Alvo de operação, Hermeto nega participação em contratos da Educação. Veja vídeo
O parlamentar negou qualquer participação em contratos da Secretaria de Educação, que estão sendo investigados por possíveis desvios
atualizado
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Alvo da Operação Blackboard deflagrada nesta quinta-feira (12/3) pelo Ministério Público do DF (MPDFT) para investigar desvios na Secretaria de Educação, o deputado distrital Hermeto (MDB) se manifestou, por meio de nota, sobre as investigações.
Veja:
O escritório e a casa do parlamentar foram alvos de busca e apreensão do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), com apoio da Delegacia de Repressão à Corrupção (Decor), da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF).
O parlamentar negou qualquer participação nos contratos da Secretaria de Educação, que estão sendo investigados por possíveis desvios. “Não possuo qualquer gestão ou participação em contratos administrativos da Secretaria de Educação, que são de responsabilidade exclusiva do Poder Executivo”.
Hermeto alegou que os recursos parlamentares destinados à educação por meio do Programa de Descentralização Administrativa e Financeira (PDAF) teriam sido aplicados apenas em melhorias e manutenções das escolas da rede pública. “Os recursos destinados por meu mandato ao PDAF ao longo de sete anos foram aplicados em melhorias e manutenção de mais de 60 escolas públicas em todo o Distrito Federal. É importante destacar que o PDAF não pode ser utilizado para pagamento de aluguel, portanto nenhum centavo desses recursos foi destinado a essa finalidade”.
O líder do governo na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) disse confiar nas investigações da instituições e se colocou à disposição para quaisquer esclarecimentos.
Entenda o caso
- O Ministério Público do Distrito Federal (MPDFT) deflagrou a Operação Blackboard para investigar suposto esquema de desvio de dinheiro público na Secretaria de Educação do DF, nesta quinta-feira (12/3). Mais de R$ 46 milhões teriam sido desviados, segundo a apuração. O líder do governo na CLDF, deputado distrital Hermeto (MDB), é alvo de busca.
- O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), com apoio do Departamento de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado (Decor) da Polícia Civil (PCDF), cumpriu buscas na Câmara Legislativa (CLDF), na Secretaria de Educação e em endereços ligados ao deputado Hermeto.
- A Candangolândia, região administrativa em que estão os imóveis, é base eleitoral de Hermeto, onde o parlamentar já foi administrador regional.
- A operação também cumpre busca e apreensão contra um empresário em São Paulo.
- Ao todo foram cumpridos 31 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal, no Estado de São Paulo, em Goiás, e no Tocantins, informou o MPDFT em nota.
- Os agentes da PCDF deixaram a sede da Secretaria de Educação com várias bolsas de materiais apreendidos, por volta das 8h10. As equipes deixaram a CLDF, por volta do mesmo horário.
Veja as imagens da operação:
Segundo o MPDFT, o esquema foi desmascarado pelo tempo: passados mais de cinco anos, o mesmo imóvel público seria alvo de um contrato de reforma firmado em 2025, no valor de aproximadamente R$ 12 milhões. O Poder Público teria gasto mais de R$ 19 milhões em aluguéis por um prédio que poderia ter sido reformado por valor inferior — e ainda hoje o edifício original permanece de pé e, tem tese, em obras.
De acordo com o Gaeco, o imóvel locado pela Secretaria de Educação pertencia à empresa Saída Sul Hospedagens Ltda. — a mesma pessoa jurídica que opera o A2 Motel. Segundo as investigações, o sócio administrador do empreendimento, Carlos Eduardo Coelho Ferreira, residente em São Paulo, seria beneficiário direto do suposto esquema.
O Gaeco apontou ainda que Hermeto teve supostamente “papel decisivo na articulação do esquema”. De acordo com os investigadores, o parlamentar teria intermediado o contato direto com o então Secretário de Educação, João Pedro Ferraz dos Passos, para supostamente garantir a assinatura do contrato fraudulento. Além disso, conforme a diligência do MPDFT, o deputado teria exercido influência determinante para que o processo administrativo avançasse a despeito das supostas irregularidades, como toda uma articulação absolutamente indevida.
Para viabilizar a mudança do imóvel, de acordo com o Gaeco, Ana Maria Alves da Silva, então coordenadora Regional de Ensino do Núcleo Bandeirante, teria supostamente deflagrado o processo administrativo com a falsa alegação de que o prédio público original estava em condições precárias e condenado à demolição, sem nenhum laudo técnico que comprovasse tal situação. O MPDFT afirmou que outros servidores da Secretaria de Estado de Educação teriam supostamente endossado a narrativa e dado continuidade ao procedimento ilegal – eles estão sendo investigados.
A apuração foi liderada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), com apoio do Departamento de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado (Decor) da Polícia Civil (PCDF).
Além disso, segundo o MPDFT, Hermeto teria supostamente direcionado emendas parlamentares milionárias via Programa de Descentralização Administrativa e Financeira (PDAF) para a Associação de Apoio à DRE do Núcleo Bandeirante, entidade ligada à investigada Ana Maria Alves. Ao todo, a associação recebeu mais de R$ 27 milhões em verbas públicas destinadas à melhoria das escolas da rede.
Blackboard
A expressão Blackboard — que em inglês significa “quadro-negro” — foi escolhida como referência direta ao objeto central da investigação: o desvio de recursos públicos destinados à educação.















