Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
Ramiro Brites

PF: Pixbet remonta estrutura de lavagem de esquema de 2018 na Saúde

Estrutura de lavagem de dinheiro tinha os mesmos personagens que esquema da Cruz Vermelha Brasileira desmantelado em 2018 na Paraíba e no RJ

14/08/2026 11:30, atualizado 14/08/2026 12:11
Ilustração/Metrópoles
PF: Pixbet remonta estrutura de lavagem de esquema de 2018 na Saúde

A Polícia Federal (PF) afirma que o esquema de lavagem de dinheiro usado pelos donos da casa de apostas online Pixbet tem as mesmas estruturas de um grupo criminoso, desmantelado no fim de 2018, que desviou milhões de reais da Saúde Pública na Paraíba.

Uma operação conjunta dos Ministérios Públicos paraibano e carioca desarticulou uma organização criminosa infiltrada na Cruz Vermelha Brasileira, organização sem fins lucrativos, que administrava hospitais em vários estados.

Em 14 de dezembro de 2018, Daniel Gomes da Silva foi preso sob a suspeita de chefiar a organização criminosa. Ele era vice-presidente do Laboratório Industrial Farmacêutico do Estado da Paraíba, cujo diretor administrativo financeiro era Sérgio Augusto Motta.

As mesmas pessoas que lavavam dinheiro desviado da saúde pública hoje operariam a estrutura financeira da casa de apostas. Oito anos depois, esses personagens voltam a aparecer. Eles são investigados importantes nos inquéritos que culminaram na Operação Arena, deflagrada na quinta-feira (13/8).

Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles

Segundo a investigação, Motta é dono oculto da Anspace Instituição de Pagamentos LTDA. A mãe de Daniel Gomes da Silva, de 71 anos, consta como dona da empresa. Para os investigadores, Motta é o verdadeiro dono da empresa, que é “administrada de fato” por Silva.

O papel da Anspace

Um dos principais alvos da operação desta semana é Enzo Stephani. Investigado como operador financeiro da organização suspeita de exploração de jogos, lavagem de dinheiro e evasão de divisas, ele recebeu R$ 7,5 milhões da Bank Tecnologia e Serviços Digitais S/A, representada por Motta e ligada à Anspace.

A Anspace, diz a investigação, fez 1.475 operações financeiras, que ultrapassam R$ 1,5 bilhão. A maioria das operações foram na modalidade câmbio eFx – pagamento e transferência internacional regulamentado pelo Banco Central (BC).

O modelo agrupa várias transações de pequeno valor e faz uma única grande operação de câmbio, de forma automatizada. A operação facilitaria compras em plataformas digitais, como serviços de streaming e casas de apostas.

A transferência dessa natureza aumentaria a agilidade e reduziria a burocracia, mas, segundo a investigação, foi usada para dificultar a rastreabilidade dos recursos.