De macaco a gato de R$ 100 mil: entenda multas do Ibama a Oruam
Lei de Crimes Ambientais estabelece que é proibido apanhar ou utilizar espécimes da fauna silvestre sem permissão de órgãos ambientais

Ter animais silvestres em casa não é algo proibido no Brasil, desde que a pessoa tenha liberação dos órgãos ambientais. Mas o cantor de trap Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, conhecido como Oruam, não seguiu a legislação brasileira e muito menos atendeu às notificações do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
A exibição nas redes sociais de espécies exóticas e nativas brasileiras pelo músico chamou atenção do órgão de controle, que chegou a aplicar duas multas em novembro de 2023, conforme revelou a coluna nesta quinta-feira (7/8). Juntas, as infrações totalizam R$ 40,5 mil.
No primeiro momento, os agentes do Ibama encontraram na casa de Oruam um macaco-prego, uma arara-vermelha, um papagaio e um gato da raça savannah. Em seguida, eles decidiram aplicar uma segunda autuação ao cantor, por entender que ele estava atrapalhando o trabalho da fiscalização. A assessoria de imprensa do artista foi procurada para se manifestar, mas até o fechamento desta reportagem não houve retorno.
Os animais silvestres de Oruam
Oruam é filho de Marcinho VP, um dos chefes do Comando Vermelho. Com milhares de fãs e seguidores nas redes sociais, o artista já mostrava em 2023 seu dia a dia com os animais silvestres. Os mais “famosos” eram o Malandrex e o Jack, respectivamente, o felino e o macaco-prego.
A aquisição e exibição dos animais silvestres ajudou a promover o lado excêntrico e também polêmico do artista. O gato de luxo, avaliado em mais de R$ 100 mil, foi um presente dado por ele à namorada.
Em um vídeo, Oruam chegou a mostrar um arranhão que levou do gato, após o animal silvestre pular nele quando estava sentado em um sofá. Essa espécie do felino pode atingir até 60 cm de altura.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesEm relação ao macaco-prego, o cantor levava o animal para “passear”. Entre essas aparições em público, estavam grandes festivais e entrevistas.
O que diz a legislação ambiental
A Lei de Crimes Ambientais estabelece que é proibido apanhar ou utilizar espécimes da fauna silvestre sem a devida permissão, licença ou autorização da autoridade competente. O infrator está sujeito a uma detenção de seis meses a um ano, além de multa.
A lei considera fauna silvestre todo animal nativo, migratório ou em rota de migração que tenha o território brasileiro como parte de seu habitat natural — mesmo que nascidos em cativeiro.
“Se não é livre, eu não curto”
O Ibama tem feito ações de conscientização destacando os impactos negativos da exposição de animais em ambientes domésticos.
“As redes sociais contribuem para esse cenário ao associar prestígio a usuários que compartilham imagens de animais silvestres em ambientes domésticos, muitas vezes forçados a comportamentos humanos”, informou o órgão ambiental, em maio deste ano, ao lançar a campanha “Se não é livre, eu não curto”.
Prisão de Oruam não tem ligação com infração ambiental
Oruam está preso preventivamente desde o dia 22 de julho, quando decidiu se entregar à Polícia Civil do Rio de Janeiro. Na ocasião, o músico e amigos atiraram pedras contra policiais civis que foram à casa do músico cumprir um mandado de prisão contra um adolescente que estaria no local. O menor de idade era procurado por tráfico e por roubo.
Por causa desse episódio, Oruam foi indiciado por sete crimes: tráfico de drogas, associação ao tráfico, resistência qualificada, desacato, dano, ameaça e lesão corporal.














