Centro TEA completa 1 ano ajudando na autonomia de pessoas com autismo

Espaço criado pela Prefeitura de São Paulo supera 300 mil atendimentos e amplia inclusão e acolhimento das famílias

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“Quando falamos que é dia de vir ao Centro TEA, ela já vai sozinha tomar banho, pega a chave do carro e, quando chega aqui, até me dá tchau. Eu fico tranquilo, porque ela é muito bem acolhida e sempre recebo devolutivas dos profissionais.” É assim que Hebert Alexandre de Oliveira, pai de Monique, de 8 anos, relata as mudanças no comportamento da filha desde o início do acompanhamento no Centro TEA Marina Magro Beringhs Martinez, da Prefeitura de São Paulo.

Já Lourenzo Gonzaga de Souza, 12, após iniciar o acompanhamento no Centro TEA, desenvolveu mais autonomia e avançou na escola regular, concluindo a alfabetização. “Agora ele sabe ler, escrever e dobrar roupas, se adapta bem a ambientes como trem, metrô e avião, e também vai sozinho comprar pão, enquanto observo escondida”, conta a mãe, Jacia Moura Gonzaga.

Um ano após a inauguração, o Centro TEA produz mudanças concretas na vida de várias pessoas com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA). Casos de crianças como os mencionados que avançaram na alfabetização, passaram a fazer atividades do dia a dia com mais autonomia e ampliaram a convivência social.

Pioneiro na América Latina, o serviço da gestão municipal, desde a criação, promoveu mais de 300 mil atendimentos, e atualmente cerca de 1,4 mil pessoas com autismo são acompanhadas pela unidade, além de mais de 1,3 mil famílias atendidas.

Longe de ter o aspecto hospitalar ou de uma clínica de terapia comum aos locais de atendimento a esse público, o Centro TEA é uma revolução para pessoas com autismo e as famílias, porque alia a busca pela autonomia a uma série de atividades que envolvem esportes, cultura e educação.

Para muitas famílias, o espaço representa acolhimento e transformação desde os primeiros atendimentos. “O Centro TEA veio para dar luz e esperança para muita gente que vivia no escuro, como eu. Antes, não tinha nada como este espaço, as famílias não eram ouvidas e agora somos acolhidos, além de um ajudar o outro, nos tornamos uma grande família”, comemora José Maximiano da Silva, avô de Matheus, 14, atendido desde a inauguração.

Atualmente, a unidade acompanha cerca de 1.400 pessoas com autismo em atendimento ativo, com predominância do público infantil: 60,37% são crianças de 6 a 13 anos, enquanto adolescentes representam 15,84% e adultos, 23,79%. Todos os usuários possuem diagnóstico confirmado de TEA.

Os atendimentos são definidos por equipe multidisciplinar, com base nas necessidades de cada participante, e incluem sessões individuais com profissionais como assistentes sociais e psicólogos, além de atividades coletivas, como oficinas, grupos terapêuticos e ações socioeducativas.

Entre as atividades mais procuradas estão práticas de vida diária (AVD), atividades aquáticas, culinária, música e jardinagem, voltadas ao desenvolvimento de habilidades sociais, autonomia e qualidade de vida.

A evolução também é percebida no cotidiano das famílias.

Além dos atendimentos clínicos, o espaço conta com cerca de 100 colaboradores e oferece oficinas complementares como psicomotricidade, expressão corporal, informática, comunicação alternativa, arte, música e apoio às famílias, promovendo inclusão e socialização.

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Entre as atividades mais procuradas está culinária
O espaço conta com cerca de 100 colaboradores
Os atendimentos são definidos por equipe multidisciplinar, com base nas necessidades de cada participante
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Os atendimentos são definidos por equipe multidisciplinar, com base nas necessidades de cada participante

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Entre as atividades mais procuradas está culinária
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Entre as atividades mais procuradas está culinária

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O espaço conta com cerca de 100 colaboradores
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O espaço conta com cerca de 100 colaboradores

Sergio Barzaghi/PrefSP

Nas atividades de culinária, por exemplo, o trabalho respeita as particularidades sensoriais de cada participante. “Muitas famílias, por medo, acabam não incluindo os filhos em atividades na cozinha. Aqui, respeitamos o tempo de cada um. Aos poucos, eles vão se aproximando”, explica a professora Francini Silvestre Gea.

Segundo ela, os aprendizados ultrapassam o espaço das oficinas, com relatos frequentes de reprodução das atividades em casa.

O impacto também é percebido na socialização. Maria Vitória, 21, que tem autismo, conta que passou a interagir melhor após iniciar o acompanhamento. “Eu sou tímida, mas aqui fiz amizades e percebi que isso faz diferença.”

O espaço também promove acolhimento aos responsáveis. “É fundamental que, enquanto os filhos são atendidos, eles possam cuidar de si e trocar experiências”, afirma a educadora física Isabela de Oliveira Luz.

O acompanhamento dos usuários é feito por meio de planos individuais, com monitoramento contínuo da evolução e ajustes nas estratégias adotadas, sempre com participação das famílias.

O Centro TEA atende moradores de todas as regiões da capital e integra a política pública da Prefeitura de São Paulo para ampliação da rede de atendimento às pessoas com TEA, com previsão de implantação de mais três unidades até 2028.

Piscina coberta, quadra de esportes, oficinas de música, dança, teatro, pintura, uma casa mobiliada onde pessoas com autismo podem desenvolver habilidades de autocuidado são algumas das características do Centro TEA Marina Magro Beringhs Martinez.

Localizada em Santana, na Zona Norte da capital, a unidade recebeu um investimento de R$ 119,4 milhões e leva o nome de Marina Magro Beringhs Martinez, procuradora do município que construiu ao longo de 20 anos de atuação uma trajetória marcada pelo compromisso com o bem comum e a defesa dos direitos sociais.

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