Após AVC, mãe quer transferência de filha de 15 anos a hospital do DF

Adolescente está internada desde 27 de dezembro em Anápolis e precisa de dois procedimentos para tratar doença cerebral grave

atualizado

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1 de 1 Mãe-pede- transferência-de-filha-para-Hospital de Base - Foto: Material cedido ao Metrópoles

A decoradora de eventos Clesia Martins, 47 anos, pede ajuda para conseguir a transferência da filha, Nycolle Gabriely Martins (foto em destaque), 15 anos, para o Hospital de Base, em Brasília.

A adolescente precisa passar por procedimentos de alta complexidade no tratamento de uma malformação arteriovenosa (MAV) cerebral.

A menina está internada desde o dia 27 de dezembro de 2025 no Hospital Estadual de Urgências de Anápolis Dr. Henrique Santillo (Heana), após sofrer um acidente vascular cerebral (AVC) hemorrágico.

Segundo a mãe, o quadro começou de forma repentina na madrugada do dia 27 de dezembro de 2025, por volta das 3h. A adolescente acordou com o lado direito do corpo paralisado e sem conseguir falar.

Ela foi levada inicialmente ao Hospital de Padre Bernardo em Goiás, onde os médicos solicitaram transferência imediata para Anápolis.

Ao dar entrada no Heana, exames de imagem apontaram um sangramento cerebral e edema.

A paciente foi encaminhada diretamente para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI), onde permaneceu por seis dias. Atualmente, ela está internada na enfermaria, sob acompanhamento médico e neurológico.

Exames mais detalhados, incluindo uma arteriografia, identificaram que a adolescente tem uma malformação arteriovenosa (MAV) de grau 4, considerada extensa, profunda e de alto risco.

A lesão está localizada no lado esquerdo do cérebro, o que compromete o lado direito do corpo, além da fala.

De acordo com especialistas que avaliaram o caso, o tratamento indicado envolve dois procedimentos cirúrgicos complementares. O primeiro é a embolização, técnica minimamente invasiva realizada por meio de um cateter introduzido pela virilha até o cérebro para conter o sangramento.

O segundo é a cirurgia de abertura do crânio, necessária para retirar a malformação e reduzir o risco de novos episódios hemorrágicos.

“O médico que fez o exame explicou que fazer apenas um dos procedimentos não resolve. Se fizer só a embolização, a malformação continua e ela pode voltar a sangrar a qualquer momento”, relatou a mãe.

Limitação do hospital e impasse na regulação

O Hospital de Urgência de Anápolis, segundo a mãe, não realiza o procedimento de embolização, apenas a cirurgia de crânio. Por isso, a adolescente precisa ser transferida para uma unidade de referência que execute ambos os procedimentos, como o Hospital de Base do Distrito Federal ou hospitais especializados em Goiânia.

A jovem está cadastrada no sistema de regulação da Secretaria de Estado da Saúde de Goiás, mas a transferência ainda não foi efetivada. A mãe afirma que entrou em contato diretamente com o Hospital de Base, que informou, por e-mail, que a paciente poderia ser atendida, desde que houvesse um pedido formal de transferência entre as unidades hospitalares, por meio da gestão de leitos.

No entanto, segundo a família, o hospital em Anápolis alega que não pode solicitar a transferência para o Distrito Federal, sob a justificativa de que não há regulação direta entre Goiás e DF.

“Se o hospital onde ela está internada não consegue fazer o procedimento e existe um hospital que consegue, não faz sentido ela continuar esperando. Minha filha corre risco”, desabafa a mãe.

Risco de nova hemorragia

A preocupação aumentou após a possibilidade de a adolescente receber alta hospitalar para aguardar uma cirurgia eletiva. Para a mãe, a medida representa um risco.

“Ela tem uma MAV grau 4. Ela pode ter outro sangramento em casa, como teve no dia 27. Não dá para esperar”, afirma.

Moradora da região de Brazlândia, no Distrito Federal, a mãe relata ainda dificuldades financeiras e emocionais. A família não tem parentes em Anápolis e depende da ajuda de amigos para se manter na cidade durante o período de internação.

“Cada dia aqui é mais caro, mais cansativo e mais angustiante. Mas eu não posso simplesmente tirar minha filha do hospital, porque sei da gravidade do que ela tem”, diz.

Sem resposta concreta sobre a transferência, a mãe decidiu tornar o caso público e pede apoio de autoridades, profissionais da saúde e da sociedade.

“Minha filha tem só 15 anos. Se existe a chance de evitar que ela tenha outro sangramento no futuro, eu vou lutar por isso. O que eu quero é que ela faça os dois procedimentos e tenha a chance de seguir a vida”, conclui.

A adolescente segue internada no Hospital de Urgência de Anápolis, aguardando definição sobre a transferência para uma unidade de referência.

O que diz a Secretaria de Saúde de Goiás

A Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO) informou, em nota, que a regulação estadual está tratando o caso para transferência da paciente ao Distrito Federal, atualmente internada no Hospital Estadual de Anápolis.

“Enquanto aguarda a definição de vaga, a paciente permanece devidamente assistida pela equipe médica e multiprofissional da unidade, seguindo os protocolos clínicos vigentes”, disse.

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