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Pacientes que sofreram Acidente Vascular Cerebral (AVC) contam com um apoio especial nos Centros Especializados de Reabilitação (CERs) da Prefeitura de São Paulo. Trata-se do Assistive Rehabilitation Machine (ARM) — robô portátil desenvolvido no Brasil — que tem auxiliado na recuperação dos movimentos dos membros superiores por meio de uma manopla que conduz o paciente em atividades virtuais.
Diante de uma tela com atividades interativas, exercícios repetitivos dão lugar a tarefas inspiradas no cotidiano, como arremessar uma bola, pescar, pintar ou servir uma refeição.
Cada movimento é monitorado em tempo real, com a ajuda do robô que registra dados como força, velocidade, trajetória e precisão. Essa dinâmica, que lembra jogos de videogame, ajuda na recuperação dos movimentos, tornando as sessões mais interativas e estimulantes.

Dados da Secretaria Municipal de Saúde apontam uma crescente demanda por cuidados diferenciados após o AVC, com um aumento de 74% de 2021, com mais de 10,1 mil pessoas atendidas, para mais de 17,6 mil em 2025.
Atenção personalizada
O frentista Murilo da Silva Santos, de 37 anos, começou a retomar tarefas básicas do dia a dia. Ele sofreu um AVC em dezembro de 2024 e está há um ano em terapia robótica, após ser encaminhado por uma Unidade Básica de Saúde (UBS).
“Quando cheguei no CER, achei que era só um videogame”, conta. “Hoje, minha opinião é outra: o robô ajuda bastante e eu já até tomo banho e escovo o dente sozinho”. Pai de uma criança pequena, ele destaca a importância do atendimento público: “Todo esse suporte é muito importante para gente que não tem condições de pagar uma reabilitação”.
Já a dona de casa Diana Gomes de Souza, de 47 anos, voltou a desempenhar tarefas simples após iniciar o tratamento. “Já voltei a cozinhar e me coçar sozinha. Isso me dá mais esperança”, afirma. Ela sofreu um AVC em setembro de 2024 e está há um ano na terapia robótica, que começou com desconfiança após perder quase completamente os movimentos. “Olhei esse robozinho e achei que não ia me reabilitar”, relembra.
Mãe de três filhos, Diana conta com o apoio do caçula, de 12 anos, no dia a dia. “É por ele que estou melhorando e estou muito feliz.” Além da terapia robótica, ela também recebe atendimento psicológico e ganhou equipamentos como cadeira de rodas, bengala e bota ortopédica.
De acordo com Viviane Barreto Sales, terapeuta ocupacional do CER IV Dr. Milton Aldred, no Grajaú, o tratamento pode ser totalmente personalizado, considerando o nível de dificuldade, conforme a evolução clínica do paciente.
“O interessante do robô é a possibilidade de fazer uma avaliação inicial, verificando o quanto o paciente tem de força e precisão do movimento, para determinarmos o nível de suporte a ser oferecido na terapia. E, no final de cada sessão, é gerado um relatório com o desempenho do paciente para podermos planejar os próximos passos do tratamento”, explica.
A terapeuta reforça que a robótica não substitui os demais cuidados e integra um plano amplo, que pode incluir fisioterapia, fonoaudiologia, neuropsicologia, acupuntura, hidroterapia e estimulação cognitiva, conforme a necessidade de cada paciente.
A combinação entre tecnologia e acompanhamento multiprofissional tem contribuído para resultados mais consistentes — especialmente diante de uma mudança no perfil dos pacientes. “Os casos de AVC têm ocorrido em idades cada vez mais jovens, reflexo de um estilo de vida marcado por estresse, má alimentação, sedentarismo e outros fatores de risco”, finaliza Viviane.

