
Tácio LorranColunas

Na operação mais letal da história do RJ, 17% dos PMs retiraram as câmeras corporais
Levantamento do MPRJ ainda é parcial e analisou câmeras de 51 policiais do Bope na Operação Contenção
atualizado
Compartilhar notícia

Um levantamento feito pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) a pedido do Supremo Tribunal Federal (STF) revelou que pelo menos 17,6% dos policiais do Bope que atuaram na operação mais letal do Rio de Janeiro, a Operação Contenção, retiraram intencionalmente as câmeras corporais. O levantamento ainda é parcial e foi divulgado no início de maio.
Além dos 17,6% que retiraram as câmeras, 7,8% obstruíram intencionalmente as imagens. A análise foi feita com câmeras corporais de 51 policiais do Bope. O MPRJ afirmou que o relatório ainda é parcial porque não foi possível analisar todas as 3.600 horas de gravações do efetivo total, que contou com mais de dois mil policiais.
Um levantamento do próprio MPRJ, divulgado um mês após a operação, destacou que mais da metade dos policiais do Bope e da Core não utilizaram câmeras corporais no dia.
As câmeras dos policiais do Bope foram as primeiras a serem analisadas devido à presença predominante dos militares na mata no entorno do Complexo do Alemão, local onde foi encontrada a maior parte dos cadáveres no dia da Operação Contenção.
O MP do Rio ressaltou que a apuração do material ainda não está “completamente exaurida” e que as imagens das câmeras corporais dos policiais militares e dos policiais civis ainda serão analisadas, ou seja, o número de obstrução e retirada de câmeras corporais ainda pode aumentar.
Segundo o levantamento, em 82,4% das análises realizadas até agora houve “conformidade” quanto ao uso das câmeras corporais; em 11,8% das imagens registradas aparecem pessoas feridas, e não houve gravação de prisões.
A Operação Contenção foi a mais letal da história do Rio de Janeiro: 121 mortos, sendo 4 policiais e 117 civis. Com um efetivo de mais de 2 mil militares, 113 pessoas foram presas, mas o alvo principal, o traficante Doca, conseguiu escapar.













