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Eleições 2026São Paulo

Campanha de Marina pede verba a partido e cita desigualdade: "Perseguição"

A ex-ministra e atual candidata ao Senado por São Paulo recebeu menos Fundo Eleitoral no Rede que candidatos a deputado estadual e federal

23/09/2026 17:18, atualizado 23/09/2026 20:50
Malu Lopes/Metrópoles
Marina Silva, ex-ministra do Meio Ambiente e candidata ao Senado por São Paulo, em entrevista ao Metrópoles

A campanha de Marina Silva (Rede) ao Senado entrou com um requerimento à Comissão Executiva Nacional do partido para pedir aporte financeiro adicional de R$ 1,2 milhão, proveniente do Fundo Eleitoral. Inicialmente, a candidata por São Paulo havia recebido R$ 1 milhão.

Segundo a equipe, a verba será destinada às atividades estratégicas para a reta final até a eleição, em 4 de outubro. “Considerando o repasse já feito pelo partido, a soma com o novo repasse representaria apenas 30% do teto de gastos definidos pelo Tribunal Superior Eleitoral para São Paulo”, diz o documento obtido pelo Metrópoles.

“Registra-se que Marina Silva — senadora da República por dois mandatos, ministra do Meio Ambiente por três vezes, candidata à Presidência da República em três ocasiões e, hoje, deputada federal — contribui para a construção da Rede Sustentabilidade desde sua concepção, antes da própria fundação em 2013, e mantém o seu compromisso com o fortalecimento do projeto partidário para além da candidatura ao Senado, inclusive com o seu mandato de deputada federal eleita em 2022”, apontou o texto assinado por Brazileu Margarido, coordenador geral.

Segundo aliados de Marina ouvidos pela reportagem, há uma desigual distribuição de recursos eleitorais no Rede Sustentabilidade, com prejuízo à candidatura da ex-ministra ao Senado. Questiona-se os critérios políticos que orientaram a divisão desproporcional.

A campanha da ex-ministra chegou a pedir à direção do partido a revisão dos valores, mas foi ignorada. Integrantes interpretam como “mais um capítulo da perseguição que o atual comando da Rede tem promovido ao grupo político de Marina”.

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Candidata a deputada federal pelo Rio de Janeiro, Heloísa Helena, por exemplo, recebeu R$ 2,8 milhões, quase três vezes o montante destinado à Marina. Outra candidata do partido ao Senado, Luizianne Lins (Ceará) teve mais do que o dobro: cerca de R$ 2,2 milhões.

Além disso, Marina recebeu menos da metade do valor recebido pelo deputado federal André Janones (Minas Gerais), que ingressou recentemente no partido. Ele captou R$ 2.2 milhões.

O valor destinado à ex-ministra, de R$ 1 milhão, foi igual ao montante dado aos candidatos a deputado estadual Lucas Lasmar (Minas Gerais) e Magno Lavigne (Bahia), assim como ao candidato a deputado federal Thiago Ávila (São Paulo).

Em nota, assinada por Paulo Lamac, porta-voz nacional da Rede Sustentabilidade, o partido afirma que “a Rede Sustentabilidade integra, juntamente com o PSol, a Federação PSol-Rede. Embora cada partido federado preserve autonomia na gestão e na execução de seus próprios recursos financeiros, a atuação político-eleitoral da Federação se orienta por uma estratégia comum, construída conjuntamente pelas legendas que a compõem”.

“Nesse contexto, é importante considerar que a Rede figura entre os partidos com menor participação no Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC). No Estado de São Paulo, diante da limitação dos recursos próprios da Rede e da relevância estratégica da candidatura de Marina Silva, o financiamento da campanha foi objeto de diálogo entre dirigentes da Rede, do PSOL e da própria Federação. A construção conjunta permitiu viabilizar aporte de aproximadamente R$ 2,1 milhões à candidatura, em patamar equivalente ao destinado a outra candidatura competitiva da Rede ao Senado Federal, a da deputada Luizianne Lins, no Ceará”, reforça a legenda.

A Rede Sustentabilidade ressalta que “a definição da estratégia de financiamento partidária também considerou, entre outros elementos, a competitividade e capacidade de cada candidatura de captar recursos privados e, assim, complementar os recursos provenientes do financiamento público. No caso da candidatura de Marina Silva, essa capacidade de arrecadação permitiu que o volume global de recursos disponíveis para a campanha superasse R$ 3 milhões, constituindo, até o momento, o maior financiamento de campanha entre as candidaturas da Rede no pleito”.

“É igualmente necessário destacar que o Diretório Nacional da Rede reafirmou, em diversas oportunidades, a prioridade estratégica conferida às candidaturas à Câmara dos Deputados. Houve sucessivos apelos às principais lideranças partidárias para que se apresentassem como candidatas e candidatos a deputado federal, tendo em vista a importância da ampliação da bancada na Câmara para a consolidação institucional, política e parlamentar do partido”, explica o texto.

Segundo o partido, “a Direção Nacional, contudo, democraticamente não impediu a apresentação de candidaturas ao Senado Federal, respeitando as decisões políticas e as postulações construídas nos estados. A existência dessas candidaturas, entretanto, não afastou a estratégia nacional previamente estabelecida de concentração da maior parcela dos recursos do FEFC nas candidaturas consideradas competitivas à Câmara dos Deputados”.

“Essas diretrizes foram formalizadas na Resolução Eleitoral Nacional aprovada pelo Diretório Nacional da Rede, instrumento que estabeleceu os critérios para a aplicação dos recursos no pleito e que foi regularmente encaminhado à Justiça Eleitoral, observados os procedimentos e prazos aplicáveis”, finaliza a Rede Sustentabilidade.