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Rodrigo Rangel

Comunista e pró-Palestina, jornalista de Brasília foi alvo da Abin

Ativista político, ele coordenou protestos contra Jair Bolsonaro na capital. A Polícia Federal investiga uso ilegal de programa espião

14/02/2024 12:13, atualizado 14/02/2024 13:56
Hugo Barreto/Metrópoles
Em foto colorida, viatura da PF na frente da Abin

A lista de alvos monitorados pela Abin com o programa espião israelense FirstMile é extensa. Entre as centenas de nomes, há políticos, jornalistas, funcionários públicos e um número considerável de cidadãos desconhecidos.

Uma parte deles nem a Polícia Federal, que investiga o uso clandestino do software, sabe ao certo por qual motivo estava sendo bisbilhotada.

Entre os alvos está Pedro César Batista, um consultor de comunicação de Brasília que ajudou a organizar protestos contra Jair Bolsonaro e, nas redes sociais, se apresenta como comunista convicto e defensor da causa palestina.

Jornalista de formação, Pedro Batista, de 60 anos, tem um programa sobre literatura na TV Comunitária de Brasília e é ligado a movimentos sociais.

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No governo Dilma Rousseff, prestou consultoria para o Ministério do Desenvolvimento Agrário. Também em Brasília, trabalhou na Casa Civil do governo local e foi assessor de imprensa na Câmara Legislativa.

Organizador de protestos contra Bolsonaro

Durante o governo de Jair Bolsonaro, Batista esteve à frente da organização de protestos que pediam o afastamento do então presidente. Embora não seja filiado atualmente a partidos de esquerda, ele foi um dos fundadores do Comitê Popular Fora Bolsonaro na capital federal.

Não é o primeiro caso envolvendo o monitoramento, pelo serviço secreto do governo, de organizadores de manifestações contra Jair Bolsonaro. Há duas semanas, a coluna revelou que um dirigente do PDT em São Paulo que coordenou protestos na capital paulista também foi alvo da Abin.

“Combater o arbítrio virou ilegalidade”

Em seu perfil no Instagram, Pedro César Batista se define como “comunista, apaixonado pela vida, confiante na luta revolucionária dos povos” e tem publicado vários posts em defesa da Palestina e contra Israel.

Em uma publicação recente, ele divulgou uma carreata em Brasília em apoio a Gaza. “Toda solidariedade ao povo palestino diante do genocídio em curso em Gaza. Fora sionistas”, escreveu.

Em foto colorida, o jornalista Pedro Batista ajudou a puxar protestos contra Bolsonaro e virou alvo da Abin
O jornalista Pedro Batista: ele ajudou a puxar protestos contra Bolsonaro em Brasília

Militante no movimento estudantil na ditadura, Batista foi espionado, no passado, pelo temido Serviço Nacional de Informações, o SNI, que viria a dar origem à Abin após a democratização. Ele guarda até hoje as cópias dos relatórios, que obteve anos depois.

Agora, o jornalista soube que foi vigiado pela Abin por meio da coluna. E não demonstrou surpresa. Ele atribuiu o monitoramento à sua militância política.

“Dedicar-se à defesa da democracia, combater o arbítrio e desejar uma sociedade mais justa virou ilegalidade para alguns setores que dirigiram o país e para outros que ainda dirigem. Usam o Estado contra quem defende a vida e a dignidade humana e se insurge contra a corrupção e o arbítrio”, disse. “Eu acredito que a minha ação buscando contribuir contra o arbítrio tenha sido a causa de mais essa perseguição”, emendou.

O programa espião

Batista teve seus passos vigiados entre 2019 e 2022, período em que a Abin usou largamente o FirstMile, inclusive para monitoramentos clandestinos de interesse do grupo político do então presidente Jair Bolsonaro.

O programa permite rastrear a localização dos alvos a partir de seus telefones celulares.

Como a coluna também mostrou, além de José Vitor Imafuku, o dirigente do PDT paulista que ajudou a organizar manifestações pelo impeachment de Bolsonaro e auxiliou na campanha presidencial de Ciro Gomes, outro alvo da Abin foi o jornalista Afonso Mônaco, veterano repórter policial da TV Record.