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Eleições 2026Reinaldo Azevedo

EUA ameaçam o Brasil. Entenda o contexto. Até Alceu Valença está aqui

Vereadorzinho de Miami decide ameaçar as Américas. Mensagem não é endereçada nem ao México nem à Argentina. Então é enviada ao Brasil...

11/08/2026 22:51, atualizado 11/08/2026 23:03
EUA ameaçam o Brasil. Entenda o contexto. Até Alceu Valença está aqui
EUA ameaçam o Brasil. Entenda o contexto. Até Alceu Valença está aqui

O Departamento de Estado dos EUA decidiu divulgar um texto de um vagabundo que era vereador em Miami até outro dia ameaçando as Américas. É a atualização da “Doutrina Monroe” — agora “Donroe”: “A América para os americanos”. Desta feita, temos Trump arreganhando os dentes.

Quando o Itamaraty apontou que a lei norte-americana que permite designar quem é e quem não é terrorista — tratando como tal organizações criminosas — e também decidir quais grupos praticaram terrorismo internacional, o Itamaraty fez o óbvio: alertou que o expediente dava — e ainda dá — ao “Imperador do Norte” licença para uma intervenção militar no Brasil. Tomou porrada porque disse o óbvio.

A coisa é ainda mais séria: a CIA passa a ter licença para agir em operações obviamente secretas em solo brasileiro. Você já se perguntou se o cãozinho Totó não está chipado? Cuidado! Nota: “Totó” é do tempo em que cães não tinham nomes próprios a indicar uma personalização que deve guardar alguma intimidade com a solidão. Se o grande Alceu Valença falou até da “solidão dos astros”, imaginem a nossa. Sigamos.

O Departamento de Estado dos EUA publicou nesta terça um vídeo defendendo a “Doutrina Monroe” (pesquise depois se achar necessário), que tinha como lema “A América para os Americanos”. Era um repto contra a Europa ainda renitentemente colonialista — e até os “progressistas” de então poderiam chamá-la de “um avanço”.

Os marxistas d’escol não se debruçaram sobre o tema. Um pouco antes (1916), Lenin havia escrito “O Imperialismo – Fase Superior do Capitalismo”. O tom é crítico porquanto os marxistas, do seu ponto de vista, pregavam a aceleração da história rumo ao socialismo, mas viam no tal imperialismo um desdobramento natural do modelo.

No caso de Trump e da doutrina “Donroe”, veiculada, insisto, por um ex-vereador de Miami — e com erros históricos —, nada há de “progressista” qualquer que seja o viés: trata-se só de dizer: “A gente manda na porra toda e tem armas para impor nossa vontade.”

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Se, antes, bem ou mal, o colonialismo cedia ao imperialismo — e não deixava de ser, a seu modo, um avanço —, agora o que se tem é a expressão do mais abjeto reacionarismo porque, para tentar enfrentar a China, Trump tenta o neocolonialismo econômico, por meio das tarifas, e ameaça com o domínio territorial da metrópole contra as colônias.

Quem publica o vídeo-lixo é um tal Kevin Marino Cabrera, embaixador dos EUA no Panamá, cujo canal Trump ameaçou tomar.

Ao longo de cinco minutos, Cabrera defende as intervenções norte-americanas no continente. É um cubano-americano de segunda geração, nascido na Flórida — só os furacões costumam ser mais nefastos — e já foi, insisto, vereador em Miami. Que fale besteira, vá lá… Reproduzida pelo Departamento de Estado, é um problema.

Vamos ser claros, voltando ao começo, já que os textos aqui sempre são uma dissertação? A mensagem do “vereador” de Marco Rubio não é dirigida ao México porque, pobre país!, segue “tão longe de Deus e tão perto dos Estados Unidos” (deixarei para que vocês pesquisem a origem da frase). Também não é endereçada à Argentina, já que Javier Milei, que não leu Calderón de la Barca, já deu tudo a seus patrões, a começar da honra — e era um estelionato porque não tinha nenhuma. Sim, a mensagem é endereçada ao Brasil.

Estamos sob ameaça. E a eleição deste ano segue sendo uma disputa entre a soberania e o entreguismo. E o Itamaraty estava apenas fazendo um alerta correto e prudente.