Após quatro anos, Clube Primavera de Taguatinga será recuperado

Terracap abre licitação mencionada pela primeira vez em 2015. Porém, destino do ex-point glamouroso da cidade continua incerto

atualizado 22/10/2019 9:28

Divulgação

“A Agência de Desenvolvimento do Distrito Federal (Terracap) vai abrir licitação pública para a elaboração de um plano de recuperação de áreas degradadas ou alteradas para a área do antigo Clube Primavera, em Taguatinga. O diagnóstico, que deve ficar pronto até março de 2016, mostrará quais ações devem ser tomadas para recuperar a vegetação nativa e proteger a Área de Preservação Permanente (APP) que integra o terreno de 37.592,62 metros quadrados”.

Reparou a data de entrega prevista do “diagnóstico”? A matéria acima foi escrita pelo Metrópoles há quatro anos. Foi preciso este tempo para chegar à publicação, nesta segunda-feira (21/10/2019), no Diário Oficial do Distro Federal (DODF), da abertura de licitação por parte da proprietária do terreno, a Terracap.

O edital da licitação prevê um tempo de execução de 45 dias após assinatura da ordem de serviço. Ela abarca a preparação do solo e o plantio, e o monitoramento florestal da área por dois anos. As interessadas têm até 14 de novembro para enviar as candidaturas e as propostas de preço. O menor valor levará a tarefa.

Confira o edital no DODF:

 

“Point” de Taguatinga

A concessão do uso da terra para a construção do clube ocorreu no fim da década de 1970. E o Primavera, com seus títulos caros e bastante procurados, virou o “point” da Taguatinga. A festa de carnaval, por exemplo, atraía até moradores do Plano Piloto.

As operações pararam nos anos 1990. A Terracap retomou a propriedade que, aos poucos virou campo de ruínas, piscinas vazias, construções servindo de abrigo para moradores de rua, mato tomando conta da área do tamanho de cinco campos de futebol.

Em 2015, o terreno foi utilizado pelo próprio GDF para abrigar integrantes do Movimento Resistência Popular (MRP), depois que eles saíram do Hotel Saint Peter, na Asa Norte. Os cerca de 80 sem-teto ficaram na área por 30 dias. Membros do movimento reapareceram no fim do governo Rollemberg, ocupando a Secretaria Adjunta de Desenvolvimento Social por cerca de três horas, em setembro de 2018.

Em 21 de março deste ano, uma audiência pública foi realizada pela Câmara Legislativa no Colégio Anchieta, na QSC 19. No evento, os moradores da região cobraram infraestrutura por parte do Poder Público.

Na ocasião, o coordenador da Regional de Ensino de Taguatinga, Juscelino Carvalho, propôs que a Terracap ceda o espaço onde ficava o clube, hoje disputado pela construção civil. “Nosso intuito é transformar o local numa Escola Parque”, disse.

Sem oposição

O diretor técnico da Terracap, Carlos Leal, respondeu que, a princípio, a companhia não teria motivos para se opor. Entretanto, é necessário submeter a solicitação ao Instituto Brasília Ambiental (Ibram) para que o órgão possa autorizar a cessão. As instalações do antigo clube ficam na Área de Relevante Interesse Ecológico JK. Com perímetro de 2,3 mil hectares, o local é integrado por partes de Taguatinga, Ceilândia e Samambaia.

Na foto aérea que acompanha o edital de licitação atual (veja abaixo), é visível a grande área verde que constitui, hoje, o Primavera. As edificações foram demolidas pela Novacap, o terreno limpo e 4.750 mudas obtidas por convênio com a Fundação de Amparo ao Trabalhador Preso (Funap) foram plantadas na parte sul.

Reprodução
Área do Clube Primavera, em Taguatinga

A Terracap informou que foi contratado, em 2015, o estudo para elaborar o Plano de Recuperação de Áreas Degradadas (Contrato  nº 64/2015), não havendo qualquer empecilho na contratação ou na execução do serviço. Este foi aprovado pelo IBRAM, em 2017, e então foram contratados os serviços de demolição, que antecederam a recuperação da área (Contrato nº 33/2017).

O Edital nº 16/2019, publicado no DODF, nesta segunda-feira, irá contratar serviços complementares àqueles já contratados anteriormente e, então, será executada a recuperação propriamente dita.

Na licitação atualmente aberta, estão previstos serviços de preparo de solo, plantio de mudas e semeadura de espécies nativas para que a área volte a apresentar algumas de suas importantes características ecológicas. Também faz parte da atual licitação o monitoramento das mudas e sementes plantadas por dois anos, para garantir o sucesso do plantio.

Dessa forma, fica claro que cada uma das licitações já realizadas para o Clube Primavera atendeu a uma etapa diferente, necessária para a recuperação da área. Por fim, ressalta-se que os serviços que serão realizados pela empresa vencedora da licitação foram autorizados pelo IBRAM, por meio da Autorização Ambiental nº 06/2018 – IBRAM.

Quanto aos futuros usos da área, a agência frisou que como mais de 70% do lote é constituído de Áreas de Preservação Permanente, devido às suas características ambientais, a Terracap está em negociação com o IBRAM para que esta parte do lote seja incorporada ao Parque Ecológico Saburo Onoyama e à ARIE JK.

Para a outra parte do lote, mais próxima às quadras residenciais da QSC 15 e QSC 17, estudos estão sendo realizados a pedido da Coordenação Regional de Ensino de Taguatinga, ligada à Secretaria de Educação do DF, para verificar a viabilidade de que a área seja utilizada para construção de uma Escola Parque. No momento, a proposta de criação da escola também se encontra sob análise do IBRAM.

Em suma, espera-se que ao final da recuperação das áreas degradadas, o lote seja integralmente transferido para o patrimônio do GDF, que definirá o uso futuro da área, conforme negociações citadas anteriormente.

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