Amigos de Turra combinaram mentira de que Rodrigo usou droga, diz irmã
Segundo a irmã do jovem, os amigos de Turra e a namorada debocharam da família após crime e combinaram depoimentos
atualizado
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A irmã de Rodrigo Castanheira, adolescente que morreu após sofrer agressões em Vicente Pires, afirmou que parentes e amigos de Pedro Turra, de 19 anos, debocharam de sua família.
Isabela Castanheira disse durante entrevista coletiva nesta sexta (27/2) que os amigos do ex-piloto da Fórmula Delta também teriam combinado, logo após o crime, o que iriam falar em seus depoimentos a policiais da 38ª Delegacia de Polícia (Vicente Pires).
“Quando eu estava lá na delegacia chorando, desesperada, a namorada do Pedro Turra ria muito. Ela e os amigos perguntavam em voz alta: ‘Por que que a vítima não está aqui?'”, contou.
“Falou como se o Rodrigo não tivesse coragem de ir lá prestar um boletim de ocorrência, que ele teve que mandar a família, teve que mandar os amigos. Foi uma violência para mim ouvir aquilo”, relatou. “Acho que talvez eles não sabiam da gravidade da situação, porque eles estavam acostumados a ir bater nas pessoas”, desabafou.
A jovem acrescentou que, inicialmente, Pedro e os amigos confiavam que o caso seguiria impune. “Quando eu estava na delegacia, no dia 23 de janeiro, eu e minha prima ouvimos o advogado deles falando: “Não se preocupa, não vai dar nada, a gente está no Brasil'”, relatou.
Ao lado do pai, Ricardo Castanheira, a irmã do jovem disse que os amigos de Turra e a namorada combinaram uma versão que colocava Rodrigo como o causador da briga.
“Naquela delegacia, eu ouvi coisas horríveis. Eu ouvi eles combinando depoimento, então eles combinaram que o Rodrigo estava drogado, e meu irmão não usava drogas. Combinaram que ele estava de canivete, que ele estava alcoolizado, que ele chegou brigando”, disse.
A jovem contou que o semblante do acusado a fez desabar. “Quando eu vi que o Pedro Turra chegou na delegacia com aquele olho vago dele, com uma cara de superioridade, eu só sabia chorar de desespero, porque o olhar de frieza dele, com a namorada rindo, o advogado combinando o depoimento…”, contou.
Isabela disse que a família ainda não conseguiu viver o luto e clama por justiça contra Pedro Turra. “A gente só vai poder viver o luto a partir do momento em que a justiça for feita. Enquanto a justiça não for feita, a gente não vai poder sentir o que a gente precisa sentir.”
Entenda o caso:
- Pedro Turra e Rodrigo Castanheira se envolveram em uma briga, na noite de 22 de janeiro, em Vicente Pires (DF).
- Pedro teria jogado um chiclete mascado em um amigo e o adolescente respondeu que não deixaria barato se a situação tivesse ocorrido com ele;
- Em seguida, a briga começou. Vídeos gravados por testemunhas mostram Pedro e Rodrigo se agredindo mutuamente;
- Em certo momento, o piloto dá um soco que faz o rapaz bater a cabeça em um carro. Ele parece perder as forças, e colegas, enfim, separam a briga;
- Gravemente ferido, o menor que bateu a cabeça no carro foi levado ao Hospital Brasília, em Águas Claras. Ele vomitou sangue ao ser socorrido e sofreu uma parada cardiorrespiratória de 12 minutos.
- Pedro Turra foi preso um dia após a briga, mas solto ao pagar uma fiança de R$ 24 mil. Após a repercussão do caso, novas denúncias contra o piloto foram feitas e a Justiça determinou a prisão preventiva dele;
- O piloto foi encaminhado ao Complexo Penitenciário da Papuda por lesão corporal gravíssima;
- Após 16 dias internado Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Brasília em Águas Claras, o adolescente morreu nesse sábado (7/2);
- Com a morte de Rodrigo, o crime foi reclassificado e Pedro Turra será levado a julgamento no júri.
O agressor Pedro Turra foi denunciado por homicídio doloso pelo Ministério Público do DF (MPDFT) e segue preso em cela individual no Complexo da Papuda, onde aguarda julgamento.
A reportagem não localizou a defesa do réu para comentar o caso. O espaço segue aberto para possíveis posicionamentos.


















