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Quanto mais informação o idoso tem, melhor ele envelhece

Envelhecimento e qualidade de vida foram os temas centrais do talk "Vidas sem Rótulos", realizado pelo Metrópoles nesta quinta-feira, 1º/10

MedSênior | Conteúdo patrocinado
05/10/2026 11:47, atualizado 05/10/2026 11:56

​O Metrópoles promoveu, nesta quinta-feira (1º), o talk “Vidas sem Rótulos: Como viver bem em qualquer idade”. A conversa abordou  diversos assuntos que retratam a vida da pessoa idosa no Brasil e contou com a participação do diretor regional da MedSênior em Brasília, Rodrigo Pastor, médico especialista em atendimento à terceira idade. ​O talk ocorreu no mesmo dia em que é comemorado o Dia Internacional da Pessoa Idosa.

​O bate-papo começou abordando um dos principais empecilhos na vida das pessoas da terceira idade: os rótulos impostos pela sociedade. Rodrigo trouxe para a conversa diversos pontos que são comuns na vida de quem já tem 60 anos ou mais. ​

“A gente escuta muitos rótulos na sociedade. O Brasil evoluiu muito, nossa sociedade evoluiu muito, mas ainda tem muito a evoluir. Quem nunca escutou que um idoso é inútil? Que não tem mais utilidade? Aposentou, não tem mais utilidade para a sociedade… Esquecendo que esse idoso tem uma quantidade de experiências que adquiriu na vida e que isso pode ser passado para as pessoas mais jovens, principalmente para as crianças, que estão muito distantes dos idosos”, destacou.

​Outro ponto levantado pelo especialista foi o mito de que o idoso não consegue fazer mais nada. Ele citou um jargão muito comentado de que “o idoso não consegue mais estar dentro do mesmo ambiente que o jovem” e lembrou que muitas empresas, atualmente, têm preferido contratar pessoas idosas ao invés de jovens.

“Quando a sociedade não respeita seus idosos, ela está muito distante de uma realidade favorável. Temos países mais desenvolvidos porque entenderam que respeitar o idoso desenvolve a sociedade.”

Foto: Vinícius Schmidt/Metrópoles
Rodrigo Pastor é diretor-regional da MedSênior em Brasília e possui mais de 20 anos de experiência em atendimento à terceira idade

​Idade cronológica vs. idade funcional

O doutor explicou que a idade cronológica — o tempo exato de vida da pessoa — não pode servir de único parâmetro para o desenvolvimento do idoso na sociedade.

Segundo ele, é um critério limitado, que serve apenas para aspectos constitucionais e marcos populacionais. Por outro lado, a idade funcional não deve ser usada para tolher o desenvolvimento do indivíduo.

​Respeito e autonomia

​O especialista também abordou o estereótipo de que idosos são “teimosos” ou “ranzinzas”. Ele explicou que a pessoa chega a essa fase desenvolvendo uma “casca” adquirida com o tempo, deixando de se privar de situações que evitava quando mais jovem.

​”Por ter muita experiência, ele já não tolera mais algumas situações. Não tem mais as amarras sociais do tipo ‘não vou falar isso para não causar desconforto’. E muitas vezes isso é mal interpretado como ser ranzinza ou mal-educado. O que faz sentido para o idoso, ele abraça; o que não faz sentido, ele quer distância.”

​O médico falou também sobre a falta de paciência da sociedade em esperar pelos idosos, exemplificando com situações do cotidiano no consultório: “Normalmente temos filhos ou cuidadores que impedem o idoso de agir, muitas vezes por falta de paciência com suas limitações. Chegam com ele na cadeira de rodas porque é mais fácil transportá-lo. Como temos uma sociedade extremamente rápida, perdemos a paciência de esperar o idoso.”

