Tácio Lorran

Ministro que se reuniu com Careca do INSS tira poder de nova gestão do instituto

Wolney Queiroz, atual ministro da Previdência, publicou portaria retirando poder de nomeações do presidente do INSS

atualizado

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Ministro da Previdência Wolney Queiroz
1 de 1 Ministro da Previdência Wolney Queiroz - Foto: VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES

O ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz (PDT-PE), tirou poder da nova gestão do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) que havia recebido “carta branca” do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para fazer modificações na autarquia em razão do escândalo dos descontos indevidos revelado pelo Metrópoles.

Portaria publicada nesta sexta-feira (4/7) por Wolney Queiroz retira do presidente do INSS a competência para nomear os superintendentes regionais e o gerente-executivo da autarquia. Essas nomeações, agora, ficarão a cargo do próprio ministro da Previdência.

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Ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, durante depoimento no Senado sobre o escândalo do INSS
Ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, durante depoimento no Senado sobre o escândalo do INSS - Metrópoles 10
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Ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, durante depoimento no Senado sobre o escândalo do INSS

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Além disso, as indicações para os cargos de diretores do INSS também vão passar por autorização prévia de Wolney Queiroz.

Historicamente, essas nomeações eram de competência do presidente do INSS. Logo no início da gestão Lula III, no entanto, o então ministro Carlos Lupi (PDT) passou a centralizar essas indicações dentro da autarquia.

Já em maio deste ano, na esteira da Operação Sem Desconto, da Policia Federal, Wolney Queiroz – que substituiu Lupi na Previdência –, havia reestabelecido a atribuição das nomeações para a gestão do INSS. Mas isso só durou dois meses. Agora, o poder volta a ser do ministro da Previdência, se assemelhando à gestão Lupi.

Desde a operação da PF, o INSS é presidido por Gilberto Waller Júnior, procurador federal da Advocacia-Geral a União (AGU). Ele recebeu “carta branca” de Lula para fazer modificações no instituto e estancar a crise causada pelo escândalo dos descontos indevidos. O antigo presidente, Alessandro Stefanutto, foi alvo de mandados de busca e apreensão.

Wolney Queiroz foi secretário-executivo de Carlos Lupi, demitido em razão da fraude no INSS. Ambos são do mesmo partido, o PDT. Apesar das ligações, o novo ministro nega vínculos com o antigo gestor.

Conforme revelou o Metrópoles, Wolney Queiroz já se reuniu com o lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, dentro do ministério no início do governo Lula, em janeiro de 2023.

Foto colorida mostra Wolney Queiroz e investigados da farra do INSS
Número 2 da Previdência à época, ministro Wolney Queiroz faz reunião com investigados da PF

O Careca do INSS, que aparece sorridente na foto da reunião, é apontado pela PF como o principal operador do esquema de descontos indevidos em aposentadorias. Segundo a investigação, o lobista recebia dinheiro das entidades envolvidas nas fraudes contra aposentados e pagava propina a dirigentes do INSS.

O encontro também contou com a participação de três ex-dirigentes do INSS suspeitos de terem recebido propina para favorecer entidades envolvidas nas fraudes dos descontos indevidos contra aposentados. À época, Wolney Queiroz era deputado federal e havia sido indicado para ser secretário-executivo do ministério, cargo que assumiria um mês depois.

Em nota, o ministro afirmou que “a agenda foi organizada e conduzida” por Virgílio Oliveira Filho, “com o intuito de apresentar ao futuro secretário executivo um panorama técnico da pasta no âmbito do processo de transição”. Segundo o texto, o grupo foi montado por ele “sem anuência prévia de Wolney sobre os participantes”.

Entenda a Fraude no INSS

O escândalo do INSS foi revelado pelo Metrópoles em uma série de reportagens publicadas a partir de dezembro de 2023. Três meses depois, o portal mostrou que a arrecadação das entidades com descontos de mensalidade de aposentados havia disparado, chegando a R$ 2 bilhões em um ano, enquanto as associações respondiam a milhares de processos por fraude nas filiações de segurados.

As reportagens do Metrópoles levaram à abertura de inquérito pela Polícia Federal (PF) e abasteceram as apurações da Controladoria-Geral da União (CGU). Ao todo, 38 matérias do portal foram listadas pela PF na representação que deu origem à Operação Sem Desconto, deflagrada no dia 23/4 e que culminou nas demissões do presidente do INSS e do ministro da Previdência, Carlos Lupi.

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