
Tácio LorranColunas

Ministro do TCU diz que nota técnica do BC sobre liquidação do Master carece de prova documental
Jhonatan de Jesus determinou que área técnica do TCU inspecione documentos em posse do BC sobre liquidação do Master
atualizado
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Em mais um episódio da queda de braço com o Banco Central no caso Master, o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Jhonatan de Jesus apontou que faltam documentos na nota técnica da autoridade monetária que explica a liquidação do banco comandado por Daniel Vorcaro.
A informação consta em despacho, proferido nesta segunda-feira (5/1), que determinou a inspeção no Banco Central sobre os documentos que embasaram a decretação da liquidação extrajudicial do Master pela autoridade monetária, em 18 de novembro de 2025. O processo tramita em sigilo. No documento, Jhonatan de Jesus indicou que poderá determinar a reversão da liquidação extrajudicial do Banco Master.
“Ressalto, contudo, que a Nota Técnica apresentada se limitou, em essência, à exposição sintética de cronologia e fundamentos, com remissão a processos e registros internos, sem que viesse acompanhada, nesta oportunidade, do acervo documental subjacente (peças, notas internas, pareceres e registros de deliberação) necessário à verificação objetiva das assertivas nela contidas”, escreveu.
“Os pontos centrais afirmados na Nota Técnica – embora relevantes como narrativa institucional – não foram acompanhados de prova documental nos autos”, destaou Jhonatan de Jesus.
Na nota técnica, o BC detalhou todo o histórico para decretar a liquidação do Master, elencou uma série de supostas irregularidades encontradas e, por fim, relatou a existência de investigação enviada ao Ministério Público Federal (MPF) sobre novas fraudes que teriam sido cometidas pelo banco para tentar continuar funcionando.
No despacho, o ministro determina que a área técnica do TCU realize uma inspeção, in loco, no Banco Central (BC), e avalie o perfil dos investidores institucionais, bem como se os ativos remanescentes do Master são passíveis de desagregação, o que poderia reduzir a possibilidade de reversibilidade da liquidação.
Servidores da área técnica do Tribunal de Contas da União (TCU) que irão analisar documentos da liquidação extrajudicial do Master em posse do Banco Central passarão por rigoroso sistema de controle exigido pela autoridade monetária. Os técnicos terão suas consultas rastreadas pelo Banco Central e deverão assinar até termos de confidencialidade, conforme revelou a coluna na semana passada.
“O acesso às decisões e aos documentos que embasaram as ações relacionadas ao caso Master será disponibilizado em ambiente seguro, no âmbito do BCB, com observância estrita aos dispositivos legais que regem a matéria, notadamente os sigilos bancário e empresarial”, explicou o Banco Central ao TCU, em documento sigiloso obtido pela coluna.










