INSS expulsou 328 servidores por fraudes em benefícios desde 2019
Levantamento da coluna revela também que neste ano 11 servidores do INSS já foram expulsos por fraude em benefícios

O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) expulsou 328 servidores desde 2019 por fraudes na concessão de benefícios, licenças ou autorizações. Desse total, 281 foram demitidos e 47 tiveram a aposentadoria cassada. É o que aponta levantamento da coluna a partir de dados do Painel de Correição da Controladoria Geral da União (CGU).
No governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), 207 servidores foram demitidos por fraude em benefícios.
- 2019 – 73
- 2020 – 64
- 2021 – 34
- 2022 – 36
No governo do presidente Luiz Inácio Lula (PT), 121 servidores do INSS foram expulsos até o momento após a conclusão de Processos Administrativos Disciplinares (PADs). Neste ano, 11 servidores já foram demitidos.
- 2023 – 61
- 2024 – 49
- 2025 – 11
Essas 328 expulsões não têm a ver, necessariamente, com os descontos indevidos nas aposentadorias do INSS no âmbito da Operação Sem Desconto, da Polícia Federal, mas revelam que a fraude em benefícios é uma situação latente dentro do órgão.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesProcurados, o Ministério da Previdência e o INSS não retornaram até a publicação desta reportagem.
Farra do INSS foi uma investigação revelada pelo Metrópoles
O escândalo do INSS foi revelado pelo Metrópoles em uma série de reportagens publicadas a partir de dezembro de 2023. Três meses depois, o portal mostrou que a arrecadação das entidades com descontos de mensalidade de aposentados havia disparado, chegando a R$ 2 bilhões em um ano, enquanto as associações respondiam a milhares de processos por fraude nas filiações de segurados.
As reportagens do Metrópoles levaram à abertura de inquérito pela Polícia Federal (PF) e abasteceram as apurações da Controladoria-Geral da União (CGU). Ao todo, 38 matérias do portal foram listadas pela PF na representação que deu origem à Operação Sem Desconto, deflagrada no dia 23/4 e que culminou nas demissões do presidente do INSS e do ministro da Previdência, Carlos Lupi.
Servidor do INSS envolvido em quadrilha
Um desses 328 servidores expulsos por fraude em benefício é Theodoro Cardoso de Almeida. O INSS decidiu abrir um PAD contra ele após ter sido alvo da Polícia Federal (PF) no âmbito da Operação Cronocinese, deflagrada em 2019, na cidade de São Paulo.
Na ocasião, a PF investigava uma quadrilha especializada que deu prejuízo de R$ 55 milhões aos cofres públicos. As fraudes possibilitaram conceder aposentadorias a pessoas que não tinham tempo de contribuição suficiente, pois informavam períodos de trabalho inexistentes. Servidores do INSS, advogados e contadores que faziam parte do esquema foram investigados.
O PAD que resultou na demissão de Theodoro foi concluído em 2021.
O Tribunal de Contas da União (TCU), por sua vez, mapeou 705 irregularidades cometidas por Theodoro que resultaram no prejuízo de mais R$ 3 milhões em valores atualizados. No curso do processo, o servidor não apresentou defesa e se manteve em silêncio.




