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Sexóloga explica o que é e como funciona o consentimento ativo
Ana Paula Nascimento detalha a importância da demonstração clara de desejo e da comunicação aberta nas relações íntimas
atualizado
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O consentimento entusiasmado exerce papel central nas relações íntimas, indo além da simples ausência de um “não” para incluir uma afirmação clara e ativa de desejo. De acordo com a psicóloga e sexóloga Ana Paula Nascimento, isso significa que ambas as partes devem demonstrar um interesse genuíno e vontade de participar de uma interação íntima, sentindo-se confortáveis e empolgadas com a experiência. A abordagem reforça a importância da comunicação aberta para garantir que as interações ocorram sempre de forma saudável e segura.
Entenda
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Diferença do consentimento simples: enquanto o “não disse não” pode indicar indiferença ou falta de objeção, o consentimento entusiasmado requer aceitação ativa e expressiva, em que a pessoa se sente positiva e animada, em vez de apenas demonstrar silêncio ou falta de resistência.
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Identificação de sinais claros: o conforto e interesse são percebidos por sinais verbais (comentários positivos, perguntas e entusiasmo) e não verbais (contato visual, sorrisos, aproximação física, toques suaves, postura relaxada e reciprocidade).
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Barreiras na comunicação: muitas pessoas têm dificuldade em expressar a vontade ou a falta dela devido a fatores como pressão social, medo de rejeição ou de desapontar o parceiro, falta de educação sexual adequada e normas culturais que desencorajam o diálogo aberto.
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Percepção de concordância por pressão: é possível identificar quando alguém concorda por medo, constrangimento ou pressão ao notar sinais de desconforto, como falta de entusiasmo, evasão de contato visual, respostas hesitantes, ansiedade ou tensão.
Na prática, a diferenciação entre a empolgação real e a mera ausência de recusa é o ponto central defendido pela especialista. Conforme detalha Ana Paula Nascimento, “a principal diferença é que o consentimento entusiasmado envolve uma aceitação ativa e expressiva. Enquanto o ‘não disse não’ pode indicar indiferença ou falta de objeção, o consentimento entusiasmado requer que a pessoa se sinta positiva e animada em relação à interação”.
A percepção de quando há conforto também exige atenção redobrada aos detalhes do comportamento do parceiro. Para ajudar a perceber quando uma pessoa está realmente confortável e interessada, a sexóloga enumera indicativos claros.
“Os sinais que indicam conforto e interesse podem incluir sinais verbais, como quando a pessoa faz comentários positivos, expressa entusiasmo, usa uma linguagem corporal aberta e faz perguntas sobre a experiência; e sinais não verbais, como contato visual, sorrisos, aproximação física, toques suaves e uma postura relaxada”, apontando que a reciprocidade nas reações também é um bom indicativo de conforto.
Por outro lado, entender as barreiras sociais é fundamental para decifrar por que a comunicação nem sempre flui.
“A dificuldade em expressar vontades pode estar ligada a diversos fatores, como pressão social, que gera expectativas sobre como as pessoas devem se comportar em situações íntimas; medo de rejeição e a preocupação de não serem aceitas ou de desapontar o parceiro; falta de educação sexual, já que muitas pessoas não recebem informações adequadas sobre consentimento e comunicação em relações íntimas; e normas culturais que podem desencorajar a comunicação aberta sobre desejos e limites”, esclarece a psicóloga.
Diante dessas barreiras, saber diagnosticar quando o outro cede por constrangimento é essencial para a proteção mútua.
“É importante estar atento a sinais que possam indicar desconforto, como a falta de entusiasmo, em que a pessoa parece desinteressada ou relutante; evasão de contato visual, quando a pessoa evita olhar nos olhos ou parece distraída; respostas hesitantes, onde a concordância é dada de forma vaga ou sem entusiasmo; e mudanças no comportamento, como sinais de ansiedade ou desconforto, incluindo inquietação ou tensão”, orienta a profissional.
Por fim, os casais podem criar uma comunicação mais aberta sobre desejo, limites e mudanças de vontade durante o sexo adotando estratégias práticas no cotidiano.
Segundo a especialista, as ações incluem “conversas abertas para criar um espaço seguro para discutir desejos e limites fora do contexto sexual; uso de ‘check-ins’ para perguntar regularmente ao parceiro como ele se sente durante a interação íntima; educação mútua para aprenderem juntos sobre consentimento e práticas saudáveis em relacionamentos; e o respeito e empatia para mostrar compreensão e respeito pelas vontades e limites um do outro, promovendo um ambiente de confiança”.






