Foto: Vinicius Schmidt/Metrópoles
“Vidas sem rótulos” falou sobre envelhecimento e as possibilidades de viver com saúde, autonomia e qualidade de vida em diferentes fases da vida

​Aumento no número de idosos no Brasil

​Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a população do Brasil está envelhecendo. Entre 2010 e 2023, o número total de pessoas idosas saltou de 20,5 milhões para cerca de 33 milhões — um aumento de 56%, representando 15,6% da população nacional.

​”Na década de 1980, a expectativa de vida era realmente baixa, mas com a melhora na saúde pública e o acesso à informação, conseguimos nos últimos anos melhorar muito a longevidade. Os idosos de hoje têm chegado com muita qualidade de vida. Contudo, ainda carregamos rótulos das gerações anteriores que precisamos desmistificar. Não existe mais isso para o idoso do que ‘pode’ ou ‘não pode’.”

​Além disso, o especialista lembrou que o acesso à informação facilitou a busca dos idosos, cada vez mais cedo, por atendimento médico especializado e multidisciplinar, incluindo fisioterapia e odontologia.

“Quanto mais informação o idoso tem, melhor ele chega a essa fase.”

​A velhice com outros olhos

O diretor-regional falou também sobre a importância de o idoso viver com um propósito, seja iniciando um curso superior ou fazendo uma viagem. Ele citou exemplos marcantes, como o do empresário Maely Coelho, presidente da MedSênior.

​”Hoje, as pessoas se aposentam e têm uma expectativa de vida cada vez mais alta. Vemos histórias maravilhosas que não são mais raras. O próprio presidente da MedSênior, seu Maely, criou a empresa após os 60 anos. Outro exemplo é o idoso de 80 anos que entrou para o Guinness recentemente como a pessoa mais velha do mundo a subir o Monte Everest. Temos uma série de pintores, escultores e escritores que alcançam o ápice da carreira após os 60 anos. Não temos mais um limitante cronológico para chegar onde queremos.”

​O médico reforçou ainda a relevância dos exercícios diários.

“Um envelhecimento sem atividade física, sem vida social e sem hobbies é menos saudável. A atividade física melhora a capacidade cardiorrespiratória e a circulação cerebral, o que reduz quadros de demência, muito frequentes após os 60 anos. É fundamental manter o movimento, desde que haja funcionalidade.”

​Sobre o preconceito por idade — tema sensível para a terceira idade —, Rodrigo explicou que o etarismo se divide em dois tipos: o externo (o que as pessoas dizem) e o interno (o que o próprio idoso absorve).

​”O etarismo é o preconceito com a idade. Ocorre em qualquer faixa etária, mas é mais frequente contra os nossos idosos. Como sociedade, precisamos desconstruir isso para que o idoso se imponha mais.”

Foto: Vinicius Schmidt/Metrópoles
Fundada em 2010, a MedSênior é uma operadora de plano de saúde voltada para o cuidado da saúde de pessoas idosas

​Saúde mental e relacionamento social

​Outro fator crucial é o cuidado com a mente. Para o especialista, conviver com outras pessoas ajuda a combater a solidão, condição comum em muitos lares.

​”O relacionamento social é extremamente importante, até mais do que a atividade física. Muitos idosos não conseguem fazer uma grande gama de exercícios por limitações físicas do envelhecimento, mas conseguem manter o convívio. Ir à igreja, ao supermercado… Esse contato previne depressão e ansiedade, causas frequentes de internações psiquiátricas. Precisamos ter uma vida social ativa para minimizar isso.”

​Sem limites para recomeçar

​Por fim, o médico ressaltou que não há idade máxima para iniciar projetos ou ter autonomia. “Não existe limite para o idoso. Vemos pessoas com 93 anos dirigindo, fazendo compras, morando sozinhos. Vemos pacientes centenários fazendo faculdade, viajando sozinhos ou pulando de paraquedas. O limite é funcional, não cronológico.”

​E deixou um recado final: “Ache sentido para cada fase da vida, pois cada uma delas tem um propósito diferente.”

Assista o talk completo: