Após boicote, administrador de Águas Claras muda restrições a comércio

Ney Robsthon alterou portaria sobre horário de funcionamento local depois de moradores fazerem movimento contra o restaurante dele

atualizado 12/03/2019 18:45

Foto: Hugo Barreto/Metrópoles

Cinco dias depois de uma primeira versão, o administrador de Águas Claras, Ney Robsthon, precisou republicar a ordem de serviço que restringe o horário de funcionamento de bares e restaurantes da cidade para evitar problemas com estabelecimentos 24 horas. Nesta terça-feira (12/3), a norma divulgada no Diário Oficial do Distrito Federal (DODF) apareceu com as palavras “ou não” retiradas (veja abaixo).

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“Assim, apenas os estabelecimentos que trabalham com bebida alcoólica ficam contemplados pelo texto”, resumiu o administrador. Segundo ele, não existe qualquer regulamentação para que lojas como distribuidoras de bebidas, principalmente, fiquem abertas de madrugada.

“Não existe legislação, nenhum documento que permita esse tipo de funcionamento. Foi uma desvirtuação que ocorreu de forma equivocada, permitindo que alguns estabelecimentos funcionassem dessa forma. Nada na lei diz isso”, frisou.

De acordo com a portaria, os estabelecimentos que vendem bebidas alcoólicas podem funcionar de domingo a quinta-feira, das 8h à 0h. Às sextas-feiras, aos sábados e em vésperas de feriados, o horário pode ser ampliado até as 2h do dia seguinte. Os demais comércios têm horário liberado.

Outro ponto que Ney Robsthon fez questão de destacar é a Portaria Conjunta nº 6, de março de 2002, da Secretaria de Segurança Pública e da extinta Secretaria de Coordenação das Administrações Regionais. Ela já restringia o horário de funcionamento em Águas Claras. Em 2012, o então governador, Agnelo Queiroz (PT), também assinou o Decreto nº 33.882, que, no artigo 6º, regulamentava a questão. Mesmo assim, as normas não foram aplicadas.

Por isso, Robsthon alegou apenas cumprir uma determinação já existente e nega ser o mentor da medida. Ainda assim, defende as restrições. “Existe alto índice de reclamação dos moradores que não são comerciantes em relação a barulho. Atendemos a pedidos feitos dentro do Conselho de Segurança de Águas Claras”, argumentou.

Represália
Egresso do meio empresarial, uma vez que é sócio do Quattro Pizza Bar, na Avenida Pau Brasil, o administrador passou a ser alvo de incitações de boicote ao seu negócio desde o último dia 7, quando a ordem de serviço foi publicada pela primeira vez no DODF.

Grupos no Facebook de grande mobilização dos habitantes da cidade, como a página da Associação de Moradores e Amigos de Águas Claras (Amaac), estão repletos de postagens com pedidos para as pessoas não frequentarem o estabelecimento.

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A respeito da situação, Robsthon se absteve de comentários, mas reclamou da “desinformação” entre a população sobre o tema. O braço local da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel-DF) saiu em defesa do administrador.

O diretor-executivo da entidade, Fábio Estuqui, reforçou a versão de Robsthon de que uma ordem antiga foi simplesmente cumprida e prometeu reação. “O Rodrigo [Freire, presidente da Abrasel-DF] pediu uma reunião com o governador para apresentar essa e outras demandas e rever a restrição”, garantiu.

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