
Pouca vergonhaColunas

Psicóloga explica por que mentimos no sexo e o que isso significa
Homens e mulheres mentem no sexo. De acordo com uma sexóloga e psicóloga, inseguranças e medo moldam as mentiras mais ouvidas sob os lençóis
atualizado
Compartilhar notícia

Frases como “é só a cabecinha”, “depois eu coloco a camisinha”, “estou com dor de cabeça” podem aparecer na hora do rala e rola ou nas preliminares. Apesar de serem comuns e até terem virado memes nas brincadeiras entre amigos, essas mentiras podem ser sinais de uma mistura de pressão, impulsividade e medo de falhar ou decepcionar.
De acordo com uma sexóloga e psicóloga, elas funcionam como atalhos para evitar o desconforto. O objetivo não é necessariamente enganar, mas sim escapar de um momento em que vulnerabilidades viriam à tona.
O peso da performance entre eles
Para muitos homens, mentir durante o sexo é uma forma de proteger a própria autoestima. Dizer “não vou aguentar” pode ser uma maneira “torta” de justificar uma ejaculação precoce. Já o “não gosto de sexo oral” pode esconder insegurança, falta de experiência ou simplesmente egoísmo.
“A cultura machista exige que os homens sejam máquinas de sexo. Sempre prontos, potentes, infalíveis. Essa cobrança gera ansiedade e medo de decepcionar”, explica Alessandra Araújo. Mentir, nesse contexto, é menos sobre manipular e mais sobre se proteger da vergonha, do julgamento ou da ideia de fracasso, como afirma Araújo.

Elas também mentem
Se por um lado os homens são mais diretos, as mulheres também têm seu repertório de mentiras. “Estou com dor de cabeça”, “não estou me sentindo bem”, ou o clássico “já estou quase lá!” são alguns exemplos.
“Essas frases servem como escudos sociais”, explica a sexóloga. “Às vezes, a mulher só não quer transar. Mas em vez de dizer isso, prefere uma desculpa aceitável, para evitar conflito ou melindrar o parceiro.”
Segundo a especialista, dizer que adorou quando, na verdade, não foi nada bom é quase um clássico da “atuação” na cama. “Muitas mulheres ainda sentem que precisam validar a performance do parceiro. Fingem orgasmo para não frustrar, não parecerem difíceis ou ‘frias’”, diz Araújo.
Essa pressão vem da ideia de que a mulher deve sempre estar disponível, satisfeita e apaixonada pelo sexo. Quando isso não acontece, muitas preferem representar do que encarar um possível confronto.
Entre as mentiras mais preocupantes está a frase “não se preocupe, eu tomo anticoncepcional”, quando, na verdade, não toma ou esqueceu. Isso, segundo a sexóloga, é sinal de dificuldade em impor limites. “A mulher pode se sentir pressionada a transar sem proteção, com medo de parecer chata ou de perder o parceiro. É uma mentira que revela o quanto a assertividade ainda é um desafio para muitas”, alerta.
“O sexo é um reflexo de quem somos e do que vivemos. A melhor forma de superar isso é com diálogo. Sexo bom mesmo é o que é verdadeiro, consentido e prazeroso para todos os envolvidos”, finaliza Araújo.










