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Romance gay é detonado por erro “básico” ao retratar submissão no sexo
Romcom gay aposta no choque, mas é criticada por ignorar diálogo essencial sobre limites e consentimento na relação no BDSM e no sexo
atualizado
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O filme Pillion chegou cercado de curiosidade por misturar romance gay, estética leather e dinâmica BDSM com humor. Mas, para além do buzz, o longa vem sendo alvo de críticas por um motivo específico — e nada pequeno: a falta de uma cena clara em que os personagens discutem regras, limites e consentimento.
A trama acompanha o encontro entre um protagonista inexperiente, vivido pelo ator Harry Melling e um líder carismático de motoclube, Alexander Skarsgård, que o puxa para uma relação marcada por poder e submissão. O problema, segundo parte da crítica e do público, é que o roteiro trata essa dinâmica como algo que simplesmente acontece, sem mostrar o diálogo que costuma ser central nesse tipo de relação.
Nas redes e em análises de especialistas, o comentário se repete: o filme quer normalizar o BDSM, porém, ignora justamente o que o diferencia das relações abusivas — o acordo explícito. “Cadê a conversa?”, questionam espectadores. “Não é pudor, é narrativa básica”, resumiu um crítico.
A ausência dessa discussão virou um ruído incômodo. Em vez de aprofundar personagens e desejos, Pillion prefere o caminho da sugestão estética e do humor, o que para alguns soa superficial.
Conquistas históricas
Embora esteja envolvo nessa polêmica, Pillion estreou no Festival de Cannes 2025 e foi aplaudido pelo público, além de conquistar vários prêmios, como o de Melhor Roteiro na seção Un Certain Regard, Melhor Filme Britânico Independente, no British Independent Film Awards, além de prêmios para roteiro, figurino e maquiagem — acontecimento raro para um filme LGBTQIA+ de temática tão ousada e específico.
Além do prestígio, Pillion já faturou algo em torno de US$ 1,3 milhão só nas bilheterias do Reino Unido. O montante é considerado um valor alto para uma produção indie britânica.
Ainda assim, o longa segue dividindo opiniões. Há quem veja charme no desconforto e quem enxergue ali uma oportunidade desperdiçada de fazer uma romcom kinky mais honesta e madura. No Brasil, a estreia do filme está prevista para fevereiro.










