Bet ligada ao PCC operava como "centro de educação" no papel
A ASX Participações e Tecnologia, usada para lavagem do PCC, é registrada na Receita como “centro de educação e plataforma pedagógica"

A empresa ASX Participações e Tecnologia, que foi alvo da Polícia Civil de São Paulo em maio por operar jogos de apostas ilegais e ter ligação com o PCC, é registrada na Receita Federal como “centro de educação e plataforma pedagógica”.
A ASX é dos empresários Sandro Caliari e Varlei Ramos da Silva. O primeiro, como contou a coluna, é dono da Aposte Fácil, que é licenciada para operar apostas de quota fixa na Loteria Estadual do Rio de Janeiro, a Loterj.
As investigações da Polícia Civil de São Paulo revelaram que a ASX Participações comprou a plataforma clandestina “Black Vegas” por R$ 1 milhão, dividido em 25 parcelas de R$ 40 mil. A “Black Vegas”, de acordo com a corporação, era usada para jogos de azar não legalizados, sem quota fixa, como tigrinho e jogo do bicho, e para lavar dinheiro do PCC.
As investigações apontam que a sede da ASX Participações e Tecnologia funcionava como centro operacional do esquema. No local, foram apreendidos cadernos com anotações financeiras, documentos das plataformas de apostas e registros relacionados ao fornecimento de máquinas de pagamento.
“A autoridade policial entendeu que a ASX poderia não exercer atividade compatível com seu objeto social formal, descrito como ‘centro de educação e plataforma pedagógica’, e que, ao que indicava sua estrutura, seria destinada à operacionalização administrativa e financeira da suposta organização criminosa voltada à exploração de jogo de azar e à movimentação dos recursos”, disse a Polícia Civil.
Segundo o balanço da força-tarefa, foram sequestrados 76 imóveis e bloqueados mais de R$ 5,2 bilhões em patrimônio de pessoas físicas e jurídicas investigadas.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesCom Sandro Caliari, a Polícia Civil encontrou sacos de dinheiro com o montante de R$ 500 mil escondidos em um carro. Tanto Caliari quanto Varlei Ramos da Silva seguem presos desde o fim de maio.















