpo do ditador que foi exumado em 2021, Enrique Alfredo Fleitas provou o vínculo sanguíneo com o ditador e agora busca localizar os bens do ex-presidente Paraguaio para concluir o inventário e a divisão de bens.




