Reinaldo Azevedo - Colunista

Pai na UTI, e Flávio saçarica. Com o pior, votos para quem, Michelle?

Pré-candidato do PL faz evento em Ji-Paraná e entra em êxtase; Michelle, por sua vez, ajuda a excitar a cachorrada contra a imprensa

atualizado

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Reprodução/Flávio Bolsonaro
senador Flávio Bolsonaro discursa em evento de pré-campanha em Rondônia.
1 de 1 senador Flávio Bolsonaro discursa em evento de pré-campanha em Rondônia. - Foto: Reprodução/Flávio Bolsonaro

Jair Bolsonaro está na UTI do DF Star. Depois de convocar o Brasil para um jejum da meia-noite às 6h — no que pode ter sido um dos maiores momentos de privação de alimentos do mundo ocidental —, o filho Flávio, candidato à Presidência pelo PL, apareceu pulando e dançando, verdadeiramente entusiasmado, num ato em Ji-Paraná, no sábado, em Rondônia. Seus críticos não perdoaram a oscilação entre o convite à constrição alimentar — ainda que moderada, claro… — e a carnavalização. A gente entende. A campanha não pode parar, o que inclui o uso do estado de saúde do pai como alavanca mobilizadora.

Flávio tentou se justificar, mas fazendo praça da coisa.  Aquele que havia anunciado pouco antes um pai nas últimas, aproveitou para exaltar um Jair sempre no comando:

“Fazendo o que meu pai @jairbolsonaro  pediu: ‘Leve esperança ao povo brasileiro!’ Ontem, após essa agenda em Ji-Paraná (RO), fui direto pro hospital visitar meu pai e lhe dar a  boa notícia de que o lançamento da chapa por ele escolhida de pré-candidatos, em Rondônia, foi um sucesso: Marcos Rogério (Governador), Fernando Máximo (Senador) e Bruno Sheidt (Senador). Ficou feliz!”

Ninguém espera que a campanha vá parar à espera de que o Jair fique bom. Até porque a prisão, o estado de saúde e a domiciliar fazem parte do pacote de campanha.

Eu realmente acho que o estado de saúde do ex-presidente não é lá grande coisa e já disse que não me oporia a que cumprisse a pena em casa, mas, como se nota, a comoção que se tenta provocar é obviamente industriada. Deve-se apontá-lo não por qualquer prazer de maldizer, mas em nome da precisão…

Vamos lá… Imagine Lula num ato político celebratório, neste sábado, tentando levar os presentes ao êxtase. Michelle, a esta altura, estaria a evocar o Deus dos Exércitos — eles nunca gostaram daquele Senhor que foi relido por Cristo, cheio de bonomia — e a convocar as forças do além contra os inimigos. Ou as deste mundo cão mesmo.

O que esta senhora fez com a imprensa é imperdoável. Repostou o vídeo de uma fanática bolsonarista que acusa os jornalistas de torcer pela morte de Bolsonaro. A militante filmou os profissionais que dão plantão no DF Star e lançou nas redes. Dois já fizeram boletim de ocorrência. Uma repórter está sendo ameaçada de morte. Imagens de familiares e endereços foram postados nas redes.

A iniciativa remete àquele Bolsonaro que confinava repórteres num cercadinho, sempre molestados pelos ditos “minions”. Os profissionais eram alvos de todas as invectivas, ofensas e parifarias: “Cala a boca!”; “Imprensa canalha!”; “Você tem uma cara de homossexual terrível”; “Ô rapaz, pergunta à tua mãe a garantia que ela deu a seu pai”; “eu sou atleta das Forças Armadas; quando [a Covid] pega num bundão de vocês [da imprensa], a chance de sobreviver é bem menor”.

Flávio pula; Carlos dramatiza. O pai estaria inchado e irritado (claro!) e poderia ter morrido não tivesse pronto atendimento. Mas o preso que vive  na melhor cela jamais dispensada a alguém no país teve, sim, o pronto atendimento.

Escrevi ontem à noite sobre o processo de “hiper-humanização” de Bolsonaro e dos seus e de “coisificação” dos adversários. Eis aí.

Carlos saiu em defesa do irmão:

“A organização criminosa defendida pelo sistema, seguindo o mesmo modus operandi de sempre, agora tenta imputar ao meu irmão que estaria ‘celebrando’ enquanto nosso pai está na UTI. Como não têm o que dizer de verdade, seguirão tentando denegrir de forma proposital e calculada. Força. Levantar o ânimo não é fácil, entretanto é preciso tirar forças da alma e honrar seus pedidos é o Brasil precisa, mesmo que tentem enterrá-lo vivo”.

Não, Carlos, errado!

É que há um limite. Mesmo para comemorar um evento politicamente bem-sucedido, há uma medida nas coisas para quem havia convocado o país ao jejum, ainda que aquele… O curioso é que Carlos cutucou também a própria direita: “Há quem ainda trabalhe para derrubar o indicado do Presidente Jair Bolsonaro e se colocar no tabuleiro permitido.” Eduardo, o outro irmão, chamada Tarcísio de Freitas de “a direita permitida”.

De resto, se tanta felicidade não ficaria bem nem a um adversário de Bolsonaro, de quem se esperaria alguma contenção, menos ainda ao filho que foi escolhido para representá-lo nas urnas.

Ademais, a sua madrasta, a guardiã do lar, convocou as milícias contra os jornalistas, que faziam o seu trabalho sem pular, dançar ou comemorar.

Não vou lhes pedir compostura. Afinal, são os “hiper-humanos” contra o resto, que, para eles, não passa de “coisa desprezível”.

Tudo indica que Bolsonaro sai dessa. E torço muito por isso por um conjunto de razões, e o fundamento moral não é a menor. Mas a lógica elementar impôe que eu faça uma pergunta: “Se Bolsonaro morresse, quem obteria dividendos eleitorais? Lula?” Tal indagação enseja uma outra: sendo assim, se houver pessoas de mau espírito que torcem pela morte do ex-presidente, de que lado da peleja necessariamente estarão?

Se Bolsonaro souber, que reze para se proteger dos seus aliados.

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