“A vida humana não tem preço”, diz advogado de jovem morto após agressão
Albert classificou a morte como “trágica” e fez fortes críticas ao agressor, o piloto Pedro Arthur Turra, que se encontra preso
atualizado
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O advogado da família do adolescente Rodrigo Helbingen Fleury Castanheira, Albert Halex, se pronunciou nas redes sociais após a confirmação da morte do jovem neste sábado (7/2), após 16 dias internado por ter sofrido agressões.
Albert classificou a morte como “trágica” e fez fortes críticas ao agressor, Pedro Arthur Turra Basso, de 19 anos, preso e acusado de lesão corporal grave.
“Lido diariamente com processos e papéis. Mas, no caso que envolve a perda trágica do Rodrigo Castanheira, o que temos diante de nós não são apenas folhas de papel, é o retrato de uma maldade que nos revolta profundamente. É inadmissível que, em pleno século XXI, ainda existam aqueles que se sentem “donos do mundo”. Pessoas que, embriagadas por uma sensação de poder e impunidade, planejam emboscadas e tratam a vida de um semelhante como se fosse algo descartável, um lixo a ser varrido para debaixo do tapete”, disse o advogado.
O advogado ressaltou que Rodrigo não será esquecido e que a vida humana “não tem preço e não pode ser medida pelo status social de quem a retira”.
“O que aconteceu foi um ataque à própria ideia de humanidade. Quando alguém acredita que pode dispor da vida do outro por puro sadismo ou prepotência, ele atenta contra todos nós. A morte deste jovem interrompida de forma tão brutal não será esquecida. Minha atuação neste caso vai além do tribunal: é o compromisso de garantir que a justiça seja o limite para quem acha que pode tudo”, destacou Albert.
Morte após 16 dias internado
O adolescente agredido pelo ex-piloto da Fórmula Delta estava internado desde o dia 22 de janeiro, na UTI do Hospital Brasília em Águas Claras (DF).
Rodrigo era morador do DF e estudava no Colégio Vitória Régia. Amigos, familiares e jovens da capital realizaram duas vigílias na porta do Hospital Brasília em oração ao rapaz — a última foi realizada nessa sexta-feira (6/2).
Em 30 de janeiro, os tios de Rodrigo disseram que o jovem havia reagido a estímulos nos últimos dias. Desde então, os pais decidiram suspender as visitas para preservá-lo.
Apesar dos esforços médicos, Rodrigo Castanheira morreu em decorrência das complicações.
Como a briga começou
Segundo a investigação, a confusão teve início na noite do dia 22/1. Testemunhas relataram que Turra jogou um chiclete mascado em um amigo da vítima. Após provocações, os dois adolescentes passaram a se agredir fisicamente.
Vídeos gravados no local mostram o momento em que Turra desfere um soco que faz Rodrigo Castanheira bater violentamente a cabeça contra um carro. O impacto o deixou desacordado. Ele chegou a vomitar sangue enquanto era socorrido.
A nova ordem de prisão foi solicitada pelo Ministério Público do Distrito Federal (MPDFT). Durante coletiva de imprensa, o delegado responsável pelo caso, Pablo Aguiar, apresentou detalhes adicionais da investigação.
Ele afirmou que o investigado já teria se envolvido em outros episódios violentos, incluindo a suposta tortura de uma adolescente com um taser, e classificou o comportamento de Turra como “sociopata”. Emocionado, o delegado comentou a gravidade do caso.
Prisão preventiva
Pelo Código Penal, a lesão corporal seguida de morte (art. 129, §3º) ocorre quando há intenção de agredir, mas a morte acontece por imprudência, negligência ou imperícia — sem intenção direta de matar. Trata-se de um crime chamado preterdoloso, cuja pena varia de 4 a 12 anos de reclusão.
Turra foi preso preventivamente no dia 30/1, em casa, sob protestos de moradores. Ele já havia sido detido anteriormente, mas foi liberado após pagamento de fiança de R$ 24 mil. Agora, permanece à disposição da Justiça.
Segundo a investigação, a briga começou após Turra jogar um chiclete mascado em um amigo da vítima, o que gerou provocações e agressões físicas. Vídeos mostram o momento em que o ex-piloto desfere um soco em Rodrigo, que cai e bate violentamente a cabeça contra um carro. O jovem perdeu a consciência e chegou a vomitar sangue enquanto recebia socorro.




