
Tácio LorranColunas

MPF investiga esquema de pirâmide de “Elon Musk brasileiro”
“Elon Musk brasileiro” é dono da Lecar, que promete entregar veículos elétricos e híbridos; MPF investiga fraude
atualizado
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O Ministério Público Federal (MPF) investiga a Lecar SA, do empresário Flávio Figueiredo Assis, conhecido como “Elon Musk brasileiro” (foto em destaque), por suspeita de pirâmide financeira.
Em despacho obtido pela coluna, a procuradora da República Lisiane Cristina Braecher, do MPF de São Paulo, solicita informações do Ministério da Fazenda e da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) sobre eventuais investigações envolvendo a Lecar.
Em resposta, a Fazenda apontou “forte indicativo de conduta potencialmente fraudulenta” no negócio. “O negócio da Lecar possui características típicas de esquemas de pirâmide financeira.”
A Lecar se apresenta como “a montadora de veículos híbridos e elétricos 100% brasileira criada para revolucionar a mobilidade no Brasil e na América Latina”. Sem nem ter ainda uma fábrica construída, a empresa tem anunciado a venda de automóveis por meio de uma modalidade chamada “Compra Programada”. Nela, o cliente assume um plano de pagamentos em 48, 60 ou 72 meses, sem juros, sob a promessa de receber o veículo na metade do período.
A análise da Fazenda levanta quatro indícios principais de pirâmide financeira:
- a empresa exige pagamento de taxa de adesão para que o participante possa atuar como revendedor – isto é, paga para trabalhar;
- vende promessa de entrega futura sem produto validado;
- emprega gatilhos psicológicos de urgência e escassez para pressionar adesões imediatas e;
- declara expressamente depender da adesão de novos consumidores para suprir o fluxo de caixa.
Procurado, o empresário Flávio Assis afirmou que a estrutura da Lecar não é nem se assemelha a um esquema de pirâmide financeira.
“Todos estão apostando, acreditando e apoiando a Lecar, comprando nosso projeto pela ‘causa nacional’, para o Brasil ter o carro nacional, investindo no ressurgimento da indústria automotiva brasileira”, afirmou o executivo.















