PMDF abre investigação contra banca que corrigiu provas de concurso
Candidatos denunciaram divergências nos exames dos espelhos das redações no mais recente certame para soldado da corporação
atualizado
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A Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) instaurou processo administrativo contra o Instituto Brasileiro de Desenvolvimento (Iades). O objetivo é investigar denúncias de falhas nas correções das redações e divergências no valor da inscrição do último concurso para contratação de soldados da instituição.
Em 4 de setembro, foi divulgado o resultado das avaliações discursivas – 704 candidatos foram reprovados. Um grupo de concurseiros percebeu que, em alguns casos, os espelhos das redações apontavam os erros cometidos. Em outras provas, a correção teria sido negligenciada.
Em um prazo de 30 dias, a PMDF apresentará relatório sobre o episódio. Se comprovadas as irregularidades, o Iades pode ser penalizado com advertência, multa e até suspensão. Ou seja, a banca não poderá participar de futuras licitações, conforme indica a chefia do Departamento de Logística e Finanças da Polícia Militar local.
Veja a portaria publicada no Diário Oficial do DF (DODF):

Diferentes correções
De acordo com a denúncia, em alguns casos, os espelhos das redações apontavam erros cometidos pelos candidatos. Em outras provas, a correção teria sido negligenciada, deixando os participantes do certame confusos.
As imagens a seguir mostram duas provas corrigidas com erros indicados pelos examinadores, assim como preconiza a Lei nº 4.949/12, que estabelece normas gerais para realização de concurso público pela administração direta, autárquica e fundacional do Distrito Federal. Nos exemplos abaixo, as falhas são apontadas com círculos e traços sobre palavras ou períodos escritos que não estão em conformidade com a língua portuguesa.
Veja:


Entretanto, alguns candidatos foram reprovados no certame sem saber quais erros cometeram na redação. O bacharel em direito Eduardo Vieira, 25 anos, é um dos concurseiros que tiveram problema na correção. Para ele, é inaceitável que a banca descumpra a legislação sem dar satisfação aos candidatos. “É injusto, nós passamos muito tempo nos preparando. Ao ser reprovado, o mínimo que esperamos é saber onde erramos, para não voltarmos a cometer esses equívocos”, disse.
Na sequência, é possível ver dois exemplos de redação que não tiveram os erros apontados pela banca:



MPDFT pede explicações
Após as denúncias, o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) recomendou que o Iades reabrisse o prazo para recursos das provas de redação.
O promotor de justiça Fábio Macedo Nascimento determinou ainda que os erros dos candidatos sejam claramente especificados e, caso as notas sofram redução ou acréscimo, os avaliadores devem apresentar argumentos para embasar as novas correções.
O outro lado
Procurado pelo Metrópoles, o Iades afirmou que o episódio “já foi tratado e resolvido com a mediação do MPDFT, conforme nota divulgada na página de acompanhamento do processo seletivo”.
Sobre a divergência no valor da inscrição, a banca organizadora reconhece ter havido cobrança indevida, de R$ 1 a mais por participante além do que foi combinado com a PMDF. O instituto informa que está disposto a devolver a quantia aos candidatos.
