
Marina vê "teto" na pauta ambiental e busca canalizar legado em "Marinas"
Em meio à "redução" da pauta ambiental em campanha para o Senado, Marina Silva busca manter agenda com "pupilas" na Câmara e na Alesp

A campanha de Marina Silva (Rede) para o Senado chega à reta final da corrida com a sensação de que a pauta ambiental atingiu um “teto eleitoral” para a ex-ministra. Diante dessa constatação, identificada em pesquisas internas, Marina buscou focar em pautas mais voltadas às mulheres e à questão racial ao longo da disputa.
Como exemplo, em discursos e declarações, Marina tem enfatizado que São Paulo nunca elegeu uma senadora negra. “São Paulo elegeu [Luiza] Erundina a primeira prefeita e vai eleger a primeira senadora negra”, disse em discurso no final do mês passado. Ela também buscou entrelaçar a defesa do fim da escala 6 por 1 às questões práticas da vida da mulher, além de focar em propostas de combate ao feminicídio.
Pessoas do entorno da candidata afirmam que essa pode ser sua última eleição e que, caso não seja eleita, a ideia é manter como “legado político” dentro da agenda ambiental os mandatos das suas duas principais apadrinhadas nas disputas proporcionais em São Paulo: a deputada estadual Marina Helou (PSB), candidata a deputada federal, e a vereadora Marina Bragante (PSB), que busca uma cadeira na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp).
Ambas trocaram a Rede Sustentabilidade pelo PSB antes das eleições, após um racha interno entre o grupo de Marina Silva e a atual ala que comanda o partido, que tem a ex-senadora Heloísa Elena como uma das lideranças. Apesar das rusgas, a ex-ministra acabou permanecendo na Rede.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesOs embates, no entanto, permaneceram: a campanha de Marina Silva chegou a entrar com requerimento à Comissão Executiva Nacional do partido para pedir aporte financeiro adicional do Fundo Eleitoral. A candidata recebeu apenas R$ 1 milhão da Rede, mesmo valor repassado pelo PSol, que ocupa a primeira suplência com o vereador Djalma Nery.
Baque
No início da semana, a campanha de Marina recebeu um baque: a retirada da candidatura de Ricardo Salles (Novo) deu força às candidaturas de André do Prado (PL) e Guilherme Derrite (PP), os dois postulantes da chapa liderada por Tarcísio de Freitas (Republicanos), uma vez que a saída de Salles evita uma pulverização dos votos da direita em três candidatos.
O movimento pegou de surpresa as campanhas de Marina e Simone Tebet (PSB), a outra candidata ao Senado da chapa Lulista. A postura agressiva de Ricardo Salles contra o André do Prado ao longo da campanha e o fato de o Partido Novo ter aportado R$ 3,8 milhões na candidatura eram fatores que faziam as adversárias não acreditarem na desistência.
Além do impacto eleitoral, o fato ainda gerou um desconforto entre as duas candidatas. Segundo relatos, Marina ficou incomodada com uma postagem de Tebet após a saída de Salles, na qual a candidata do PSB afirmou que o político do Novo havia se rendido ao Centrão e que agora sua candidatura é única com “independência e coragem” para defender São Paulo no Senado.
Apesar do cenário considerado complicado, membros da campanha de Marina tentam manter o otimismo e intensificar a mobilização da campanha. Aliados da ex-ministra do Meio Ambiente citam que pesquisas internas da campanha mostravam Derrite e Marina na frente e que, a proximidade da desistência de Salles com o da da eleição pode fazer com que o movimento não tenha tempo hábil para gerar o efeito desejável.
“Marinas”
Enquanto Marina Silva busca se manter no páreo na disputa acirrada pelo Senado, as “pupilas” Marina Helou e Marina Bragante apostam no prestígio da madrinha política junto ao eleitor ligado à pauta ambiental, além da atuação de seus próprios mandatos como deputada estadual e vereadora, respectivamente.
As campanhas enfrentam dificuldades: uma delas é o fato de não estarem mais no partido de Marina, a Rede Sustentabilidade. Após o racha interno, o grupo da ex-ministra perdeu espaço na legenda e a própria Marina Silva conversou com partidos para migrar de sigla antes da eleição. Um deles foi o PSB, partido pelo qual disputou a Presidência da República em 2014, e que acabou sendo o destino de Helou e Bragante.
A composição da chapa majoritária em São Paulo, no entanto, dificultou a ida de Marina para o PSB, uma vez que a legenda também atraiu Simone Tebet para as suas fileiras. Dentro das articulações, ficou inviável o PSB ter duas candidaturas ao Senado, o que acabou fazendo com que Marina Silva ficasse na Rede.
Segundo pessoas envolvidas nas campanhas das “pupilas”, o fato de não estarem mais na Rede gerou dúvidas em parte do eleitorado, mas, nas avaliações ouvidas pela coluna, isso não gerou um descolamento das imagens. O sentimento é de que o eleitor de Marina Silva entendeu que as parlamentares são as candidatas da ex-minsitra.
Outra dificuldade apontada é que, em uma eleição majoritária como o Senado, ficou mais difícil para Marina Silva focar na campanha das aliadas, já que o calendário de agendas é distinto e a candidata acaba fazendo uma campanha atrelada às agendas de Lula e Fernando Haddad.



